WOOK LÊ Francisco José Viegas
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17 de janeiro de 2020
BIOGRAFIA
NOME: FRANCISCO JOSÉ VIEGAS
DATA E LOCAL DE NASCIMENTO: 1962, Vila Nova de Foz Côa
WOOK FAZ? Editor e escritor
CURIOSIDADE: Calça 46 e só consegue escrever em casa ou nas esplanadas do bairro.
OS SEIS LIVROS DA SUA VIDA
2666, ROBERTO BOLAÑO
De certa maneira, é o livro dos livros de Bolaño: fragmentário como o mundo inteiro e como a própria literatura. Uma investigação sobre a leveza e a profundidade, sobre a arte do engano — mas também sobre a morte, a melancolia e a beleza das coisas, que é sempre surpreendente, mesmo quando fala de homicídios. Li-o numa semana, sem conseguir parar, prometi publicá-lo em Portugal. Está feito.
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OS MAIAS, EÇA DE QUEIROZ
Tem de haver critérios – e Os Maias é uma espécie de pilar em que assenta a nossa tradição romanesca. É o livro que mais li na minha vida: como uma galeria de personagens, um teatro da política e da sociedade portuguesas, um dicionário completo da nossa língua, uma novela romântica, um tratado de humor, erotismo & voluptuosidade (ah, a senhora Condessa de Gouvarinho!). E portanto é isso: todos somos filhos de Eça.
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NOVELAS DO MINHO, CAMILO CASTELO BRANCO
Podia ter escolhido A Brasileira de Prazins, que é um romance de camada sobre camada, onde há de tudo (amor, história política, riso, religião, canalhice, etc.) – mas as Novelas são um prodígio de humor e sociologia, com tudo aquilo que Camilo arrasta: a maldade & a má-língua, a capacidade de observação, e a sua crítica às coisas da pátria, que é sempre ribombante, ora um canhão, ora um tiro de carabina.
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DOM QUIXOTE DE LA MANCHA, MIGUEL DE CERVANTES
Quando D. Quixote regressa da sua primeira viagem, há aquela cena admirável, em que lhe queimam os livros — porque lhe estão a dar a volta à cabeça. É tão verdade como o livro todo, mesmo quando mente com os dentes todos. No caso deste grande romance, trata-se de um livro sobre todos os livros e as histórias que vêm neles. Coisa assim só um génio que tanto morre na guerra como nos braços de uma donzela. Que martírio!
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A GRANDE ARTE, RUBEM FONSECA
Com este livro, Rubem Fonseca reinventou a arte de escrever em Português (com maiúscula), despenalizando a sensualidade, aumentando a capacidade de observação, libertando a língua da sua vulgaridade — e tudo sem perder erudição, sabedoria, juízo, ação e divertimento, erotismo, sentido exato da beleza que nasce das situações mais caricatas ou improváveis. E Mandrake, o personagem, é um velhaco admirável.
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O PAPAGAIO DE FLAUBERT, JULIAN BARNES
Um homem parte de Inglaterra para França a fim satisfazer a sua curiosidade sobre Gustave Flaubert; e o que é uma viagem à terra de Madame Bovary transforma-se numa enciclopédia sobre a literatura e o génio de um homem impossível. Em Inglaterra, teve o prémio de romance; em França, o de ensaio – Julian Barnes prova que não há fronteiras entre uma coisa e outra quando se escreve com tanta elegância e leveza. É um livro extraordinário sobre tudo o que quisermos.
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