«Poema à Duração», de Peter Handke

Um só poema, 88 páginas.
Entre a reflexão poética e a filosófica, Handke «procura indagar em que condições o tempo foi para ele uma sensação de continuidade».

Aqui fica um breve excerto:
POEMA À DURAÇÃO

(…)
os terríveis sonhos sempre iguais,
da perda da amada,
o acto súbito e eterno de se ficar estranho um ao outro
entre dois hálitos,
a mísera sensação do regresso ao país natal
após as viagens à descoberta do mundo,
aquelas miríades de mortes antecipadas
de noite, antes do primeiro pipilar dos pássaros
a notícia diária de um atentado transmitida na rádio,
a criança diariamente atropelada no caminho da escola,
todos os dias os olhares irritados do desconhecido:
nada disto desaparece
- nunca desaparecerá, nunca há-de acabar -,
mas não tem poder de duração,
não irradia o calor da duração,
não oferece o consolo da duração.

Necessário é, porém, reconhecer:
não são também «os espantosos prodígios do momento
que produzem o que dura e torna feliz,
numa profunda sensação de serenidade».
(...)

Peter Handke, Poema à Duração

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