Quer salvar o mundo? Comece pelo pequeno-almoço

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O Poder do Jejum Intermitente, de Alexandra Vasconcelos
Já todos o sabemos: as alterações climáticas são o maior e principal desafio global no nosso tempo. Mas, apesar de quase todos reconhecermos a inegável responsabilidade humana na grave crise climática que enfrentamos, quantos de nós se dispuseram a alterar minimamente o seu modo de vida para que a rota do desastre fosse invertida?

Jonathan Safran Foer (Washington, 1977), um dos mais brilhantes e reconhecidos escritores da sua geração, apresenta Salvar o Planeta Começa ao Pequeno-Almoço, um ensaio que interliga a história do mundo com a sua própria, e nos convida a uma reflexão franca sobre a urgência da alteração dos nossos hábitos quotidianos. E para isso, garante: basta olharmos para o que comemos – e não comemos – ao pequeno-almoço.

Numa narrativa profundamente empática, lúcida e honesta, Foer mergulha neste dilema entre sacrificar o conforto ou salvar o mundo, tentando responder às questões com evidências, estabelecendo paralelos e expondo as suas maiores fragilidades no processo: «Enquanto promovia [o livro] Comer Animais, as pessoas perguntavam-me muitas vezes porque não era vegano. (…) Ocasionalmente, escondia-me por detrás das dificuldades de cozinhar para duas crianças esquisitas com a comida. Outras vezes distorcia a verdade e descrevia-me como «na realidade vegano». A verdade é que não tinha resposta, a não ser a que parecia demasiado vergonhosa para expressar: o meu desejo de comer queijo e ovos era mais forte do que o meu empenho em impedir a crueldade para com os animais e a destruição do meio ambiente.»

Uma leitura virtuosa e altamente recomendada. Comprove por si neste breve excerto:
«PONHA AS CARTAS NA MESA»
«Este livro trata dos efeitos da agro-pecuária no ambiente.
No entanto, consegui ocultá-lo nas oitenta e uma páginas precedentes. Naveguei afastado do assunto pelas mesmas razões que Gore e outros o fizeram: receio de que fosse uma cartada perdida. Evadi-me mesmo enquanto criticava Gore pela sua evasiva – nunca referi o que ele nunca refere. Sentia-me seguro, como Gore deve ter-se sentido, de que era a estratégia certa. As conversas acerca da carne, lacticínios e ovos colocam as pessoas numa posição defensiva. Deixam as pessoas irritadas. Ninguém que não seja vegano está disposto a ir por aí, e a impetuosidade dos veganos pode desencadear ainda mais rejeição. No entanto, não há esperança de enfrentarmos as alterações climáticas se não pudermos falar honestamente daquilo que as está a causar, bem como do nosso potencial, e limites para mudar. Por vezes, um punho precisa de ter a palavra «punho» escrita, pelo que o direi agora: não podemos salvar o planeta a menos que reduzamos significativamente o consumo de alimentos de origem animal.
Este livro é um argumento a favor da acção colectiva de comer de um modo diferente – em concreto, nada de alimentos de origem animal antes do jantar. Trata-se de um argumento difícil de entender, tanto porque o assunto é muito problemático como devido ao sacrifício envolvido. A maioria das pessoas gosta do aroma e do sabor da carne, dos lacticínios e dos ovos. (…)»

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