Poema da semana: «Indústria», de José Alberto Oliveira

8 de fevereiro de 2018

INDÚSTRIA
Não sei ser útil, como a chuva
nas raízes das árvores,
ou o osso que o cão fareja:
já tentei – se tivesse
de dançar como uma abelha,
em frente da colmeia,
de certo erraria os passos
e indicaria um rumo estéril.

O destino, erros na transcrição
de aminoácidos, uma educação
inadvertidamente condenada
ao fracasso? Já tive
momentos de felicidade,
ignorando mãos, gestos,
propósitos. Temo que,
um dia destes, a minha
morte não sirva para nada.

José Alberto Oliveira, De Passagem

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