«O’Neill (Alexandre), moreno português (…)»
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11 de junho de 2026
Alexandre O’Neill, foi um dos fundadores do Grupo Surrealista de Lisboa, e um dos poetas mais conceituados do século XX português.
Originalmente publicado em 1962 na grande coleção «Círculo de Poesia» da Moraes Editora, Poemas com Endereço, agora reeditado pela Assírio & Alvim, mostra-nos um O’Neill já perfeitamente consciente da sua mestria, um livro de envios para amigos. Nas palavras de Óscar Lopes na altura da primeira edição, «trata-se de uma poesia que se não quer tomar de todo a sério, num homem sem status social definido, cujo protótipo é o vate bocagiano de botequim, já desprovido de um mecenas ou arcádia que preste, e ainda sem a tribuna de apóstolo na imprensa liberal pequeno-burguesa. Tudo se passa, com efeito, como se O’Neill não acreditasse num público a ecoá-lo».
A presente edição conta com um posfácio do poeta, dramaturgo e tradutor Daniel Jonas. Revisite, ou descubra, uma obra poética que prima pela liberdade, pela voz irónica e crítica e por reinventar a língua portuguesa como a conhecemos. Neste autorretrato, o poeta apresenta-se:
AUTO-RETRATO
O’Neill (Alexandre), moreno português,
cabelo asa de corvo; da angústia da cara,
nariguete que sobrepuja de través
a ferida desdenhosa e não cicatrizada.
Se a visagem de tal sujeito é o que vês
(omita-se o olho triste e a testa iluminada)
o retrato moral também tem os seus quês
(aqui, uma pequena frase censurada…)
No amor? No amor crê (ou não fosse ele O’Neill!)
e tem a veleidade de o saber fazer
(pois amor não há feito) das maneiras mil
que são a semovente estátua do prazer.
Mas sofre de ternura, bebe demais e ri-se
do que neste soneto sobre si mesmo disse…
Originalmente publicado em 1962 na grande coleção «Círculo de Poesia» da Moraes Editora, Poemas com Endereço, agora reeditado pela Assírio & Alvim, mostra-nos um O’Neill já perfeitamente consciente da sua mestria, um livro de envios para amigos. Nas palavras de Óscar Lopes na altura da primeira edição, «trata-se de uma poesia que se não quer tomar de todo a sério, num homem sem status social definido, cujo protótipo é o vate bocagiano de botequim, já desprovido de um mecenas ou arcádia que preste, e ainda sem a tribuna de apóstolo na imprensa liberal pequeno-burguesa. Tudo se passa, com efeito, como se O’Neill não acreditasse num público a ecoá-lo».
A presente edição conta com um posfácio do poeta, dramaturgo e tradutor Daniel Jonas. Revisite, ou descubra, uma obra poética que prima pela liberdade, pela voz irónica e crítica e por reinventar a língua portuguesa como a conhecemos. Neste autorretrato, o poeta apresenta-se:
AUTO-RETRATO
O’Neill (Alexandre), moreno português,
cabelo asa de corvo; da angústia da cara,
nariguete que sobrepuja de través
a ferida desdenhosa e não cicatrizada.
Se a visagem de tal sujeito é o que vês
(omita-se o olho triste e a testa iluminada)
o retrato moral também tem os seus quês
(aqui, uma pequena frase censurada…)
No amor? No amor crê (ou não fosse ele O’Neill!)
e tem a veleidade de o saber fazer
(pois amor não há feito) das maneiras mil
que são a semovente estátua do prazer.
Mas sofre de ternura, bebe demais e ri-se
do que neste soneto sobre si mesmo disse…