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O Fiel Jardineiro eBook

de John le Carré
Livro eBook
Editor: Dom Quixote, julho de 2013 ‧
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O Fiel Jardineiro é a arrebatadora história de um homem enobrecido pela tragédia, e uma magnífica exploração do lado negro do capitalismo desenfreado escrita por um dos mais proeminentes e elegantes escritores do nosso tempo. Um dos melhores romances de John le Carré. Adaptado ao cinema por Fernando Meirelles num filme com Ralph Fiennes e Rachel Weisz.
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Da página ao ecrã [c/trailers]

Há um ato íntimo e, paradoxalmente, público que atravessa a leitura e o cinema: o de imaginar. Quando lemos, o mundo ergue-se dentro de nós; quando vemos, o mundo é-nos oferecido como matéria sensível, já iluminada, montada, ritmada. A adaptação é uma leitura do livro, uma interpretação. E, no entanto, continuamos a exigir fidelidade como se a literatura e o cinema fossem línguas irmãs com dicionário comum. O que estes seis títulos mostram, cada um à sua maneira, cada um com as suas falhas e prodígios, é o que perdeu e o que foi encontrado ao mudar de forma. A Odisseia , de Homero O mito como máquina de imagens
Poucos textos são tão fundadores quanto A Odisseia: uma narrativa de regresso (nostos), e uma meditação sobre identidade, memória e reconhecimento. Ulisses é o homem de muitos recursos, um protagonista que conquista com astúcia, com máscaras, com linguagem. A epopeia, sendo herdeira da oralidade, avança em episódios que funcionam como ilhas narrativas: cada encontro (o Ciclope, Circe, as Sereias) é uma prova moral tanto quanto física, e cada hospitalidade aceite ou recusada desenha um mapa ético do mundo.
A notícia de que Christopher Nolan prepara a sua adaptação traz inevitavelmente uma pergunta: como filmar um poema que já é, ele próprio, uma tecnologia de imagens mentais? A produção está marcada para estreia a 17 de julho de 2026, e a comunicação oficial aponta para um grande evento cinematográfico, e uma ambição declaradamente épica.
O que poderá Nolan acrescentar a um texto que parece já conter toda a arquitetura do imaginário ocidental? Talvez precisamente aquilo em que o realizador mais insiste: a forma como o tempo se organiza. Se a epopeia trabalha por repetições, digressões e regressos (como uma maré narrativa), o cinema de Nolan tem feito do tempo uma personagem. O que significa voltar? O que significa reconhecer? O que significa chegar a casa e já não ser o mesmo?
A adaptação, ainda por estrear, será inevitavelmente uma escolha: que episódios ficam, quais se tornam elipse, onde se fixa o coração dramático. E, no caso de A Odisseia, o coração é o teste da permanência: de Penélope, de Ítaca, do próprio nome Ulisses. Saberemos, então, se o cinema contemporâneo consegue ainda tratar o mito como espelho moral: aquele em que, há milénios, continuamos a reconhecer as nossas tentações e os nossos regressos. QUERO LER!» A Morte em Veneza, de Thomas Mann A novela de Thomas Mann é uma peça de precisão: aparentemente simples, mas carregada de camadas onde estética, desejo e decadência se enredam. Veneza é um estado de espírito, uma cidade que respira beleza e apodrecimento. O protagonista, Gustav von Aschenbach, é um homem da disciplina e do culto formal, e é precisamente por isso que a sua queda (o fascínio por Tadzio, esse fulgor juvenil quase irreal) se torna uma tragédia estética: Uma paixão e um colapso de uma filosofia de vida.
O cinema de Luchino Visconti, em 1971, entende que esta história não pode ser contada sem atmosfera, ritmo, uma lentidão quase hipnótica, e música. E toma uma decisão que mudou para sempre a receção da obra no ecrã: no filme, Aschenbach deixa de ser escritor e passa a ser compositor, permitindo que a música, em particular Mahler, se torne a voz interior que a literatura narrava com subtileza.
A adaptação é uma troca: perde-se parte da ironia e da distância narrativa que Mann tão finamente administra, ganha-se uma corporalidade sensorial. O rosto de Dirk Bogarde, a maquilhagem que se desfaz, o suor que denuncia a ruína: tudo isto é cinema a dizer o que o texto sugere: que a obsessão estética pode ser uma forma de autoaniquilação.
Talvez a grande pergunta, e o grande mérito, desta adaptação seja a forma como Visconti filma o desejo. Veneza, com a sua luz e a sua água é cumplicidade. E neste pacto entre cidade e personagem, Visconti transforma Morte em Veneza numa elegia sobre a beleza. QUERO LER!» Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago José Saramago escreveu Ensaio sobre a Cegueira como uma experiência extrema: uma alegoria onde a cegueira é uma metáfora de colapso moral e cívico. Com frases longas, pontuação singular e ausência de nomes próprios, Saramago produz uma sensação de vertigem ética: é como se a linguagem, ao recusar etiquetas fáceis, dissesse que qualquer pessoa pode ser aquela pessoa, que a barbárie é uma possibilidade comum.
