Simone Veil
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PARA AS GERAÇÕES FUTURAS: O LEGADO DE SIMONE VEIL
Simon Veil é uma das figuras mais marcantes da Europa do século XX: sobrevivente de Auschwitz, foi a ministra da saúde responsável pela legalização da interrupção voluntária da gravidez em 1975, em França e a primeira mulher presidente do Parlamento Europeu eleito por sufrágio universal. Para as Gerações Futuras, o livro com a palestra dada por Veil em 2005 aos alunos da prestigiada École Normale Supérieure de Paris, perpetua o seu testemunho sobre a Shoah (o Holocausto).
Ao aceitar o convite da escola para discursar, e também para responder às perguntas dos alunos, Veil contribuiu, como sempre fez na sua vida, para que a memória não se perca, para que a barbárie não seja relativizada e para que a democracia não seja tomada como garantida. Com o estilo calmo e a força inabalável que lhe eram próprias, Simone Veil evocou a sua deportação de França para Auschwitz, com a sua família, o que significou viver, pessoalmente, a Shoah, e o impacto desta tragédia humana na construção de uma Europa unida, que se lhe seguiu.
Veil, cujos pais e o irmão foram mortos pelo regime nazi, descreve a violência, a desumanização e a perda — mas também a resistência íntima que lhe permitiu sobreviver. Ela insiste que recordar não é um exercício de nostalgia trágica, mas uma responsabilidade política contra o negacionismo e contra a repetição dos erros que conduziram ao totalitarismo. A reconciliação europeia, que originou a sua integração, não é meramente um projeto tecnocrático, mas uma resposta ética ao horror vivido. Todas as etapas da vida de Veil refletem uma continuação natural da sua luta. Quando assumiu a presidência do Conselho Europeu, fê-lo com o propósito claro de de contribuir para criar instituições que protejam a paz, os direitos humanos e a igualdade. Quando venceu, com grande esforço pessoal e enfrentando uma grande oposição, a batalha pela legalização da IVG em França, alcançou uma das reformas sociais mais importantes do século XX, que ficaria conhecida como a Lei Veil. A sua convicção era a de que a dignidade das mulheres é inseparável da dignidade humana da sociedade como um todo. Por isso, enquanto viveu, foi sempre ativa na defesa dos mais vulneráveis, dos refugiados, dos presos, dos pobres.
A lição intemporal que Simone Veil nos deixa, com a sua vida e os seus testemunhos ganha ainda mais premência no presente, alertando-nos para o risco de banalização do ódio, para a fragilidade das democracias e inerente necessidade de vigilância cívica, e para a importância de instituições fortes e solidárias.
Um livro que espelha como Simon Veil viveu o pior e, ainda assim, escolheu a esperança e a não resignação em detrimento do ódio.