Sabia que um bom fascista não lê livros - e gaba-se disso?

Manual do Bom Fascista
Manual do Bom Fascista, de Rui Zink
- O bom fascista não gosta de ser chamado fascista;
- O bom fascista tolera pretos, desde que saibam o seu lugar;
- O bom fascista já nem sempre detesta judeus;
- O bom fascista sabe tudo.

Após analisar cuidadosamente a atualidade, estudar os sinais e unir todos os pontos, Rui Zink, escritor e professor universitário, concluiu que a ideologia responsável por alguns dos mais negros episódios da História está a reconquistar seguidores.

Assim surge Manual do Bom Fascista, um ensaio com mais de 100 lições, entre o humor e a mais pura verdade, sobre a ideologia que voltou para assombrar os nossos dias «e, se não nos pusermos a pau, os dos nossos bisnetos.»

Pode ser lido como alerta sobre a forma como todos nós contribuímos para a sua propaganda ou como um simples manual que nos permite aferir quanto de bons fascistas há em nós – inclui, para isso, um «fascistómetro» composto por 14 perguntas. Partilhamos consigo uma dessas lições.
Está preparado/a? Não sei se está.
LIÇÃO 49 – O MELHOR FASCISTA NUNCA LEU UM LIVRO
«E não vem daí grande mal ao mundo, provavelmente até na opinião dos pobres livros. É um facto: sabemos o que pensamos dos livros, mesmo dos que não lemos. Sejamos honestos, eh eh: sobretudo acerca dos que não lemos.
Mas o que sabemos nós do que os livros pensam de nós? Estou a falar a sério. Pudessem os livros falar e talvez também não gostássemos de ouvir as suas queixas, sobretudo quando apanham um ou outro leitor mais duro de mastigar:

«Que mal fiz eu ao Deus das Encadernações para merecer tais leitores?»

Ora bem, já vimos que o bom fascista não lê – leu. Agora, veremos que, se o bom fascista não lê, o melhor fascista vai ainda mais longe: gaba-se de não ler.
Até porque ler enfraquece (poucas pessoas sabem isto) a alma. Ler empobrece (e é incrível que ninguém saiba isto, só pode ser boicote do sistema) a nossa Cultura.
E, se pensarmos bem, nem está mal-amanhado. Afinal, que livros lia D. Afonso Henriques, quando criou Portugal? Ou Martim Moniz, que ficou entalado na porta na tomada de Lisboa aos mouros? Ou D. Sebastião, que partiu para Alcácer-Quibir em busca de mais glória? Hã?
Ah, pois.

[Exercício: coloque um livro à sua frente, junto ao tapete de ioga e à bola de Pilates, e tente não o abrir. Comece lentamente, em séries curtas, e depois vá ampliando, até conseguir não o ler sem esforço. Repita tantas vezes quantas as necessárias até conseguir fazer o exercício sem precisar de um livro.]»

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