QUESTIONÁRIO PROUST A DAVID ERLICH
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13 de junho de 2024
Apresenta-se como «um dos intelectuais de Moscavide com maior projeção». Mas David Erlich é bem mais do que o seu bom humor e despretensiosismo: ensina Filosofia no ensino secundário e está a doutorar-se nesta disciplina, especializando-se na sua vertente histórica. É também poeta, contando já com 3 livros de versos publicados. Vive, diz, «na provisória condição de existir». E acaba de lançar A Bebedeira de Kant – e outros 49 episódios da História da Filosofia para pensar a sorrir.
Neste livro, Erlich, seguindo a linha cronológica através da qual a Filosofia evoluiu – da Filosofia Antiga, passando pela Moderna, até chegar à Contemporânesa – junta o pensamento e os ensinamentos dos mais importantes filósofos a episódios caricatos que viveram. Faz-nos, assim, olhar para as grandes figuras da Filofofia como as pessoas que foram, humanas como nós, o que não os impediu de ficarem para a História, e dos fazerem olhar para o mundo de formas diferentes. Episódios engraçados percorrem as páginas deste livro, que deve o título ao facto de Kant, segundo consta, beber tanto vinho, até altas horas da noite, que muitaz vezes não era capaz de encontrar o caminho de regresso à casa. Ficamos a saber que, por vezes, refletir muito pode prejudicar a vida social: Montaigne, por exemplo, optou por passar a reforma enclausurado numa torre a dissertar sobre… o valor da amizade. Pode, também, levar a sábias indecisões, como no caso de Francis Bacon que, no momento em que considerou suicidar-me atirando-se para um tanque, acabou por recuar, porque a água estava fria. No total, Erlich conta-nos 50 episódios caricatos da História da Filosofia, e dos filósofos, mais propriamente. Assim, como quem não quer a coisa, ficamos com uma boa ideia das teorias e pensamentos dos maiores pensamentos de que há memória.
Por tudo isto, quisemos conhecer um pouco melhor o nosso filósofo David Erlich. Lançamos-lhe, pois, as perguntas que Proust lhe faria…
Neste livro, Erlich, seguindo a linha cronológica através da qual a Filosofia evoluiu – da Filosofia Antiga, passando pela Moderna, até chegar à Contemporânesa – junta o pensamento e os ensinamentos dos mais importantes filósofos a episódios caricatos que viveram. Faz-nos, assim, olhar para as grandes figuras da Filofofia como as pessoas que foram, humanas como nós, o que não os impediu de ficarem para a História, e dos fazerem olhar para o mundo de formas diferentes. Episódios engraçados percorrem as páginas deste livro, que deve o título ao facto de Kant, segundo consta, beber tanto vinho, até altas horas da noite, que muitaz vezes não era capaz de encontrar o caminho de regresso à casa. Ficamos a saber que, por vezes, refletir muito pode prejudicar a vida social: Montaigne, por exemplo, optou por passar a reforma enclausurado numa torre a dissertar sobre… o valor da amizade. Pode, também, levar a sábias indecisões, como no caso de Francis Bacon que, no momento em que considerou suicidar-me atirando-se para um tanque, acabou por recuar, porque a água estava fria. No total, Erlich conta-nos 50 episódios caricatos da História da Filosofia, e dos filósofos, mais propriamente. Assim, como quem não quer a coisa, ficamos com uma boa ideia das teorias e pensamentos dos maiores pensamentos de que há memória.
Por tudo isto, quisemos conhecer um pouco melhor o nosso filósofo David Erlich. Lançamos-lhe, pois, as perguntas que Proust lhe faria…
QUESTIONÁRIO PROUST
Qual é a sua ideia de felicidade plena?
O descrito no poema do Ruy Belo: «feliz aquele que administra sabiamente a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias».
Qual é o seu maior medo?
Sucumbir.
Qual é a característica que mais detesta em si?
Ter medo de sucumbir.
Qual é a característica que mais detesta nos outros?
A jactância que ignora a possibilidade de sucumbir.
Qual é a sua maior extravagância?
Responder com a palavra “sucumbir” a quatro perguntas seguidas num questionário Proust.
Que pessoa viva mais admira?
O que entendemos por admirar? Reservo-me o direito de, como professor de filosofia, responder a uma pergunta com uma pergunta.
Que pessoa viva mais despreza?
O que entendemos por desprezar? Reservo-me o direito de, como professor de filosofia, responder a duas perguntas com uma pergunta. Ou melhor, com duas perguntas. Ou seja, uma pergunta cada pergunta. Isto é… bom, penso que ficou claro.
O quê, ou quem, é o maior amor da sua vida?
Serei assumidamente piroso. A minha unida de facto, companheira, amante, amiga Teresa V. Vaz.
Onde e quando foi mais feliz?
Quando, recordando Ruy Belo, administrei bem.
Que talento não tem e gostaria de ter?
Dançar.
Se pudesse mudar uma coisa em si, o que seria?
