Novos autores

Baseado em acontecimentos reais, vividos pela autora durante as viagens que fez ao Bangladesh, «A última viagem» conta a história da luta de Maria Eduarda pela construção de um hospital pediátrico em Daca. Estivemos à conversa com Inês Pinheiro a propósito do seu romance de estreia.
Visita pela primeira vez o Bangladesh em trabalho e em regime de hotel de 5 estrelas. Um ano mais tarde regressa, dessa vez com um projeto de voluntariado. Três anos depois começa a escrever A Última Viagem. Wook a motivou a escrever este livro?
Quando regressei a casa, depois da segunda viagem ao Bangladesh, vinha cheia de emoções confusas, tinha tanto para contar, mas não conseguia. Escrever sobre o que vi e vivi esteve sempre em cima da mesa, só precisei deixar todos os sentimentos tomarem os seus lugares e decidir sobre a forma de os deixar fluir. É importante que todos tenham consciência de tudo o que acontece com as pessoas naquele país, ou em outros análogos, onde os direitos humanos não sejam respeitados. Não há formas milagrosas de ajudar quem lá está, ninguém pode ter essa ilusão. Mas acredito que aos poucos, e com pouco, podemos ser o veículo de mudança na vida de alguém. Uma pessoa que seja, e já valeu a pena.
Entrevista a Inês Pinheiro
Inês Pinheiro
Livro Coolbooks Inês Pinheiro
A última viagem livro
A última viagem Inês Pinheiro
Qual foi a sua rotina de escrita durante esse processo?
Levei 1 ano para escrever o livro. Tive a sorte de poder dedicar-me por inteiro a este projeto durante todo o período. Escrevia quase 8 horas por dia, cheguei a demorar 3 horas para escrever um parágrafo. Acordava cedo, e começava a escrever logo depois da minha corrida matinal. Foi um processo catártico e difícil, mas ao mesmo tempo libertador e tranquilo. Era como, de certa forma, estivesse a cumprir o meu dever.

Pense numa pessoa. Wook diria essa pessoa sobre o livro, A Última Viagem?
Que a emocionou.

No Bangladesh descobriu, citando as suas palavras, “pobreza extrema e sofrimento sem sentido”. Wook vão os leitores descobrir no seu livro?
A leitura é muito pessoal, o estado de espírito do leitor vai ser meio caminho andado na forma como irá absorver o que vai encontrar no livro. Os sentimentos vão variar entre a revolta, a indignação, o medo talvez, algum desassossego, mas também a esperança, a fé, o sonho…

Considera que escrever é uma forma de ativismo? De que maneira?
Claro, sem qualquer dúvida. Quando o escritor apresenta um olhar novo sobre um assunto, ou fala sobre algo desconhecido, há uma sempre a probabilidade de se abrir uma brecha no leitor. Uma nova abordagem que o faça inquietar-se. E este abalo, assim como em todos os processos de crise, pode ser o início de algo maravilhoso.

Sabemos que o seu livro se baseia em factos verídicos. Também se inspirou em alguém da vida real para criar as personagens?
Algumas personagens são reais. A maioria as crianças que encontrei em Daca.

Sente que algo está a mudar na sua escrita desde que publicou o primeiro romance?
Todos os dias.

São sempre as pessoas que te fazem voltar”, diz Julieta, uma das personagens do livro. Como é hoje, após A Última Viagem, a sua relação com Bangladesh e com as pessoas que por lá conheceu?
Mantenho contacto com algumas crianças mais crescidas agora, e com alguns adultos que faziam parte da equipa da fundação. É um contacto distante, no entanto. Sei que estão bem, dentro dos limites que lhe é permitido.

Escrever: é um processo partilhado ou solitário?
É um processo muito íntimo, mas não lhe chamaria solitário. Nunca me senti sozinha enquanto escrevia, as personagens estavam tão presentes que era como se vivessem ali comigo. E se havia algum dia que não escrevesse, sentia que a vida delas estava em espera. Era curioso esta ligação tão (quase) real ao imaginário.

Escrever: dá energia ou tira energia?
Leva-me muita. Mas no final de cada dia sinto-me cheia dela outra vez.

Se tivesse um superpoder, qual seria?
O poder da cura.

Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
Gabriel García Márquez, sem pensar duas vezes.

Livro e escrita à parte, quais são as suas outras paixões?
Viajar, correr, comer, ler.

Wook gostaria de ler sobre si?
A Inês Pinheiro deu o seu melhor.

Projetos para o futuro?
Nova viagem. Novo livro.

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