Prémio Literário José Saramago 2019

A História de um Prémio


Em 1999, um ano após a atribuição do prémio Nobel a José Saramago, a Fundação Círculo de Leitores criava um prémio para homenagear o único autor português a receber o Nobel da Literatura.

Este não era o primeiro passo da Fundação que, criada em 1995, assumiu desde o início o objetivo de «divulgar a cultura escrita e literatura portuguesa, contribuindo para o fomento dos hábitos de leitura e promoção da língua portuguesa». No currículo encontram-se iniciativas como a publicação da revista LER ou a criação das Olimpíadas da Leitura, precursoras do conceito do Plano Nacional de Leitura.

Sobre o prémio a que deu nome disse Saramago que esperava que este fosse um instrumento para a defesa da língua portuguesa.

«A Fundação Círculo de Leitores, ao criar este prémio, criou - espero eu que assim seja - um instrumento mais para a defesa da língua. É que, quando nós falamos na língua, estamos sempre a pensar na nossa língua lá fora. Quer dizer, a difusão, a promoção, os leitorados, os cursos, tudo isso lá fora. Mas há que levar em conta que a língua começa por defender-se cá dentro».

Nasceu assim o Prémio Literário José Saramago, atribuído de dois em dois anos, e que «distingue uma obra literária no domínio da ficção, romance ou novela, escrita em língua portuguesa, por escritor com idade não superior a 35 anos», com o valor pecuniário de 25.000 euros.

Ao longo destes vinte anos, foram premiadas obra de autores como Paulo José Miranda, José Luís Peixoto, Adriana Lisboa, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe, João Tordo, Andrea del Fuego, Ondjaki, Bruno Vieira Amaral e Julián Fuks.
Curiosidades sobre o Prémio Saramago
#1 O autor mais jovem a receber o prémio foi José Luís Peixoto que em 2001 viu premiada a sua obra Nenhum Olhar.
#2 Nos últimos 20 anos foram atribuídos onze prémios. Apesar de a maioria ter sido atribuída a obras de autores portugueses, contam-se três autores brasileiros e um autor angolano.
#3 A próxima edição do Prémio terá uma alteração ao regulamento o que permitirá que sejam consideradas obras de autores até 40 anos de idade à data de publicação das obras a concurso.
E o vencedor deste ano é…
Em 2019, o júri presidido por Guilhermina Gomes e do qual fizeram também parte Ana Paula Tavares, António Mega Ferreira, Nélida Piñon, Manuel Frias Martins e Pilar del Rio, atribuiu o Prémio a Afonso Reis Cabral pelo romance Pão de Açúcar.

O autor, que já tinha recebido em 2014 o prémio LEYA com O Meu Irmão, viu agora o seu segundo romance, editado em 2018, ser distinguido com um dos mais importantes prémios de língua portuguesa. O livro mais recente de Afonso Reis Cabral foi publicado este ano: um relato da viagem a pé do autor ao longo da Estrada Nacional 2 que liga Chaves a Faro.

Pão de Açúcar, o romance que lhe valeu o prémio Saramago, é uma narrativa baseada num caso real que, em 2006, abalou o país: a morte de Gisberta, uma mulher transgénero e sem-abrigo que habitava as ruas do Porto, às mãos de um grupo de rapazes com idades entre os 12 e os 15 anos. A partir deste acontecimento, o autor cria uma história que, entre a violência e a inocência, se lê como um murro no estômago.

Como notou a escritora Ana Paula Tavares, aquando da entrega do prémio: «A partir de um acontecimento verdadeiro o escritor desafia-se e desafia o leitor a novos olhares que as regras da escrita e o rigor do texto impõem. Para lá da banalidade do mal e das quietas consciências que com ele convivem, a ciência de contar aproxima do vivido e organiza de forma diferente os acontecimentos que jaziam escondidos nas notícias de jornal e nos relatórios da polícia».

Já António Mega Ferreira fez questão de destacar Pão de Açúcar como «uma das obras ficcionais portuguesas mais arrebatadoras e poderosas dos últimos anos.»

Recorde as palavras de Afonso Reis Cabral para os leitores da Wook a propósito do lançamento de Pão de Açúcar:
Afonso Reis Cabral apresenta o seu romance Pão de Açúcar
Wook dizem os nossos leitores?

«Esta não é uma história bonita, mas é uma história que precisa de ser contada. Afonso Reis Cabral tem uma forma de escrever e contar histórias única e peculiar. (…) Pão de Açúcar não é um livro leve, mas é um livro que todos deveriam ler.» Ana Almeida

«Cruel, tenso e tão incrivelmente escrito» Filipa Batista

«Um livro poderoso que nos prende do princípio ao fim.» António José Cravo

«A escrita é fluída e de fácil compreensão, trazendo com ela uma mistura de sentimentos e momentos de reflexão. Foi importante conhecer o outro lado da história contada nos artigos de jornais. Recomendo.» Carina F.

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