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Afrocalipse eBook

de Mário Lúcio Sousa
Livro eBook
Editor: Dom Quixote, junho de 2026 ‧
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Num tempo em que se celebram 50 anos de independência das antigas Colónias portuguesas, este romance corre o risco de se tornar um clássico.

Num país nunca nomeado, mas africano de gema, o ditador aquece o lugar por quase quarenta anos, recusando eleições, neutralizando os concorrentes, enriquecendo para lá do aceitável à custa da miséria do seu povo.

Ora, se este Presidente nos lembra alguém, é porque o romance se inspira assumidamente na insanidade, na cleptocracia e no abuso de personagens reais (e são muitos!) como Kumba Yalá (Guiné Bissau), José Eduardo dos Santos (Angola), Mobutu (Zaire) ou o terrível Bokassa (República Centro-Africana) que se coroou imperador em 1984, retratando também o horror das guerras civis pós-independência e o genocídio do Ruanda, bem como a subserviência do povo, a fome e o desgoverno crasso que enfestam muitos países em África e constituem hoje talvez a principal causa do seu atraso.

Nesta ficção, porém, as mulheres cansam-se do afrocalipse vivido há décadas e ajudam a mudar a história. Mas nem é só neste facto que reside a novidade: ela está presente na linguagem inventiva e belíssima com que o autor fala de coisas, afinal, tão feias e também na circunstância de ser o primeiro escritor de África a assacar aos próprios africanos parte da responsabilidade pelas desgraças sociais e pelo descalabro dos Direitos Humanos.

Este é um livro poético, irónico e cheio de humor, como são sempre as obras de Mário Lúcio Sousa, com pinceladas sobre assuntos muito sérios que interessam a todos os leitores.

Afrocalipse

de Mário Lúcio Sousa

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722089272
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: junho de 2026
Idioma: Português
Tipo de produto: eBook
Formato e Compatibilidade:
Classificação Temática: eBooks em Português > Literatura > Romance
eBooks em Português > Literatura > Ficção
EAN: 9789722089272
Acessibilidade: Ver características de acessibilidade indicadas pelo editor

Uma limpeza com as mães pela paz

Ler, um prazer adquirido

Adoro a escrita escorreita, ágil, numa linguagem rica e requintada, muito eloquente e poética nesta sátira humorística de Mário Lúcio Sousa. Não sei o suficiente sobre os ditadores em que se inspirou como Kumba Yalá da Guiné Bissau, Mobutu do Zaire ou Bokassa da República Centro-Africana mas sei um pouco mais sobre quem foi José Eduardo dos Santos em Angola, com um enriquecimento brutal na exploração de recursos em detrimento do país e do povo. “A roubalheira profissional hierarquizada no Estado.” O desgoverno, a violência, a manipulação, a ganância e a loucura muito comuns em abusos de poder em “o legado da violência dos inocentes.” Com brejeirice tanto em que refletir ao abordar assuntos sérios e graves. 50 anos após o fim do Colonialismo, muitos continuam a viver na miséria e para o qual também são responsáveis. Nesta versão ficcional as mães é que vão reverter a história com persistência, resiliência, muita lucidez e humor. Uma limpeza. Amei as mães pela paz.

SOBRE O AUTOR

Mário Lúcio Sousa

Mário Lúcio Sousa nasceu em 1964, no Tarrafal, Ilha de Santiago, Cabo Verde. Licenciou-se em Direito na Universidade de Havana. Foi deputado ao Parlamento e Ministro da Cultura e Artes de Cabo Verde. É uma das figuras mais reconhecidas da cena literária e musical cabo-verdiana e o escritor mais premiado no seu país, considerado o criador de uma nova linguagem que resgata o português arcaico para a língua crioula. É autor de vários livros de poesia, ficção, ensaio e teatro e publicou os romances O Novíssimo Testamento (Prémio Carlos de Oliveira 2010); Biografia do Língua (Prémio Miguel Torga 2015 e Prémio PEN Clube de Narrativa 2016), O Diabo Foi Meu Padeiro, A Última Lua de Homem Grande (finalista do Prémio LeYa 2022 e do Prémio Oceanos 2023 e escolhido para o plano Nacional de Leitura em Portugal) e O Livro Que Me Escreveu. Gravou mais de dez álbuns musicais e recebeu vários prémios e condecorações.

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