O poema lido na tomada de posse de Joe Biden
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17 de janeiro de 2020
O dia em que Joe Biden tomou posse foi também o dia em que Amanda Gorman recordou ao mundo o poder da poesia. Quando a jovem “Negra magricela”, para usar as suas próprias palavras, descendente de escravos e filha de mãe solteira, ativista e licenciada em Harvard, subiu ao palco para declamar “A Colina Que Subimos”, trouxe-nos esperança e fez-nos voltar a acreditar.
Como a esperança é algo de que precisamos todos os dias e não só quando um novo presidente é eleito, partilhamos consigo alguns excertos do poema da jovem norte-americana, para que possa relê-los quando (o mundo) mais precisar.
A COLINA QUE SUBIMOS
Onde podemos encontrar luz
Nesta sombra infinita?
A perda que carregamos, um mar que temos de atravessar.
(…)
E, no entanto, a aurora é nossa antes de o sabermos.
De alguma forma conseguimos.
De alguma forma resistimos e testemunhámos
Uma nação que não está quebrada, apenas
inacabada.
Nós, os sucessores de um país e de um tempo
Em que uma jovem Negra magricela,
Descendente de escravos e criada por uma
mãe solteira,
Pode sonhar ser presidente,
E, logo, ver-se a declamar para um.
(…)
Para compor um país comprometido
Com todas as culturas, cores, caracteres,
E condições humanas.
Levantamos, pois, o nosso olhar
Não para o que está entre nós,
Mas para o que está perante nós.
Fechamos o fosso,
Porque sabemos que para pôr
O futuro primeiro, primeiro temos de
Pôr as diferenças de lado.
(…)
E se antes perguntávamos: Como poderíamos
vencer a catástrofe?
Agora dizemos: Como poderia a catástrofe
alguma vez vencer-nos?