Saber dançar.
Diga uma palavra – ou frase – que usa com muita frequência.
É.
Qual considera ser a sua maior conquista?
Ter aprendido, como dizia o pré-socrático Antístenes, a falar comigo mesmo.
Onde gostaria de morar?
Sigo o estoicismo: prefiro pensar como habitar melhor o lugar em que já moro.
Qual é a sua ocupação favorita?
Desocupar-me após uma comprida missão cumprida e usufruir serenamente da experiência de estar vivo.
Quem são os seus escritores favoritos?
Assim de súbito e sabendo que a seguir a responder me vou lembrar de outros: Eugénio de Andrade, Alberto Caeiro, Kafka, Orwell, Marco Aurélio, Séneca, Hannah Arendt, Hesse, Byung-Chul Han, Santiago Kovadloff, Sophia. E tantos outros. E tantos que seriam certamente, se os tivesse lido.
Qual é o bem mais valioso que tem?
A paz comigo mesmo.
Qual é a sua asneira favorita?
Qué hijo de puta..
Qual é o seu estado de espírito neste momento?
Curioso com estas perguntas.
Se não fosse você mesmo, quem gostaria de ser?
Um outro convergente.
Qual é o seu lema de vida?
Ser como um promontório, contra o qual embatem as ondas da maré. Marco Aurélio escreve algo assim nas suas Meditações.
Como gostaria de morrer?
Ouvindo música pimba, enquanto leio em voz alta trechos do manual de Epicteto, num restaurante de sushi à discrição, rodeado de pessoas que amo, a quem ofereci uma rodada de temakis.
Se Deus existisse, o que gostaria que ele lhe dissesse?
«Gostei de todos os teus livros, mas aquele… como é que se chamava?... A bebedeira de Kant, é isso. Adorei ler essas páginas aqui no Céu. Belo livro, meu bro!»
O descrito no poema do Ruy Belo: «feliz aquele que administra sabiamente a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias».
Qual é o seu maior medo?
Sucumbir.
Qual é a característica que mais detesta em si?
Ter medo de sucumbir.
Qual é a característica que mais detesta nos outros?
A jactância que ignora a possibilidade de sucumbir.
Qual é a sua maior extravagância?
Responder com a palavra “sucumbir” a quatro perguntas seguidas num questionário Proust.
Que pessoa viva mais admira?
O que entendemos por admirar? Reservo-me o direito de, como professor de filosofia, responder a uma pergunta com uma pergunta.
Que pessoa viva mais despreza?
O que entendemos por desprezar? Reservo-me o direito de, como professor de filosofia, responder a duas perguntas com uma pergunta. Ou melhor, com duas perguntas. Ou seja, uma pergunta cada pergunta. Isto é… bom, penso que ficou claro.
O quê, ou quem, é o maior amor da sua vida?
Serei assumidamente piroso. A minha unida de facto, companheira, amante, amiga Teresa V. Vaz.
Onde e quando foi mais feliz?
Quando, recordando Ruy Belo, administrei bem.
Que talento não tem e gostaria de ter?
Dançar.
Se pudesse mudar uma coisa em si, o que seria?
Saber dançar.
Diga uma palavra – ou frase – que usa com muita frequência.
É.
Qual considera ser a sua maior conquista?
Ter aprendido, como dizia o pré-socrático Antístenes, a falar comigo mesmo.
Onde gostaria de morar?
Sigo o estoicismo: prefiro pensar como habitar melhor o lugar em que já moro.
Qual é a sua ocupação favorita?
Desocupar-me após uma comprida missão cumprida e usufruir serenamente da experiência de estar vivo.
Quem são os seus escritores favoritos?
Assim de súbito e sabendo que a seguir a responder me vou lembrar de outros: Eugénio de Andrade, Alberto Caeiro, Kafka, Orwell, Marco Aurélio, Séneca, Hannah Arendt, Hesse, Byung-Chul Han, Santiago Kovadloff, Sophia. E tantos outros. E tantos que seriam certamente, se os tivesse lido.
Qual é o bem mais valioso que tem?
A paz comigo mesmo.
Qual é a sua asneira favorita?
Qué hijo de puta..
Qual é o seu estado de espírito neste momento?
Curioso com estas perguntas.
Se não fosse você mesmo, quem gostaria de ser?
Um outro convergente.
Qual é o seu lema de vida?
Ser como um promontório, contra o qual embatem as ondas da maré. Marco Aurélio escreve algo assim nas suas Meditações.
Como gostaria de morrer?
Ouvindo música pimba, enquanto leio em voz alta trechos do manual de Epicteto, num restaurante de sushi à discrição, rodeado de pessoas que amo, a quem ofereci uma rodada de temakis.
Se Deus existisse, o que gostaria que ele lhe dissesse?
«Gostei de todos os teus livros, mas aquele… como é que se chamava?... A bebedeira de Kant, é isso. Adorei ler essas páginas aqui no Céu. Belo livro, meu bro!»