Poemas de Safo

17 de janeiro de 2020

A poetisa Safo nasceu na ilha de Lesbos, no séc. VII a.C. Era de família aristocrática e viveu rodeada de raparigas, numa comunidade vedada a homens, onde se cultivavam diversas artes, como a dança e a poesia. Os seus poemas de amor são frontalmente dirigidos a mulheres e foram, por isso, posteriormente considerados imorais pelos cristãos e destruídos quase na totalidade. Apenas alguns fragmentos chegaram até nós.

Nas palavras do poeta Eugénio de Andrade, que traduziu os fragmentos abaixo e o livro onde estes se inserem, os versos de Safo são “incomparáveis” e “a experiência íntima e devastadora da paixão, aliada a um sentimento muito vivo da natureza” que encontramos na sua obra não tem par em toda a poesia ocidental. Os Antigos concordam: colocaram o seu nome ao lado de Homero e chamaram-lhe Décima Musa.




III.
Se passares por Creta vem ao templo sagrado,
onde mais grato é o pomar de macieiras
e do altar sobe um perfume de incenso.

Aqui, onde a sombra é a das rosas,
no meio dos ramos escorre a água,
e no rumor das folhas vem o sono.

Aqui, no prado onde todas as flores
da primavera abrem e os cavalos pastam,
a brisa traz um aroma de mel.


Vem, Cípris, a fronte cingida, e nas taças
de oiro voluptuosamente entorna
o claro vinho e a alegria.




XXXII.
Outra vez Eros me agita o coração –
assim nos montes
o vento sacode os carvalhos.




XXXVI.
Desejo e ardo.




XLIII.
Quem é belo é belo de ver, e basta;
mas quem é bom subitamente será belo.




LXII.
Cípris, e vós Nereides, fazei com que
regresse salvo meu irmão, e tudo
quanto deseje seu coração se cumpra.

De tanto erro antigo desatai o nó;
que seja para os amigos alegria,
para os seus inimigos, inquietação,

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