O filme de Fernando Meirelles (2008) enfrentou, por isso, um desafio quase impossível: como traduzir para imagem aquilo que, no livro, é sobretudo uma voz: a do narrador omnisciente, irónico e compadecido, que conduz o leitor por entre o horror e a lucidez? A solução cinematográfica passa pela materialidade: a “cegueira branca” como agressão visual, a quarentena como claustrofobia, o som como ameaça. Há cenas em que o cinema consegue aquilo que a literatura apenas sugere: a degradação como corpo, o medo como ruído, a violência como desorganização do espaço.
Mas a adaptação também expõe um limite: sem a textura verbal de Saramago, o risco é a história tornar-se mais literal, mais próxima do thriller distópico do que da parábola moral. E isso ajuda a explicar as leituras divididas que o filme suscitou, inclusive com polémica pública e protestos nos EUA, aos quais o autor respondeu defendendo o sentido alegórico da obra.
Talvez a forma mais justa de olhar para esta adaptação seja reconhecer o seu dilema: o cinema pode filmar a cegueira, mas não pode reproduzir a experiência de leitura que o livro constrói, essa sensação de caminhar num corredor sem corrimão, guiado apenas por uma voz que alterna entre compaixão e sentença. O filme é uma interpretação válida, por vezes poderosa; o livro continua a ser o lugar onde a cegueira nos acusa com maior elegância e ferocidade. QUERO LER!» O Leitor, de Bernhard Schlink O Leitor vive num território delicado, entre a intimidade e a História, o desejo e a responsabilidade, a memória e o julgamento. A relação entre Michael e Hanna começa como iniciação erótica e ritual de leitura, mas o romance desloca-se, com crueldade lenta, para a questão maior: o que fazer com o passado quando ele se senta à nossa frente e pede compreensão? Schlink escreve com uma clareza quase jurídica, e talvez por isso o desconforto seja tão eficaz: não há grandes explosões estilísticas, há a insistência do dilema.
A adaptação de Stephen Daldry (2008) trouxe ao ecrã um filme de elegância clássica, sustentado por interpretações que se tornaram parte da memória cultural do título. O filme faz uma aposta: transforma o romance num melodrama contido, onde a emoção se torna argumento. A consagração de Kate Winslet (incluindo o Óscar de Melhor Atriz) fixou a personagem de Hanna como figura trágica, o que alimentou também críticas: haverá, nesta abordagem, um risco de estetização do horror histórico, uma tendência para converter a culpa em páthos?
O que o livro tem de mais perturbador, a sua recusa em oferecer conforto moral, nem sempre se mantém intacto no ecrã. Mas o filme encontra, por outro lado, algo muito cinematográfico: o modo como a leitura, no corpo, pode ser simultaneamente ternura e poder; como a alfabetização pode ser libertação e vergonha; como a voz que lê pode criar uma intimidade que não absolve ninguém.
O Leitor é um filme sobre o que significa amar alguém cujo passado nos repugna. E sobre como a História, quando se infiltra na vida privada, nunca chega sem custo. QUERO LER!» O Fiel Jardineiro, de John le Carré John le Carré sempre soube que o thriller é uma forma literária séria: um modo de falar de poder, de corrupção e de cumplicidade. O Fiel Jardineiro (2001) é, nesse sentido, exemplar: começa com a morte de Tessa e transforma o luto de Justin numa investigação que descobre uma teia de interesses onde diplomacia, indústria farmacêutica e cinismo institucional se protegem mutuamente.
O filme de 2005, realizado por Fernando Meirelles, é uma adaptação particularmente feliz porque compreende duas coisas ao mesmo tempo: a dimensão política e a dimensão íntima. O cinema tem um instrumento que a literatura usa de outra maneira: o choque do real. Filmando com pulsação quase documental e dando ao espaço (o Quénia, as periferias, as sedes burocráticas) um peso moral, a adaptação faz da geografia uma acusação.
Ao mesmo tempo, o filme inclina-se para a elegia: a história é contada como memória ferida, como tentativa de reconstruir quem foi Tessa e quem Justin se torna ao perdê-la. O romance tem uma complexidade informativa e conspirativa que o cinema necessariamente simplifica. Em troca, o filme oferece uma corrente emocional que dá corpo ao porquê da investigação.
A adaptação mostra o seu melhor lado, traduzir esse lugar onde o mal raramente é um vilão isolado e quase sempre é um sistema inteiro a funcionar com eficiência. QUERO LER!» Uma boa adaptação não substitui o livro, empurra-nos de volta para ele, com novas perguntas, outras luzes, outras sombras. E é nesta conversa entre formas, não na hierarquia entre elas, que a literatura e o cinema continuam a fazer o que sempre fizeram: ensinar-nos a olhar.

