Os sons que se escrevem
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28 de maio de 2024
Luísa Freire é autora de poesia, de ensaio e de tradução, tendo publicado e traduzido poesia inglesa de Fernando Pessoa. O seu mais recente livro, Atravessar o Frio I – poesia inédita (2011-2017) reúne poemas 13 livros à volta da temática da voz, nas suas linguagens pictórica, poética, musical e gestual. Escolhemos a musical:
III – SONS
Sei.
Sempre soube sem saber
que o meu silêncio tem um som,
uma cor e um aroma
Uma vida inteira
para o traduzir!
♦
Erik Satie
Gymnopédies
O som hesita entre a mão e o teclado.
A mão hesita entre o som e o teclado.
O teclado espera o toque da
mão
para se abrir e desfolhar em
som
♦
Um ser invisível
subterrâneo ou submerso
levanta a sua voz que, no contacto com o ar
se desfaz em música.
Será isto a chamada «música das esferas»?
São estas partículas aéreas, sonoras,
mas imperceptíveis, que o compositor
respira (ou inspira) no mundo
e traduz em notas
pesadas de som
depois convertidas na pauta da sua escrita.
III – SONS
Sei.
Sempre soube sem saber
que o meu silêncio tem um som,
uma cor e um aroma
Uma vida inteira
para o traduzir!
♦
Erik Satie
Gymnopédies
O som hesita entre a mão e o teclado.
A mão hesita entre o som e o teclado.
O teclado espera o toque da
mão
para se abrir e desfolhar em
som
♦
Um ser invisível
subterrâneo ou submerso
levanta a sua voz que, no contacto com o ar
se desfaz em música.
Será isto a chamada «música das esferas»?
São estas partículas aéreas, sonoras,
mas imperceptíveis, que o compositor
respira (ou inspira) no mundo
e traduz em notas
pesadas de som
depois convertidas na pauta da sua escrita.
Luísa Freire, Atravessar o Rio Frio – I