Álvaro Sebastião
O meu nome é Álvaro Sebastião. Sou filho de uma trabalhadora à jorna e de um pastor dos animais dos outros. Sou o autor do livro Eu Sou um Pai Natal que adorei escrever! Obrigou-me a relembrar e até reviver muitas das histórias que vos conto. Considero que poderá ser lido por miúdos e graúdos que queiram viajar!
Nasci na região saloia, na aldeia de Albogas, concelho de Sintra, onde muitas vezes, nas noites de quentes de verão, o meu pai me incentivava a ir apanhar vaga lumes ou pirilampos. Como se dizia na cidade, para colocar debaixo de uma tigela e no outro dia bem cedo levantá-la e vê-los transformados em moedas de tostão. Aos treze anos saí de casa para trabalhar. Tudo era difícil! Segui as pegadas dos meus irmãos. Passei vários anos por veredas e socalcos e aos dezanove anos entrei, por concurso, na administração pública, desempenhando funções administrativas. Por lá fiquei desde mil novecentos e setenta e cinco até ao último dia de dois mil e dezanove.
Pela minha vida passou a música e a literatura! O dinheiro era pouco, mas sempre que podia lá ia comprando um disco ou um livro. Aos vinte e um anos casei com uma menina que tinha regressado de França, para onde tinha emigrado com os pais doze anos antes.
Aos vinte e três anos nasceu o nosso único filho. Desde sempre me fascinou o trabalho com crianças e com o seu nascimento pude dar largas à minha imaginação. Os anos foram passando e, desde a criação de uma biblioteca infantojuvenil até a escrita e encenação de várias peças de teatro de crianças para crianças e adultos, bem como visitas de estudo e passeios didáticos, tudo isto aconteceu em horas de lazer com dezenas de crianças que sempre disseram sim a todas as iniciativas que lhes eram propostas.
Os tempos mudaram, o nosso filho cresceu, e há cerca de vinte anos, para minha felicidade e certamente de milhares de crianças, realizo um sonho anual de encarnar a personagem de pai natal. Ser um pai natal, ter muitas crianças ao meu redor é fascinante! São memórias incríveis de histórias vividas, de abracinhos infindáveis, de um dizer adeus até a porta se fechar lá ao fundo do corredor... Tantas conversas inacabadas porque a fila de crianças para visitar o pai natal era infindável e a espera já era longa. As alturas em que eu sentia maior tristeza, sem nunca o demonstrar, claro era quando não podia de forma nenhuma resolver algum problema colocado por uma criança. Hoje tenho consciência que, de certa maneira, consegui ajudar a resolver uma mão cheia deles. As visitas aos hospitais são, sem dúvida, o que eu mais gosto de fazer! Sentir que uma criança deixa de ter dores enquanto está na presença do pai natal, é algo mágico e indescritível. O coração do pai natal fica pequenino e sem palavras ou ouvir uma criança a pedir-lhe de olhos molhados: - não vais embora, pai natal. Depois da visita e ao retomar o caminho de volta não me sinto a andar, sinto-me a flutuar. Interpretar a figura de pai natal sustenta e enriquece a criança que há em mim! Eu sou um pai natal com vinte anos de histórias vividas e imaginadas.
Nasci na região saloia, na aldeia de Albogas, concelho de Sintra, onde muitas vezes, nas noites de quentes de verão, o meu pai me incentivava a ir apanhar vaga lumes ou pirilampos. Como se dizia na cidade, para colocar debaixo de uma tigela e no outro dia bem cedo levantá-la e vê-los transformados em moedas de tostão. Aos treze anos saí de casa para trabalhar. Tudo era difícil! Segui as pegadas dos meus irmãos. Passei vários anos por veredas e socalcos e aos dezanove anos entrei, por concurso, na administração pública, desempenhando funções administrativas. Por lá fiquei desde mil novecentos e setenta e cinco até ao último dia de dois mil e dezanove.
Pela minha vida passou a música e a literatura! O dinheiro era pouco, mas sempre que podia lá ia comprando um disco ou um livro. Aos vinte e um anos casei com uma menina que tinha regressado de França, para onde tinha emigrado com os pais doze anos antes.
Aos vinte e três anos nasceu o nosso único filho. Desde sempre me fascinou o trabalho com crianças e com o seu nascimento pude dar largas à minha imaginação. Os anos foram passando e, desde a criação de uma biblioteca infantojuvenil até a escrita e encenação de várias peças de teatro de crianças para crianças e adultos, bem como visitas de estudo e passeios didáticos, tudo isto aconteceu em horas de lazer com dezenas de crianças que sempre disseram sim a todas as iniciativas que lhes eram propostas.
Os tempos mudaram, o nosso filho cresceu, e há cerca de vinte anos, para minha felicidade e certamente de milhares de crianças, realizo um sonho anual de encarnar a personagem de pai natal. Ser um pai natal, ter muitas crianças ao meu redor é fascinante! São memórias incríveis de histórias vividas, de abracinhos infindáveis, de um dizer adeus até a porta se fechar lá ao fundo do corredor... Tantas conversas inacabadas porque a fila de crianças para visitar o pai natal era infindável e a espera já era longa. As alturas em que eu sentia maior tristeza, sem nunca o demonstrar, claro era quando não podia de forma nenhuma resolver algum problema colocado por uma criança. Hoje tenho consciência que, de certa maneira, consegui ajudar a resolver uma mão cheia deles. As visitas aos hospitais são, sem dúvida, o que eu mais gosto de fazer! Sentir que uma criança deixa de ter dores enquanto está na presença do pai natal, é algo mágico e indescritível. O coração do pai natal fica pequenino e sem palavras ou ouvir uma criança a pedir-lhe de olhos molhados: - não vais embora, pai natal. Depois da visita e ao retomar o caminho de volta não me sinto a andar, sinto-me a flutuar. Interpretar a figura de pai natal sustenta e enriquece a criança que há em mim! Eu sou um pai natal com vinte anos de histórias vividas e imaginadas.
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