O Fiel Jardineiro

de John le Carré

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722053006
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: julho de 2013
Idioma: Português
Tipo de produto: eBook
Formato e Compatibilidade:
Classificação Temática: eBooks em Português > Literatura > Policial e Thriller
EAN: 9789722053006
Acessibilidade: Ver características de acessibilidade indicadas pelo editor

Amor e perseverança

Sérgio

Não sendo o seu melhor livro, ainda assim é um bom livro. Com a escrita inteligente que John Le Carré nos foi habituando, tem nas principais personagens uma bonita história de amor e acima de tudo de perseverança. Recomendo!

mensagens que nos tocam

Eliana Sofia Figueiredo Martins

Ás vezes somos cegos porque nos vendam os olhos, porque as coisas se escondem, ou porque não as queremos ver. E ás vezes é preciso perdermos aquilo que mais amamos para VER. Ver o que gostamos e o que odiamos. E só assim podemos AGIR. Agir para combater o que odiamos em função dos que amamos. Acho que esta é (apenas) uma das mensagens importantes deste livro.

SOBRE O AUTOR

John le Carré

John le Carré (19 de outubro de 1931, Poole, Reino Unido - 12 de dezembro de 2020, Royal Cornwall Hospital, Truro, Reino Unido) estudou em Berna e Oxford, foi professor em Eton e esteve durante cinco anos ligado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, sendo primeiro secretário da Embaixada Britânica em Bona e, posteriormente, cônsul político em Hamburgo.
Começou a sua carreira literária em 1961, tendo-se tornado um escritor mundialmente reconhecido com o livro O Espião Que Saiu do Frio, o seu terceiro. A consagração de le Carré deu-se com o excelente acolhimento que teve a célebre trilogia de Smiley: Tinker Tailor Soldier Spy, The Honourable Schoolboy e A Gente de Smiley.
Entre os seus romances, todos eles assinaláveis êxitos de vendas e de crítica, contam-se O Alfaiate do Panamá, Single & Single, O Fiel Jardineiro, Amigos até ao Fim, O Canto da Missão e Um Homem Muito Procurado.

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