LIVROS PARA LER NUM SÓ DIA

O que ler quando falta tempo
17 de janeiro de 2020
Se atualmente tem muito que fazer ou pouca paciência para enredos longos, estes livros são ideais para si: histórias curtas, que se leem num dia, quase de um fôlego. Na fila da padaria, na sala de espera do dentista, no metro ou no autocarro, ou, ainda melhor, em casa, enquanto espera que o esparguete coza, que a máquina acabe de lavar a roupa ou – felicidade suprema! – enroscado no sofá. Mesmo que queira saboreá-los mais devagar, com o fim-de-semana à porta pode sempre esticar um pouco a leitura (nós não contamos a ninguém).

 
DESVIO
Se é daquelas pessoas que à partida torce o nariz à banda desenhada, este livro é o Desvio perfeito das suas leituras habituais e vai finalmente abrir-lhe as portas para o maravilhoso mundo das novelas gráficas.
Bernardo P. Carvalho, o ilustrador, tem recebido prémios nessa área um pouco por todo o mundo. Ana Pessoa é uma das autoras mais criativas da sua geração, explorando de forma consistente a simbiose entre texto e imagem.
Mas, afinal, de que trata o livro? Miguel, 18 anos, entre o Instagram e as rotinas domésticas, passa o Verão sozinho em casa: os pais e os amigos foram de férias, a namorada pediu-lhe “um tempo”. E agora, entre um cigarro e outro, que fazer? É isto a vida adulta?
Na aparente banalidade do quotidiano, este Desvio é sobre aqueles momentos em que, independentemente da idade, atingimos um impasse e deixamos a vida em lume brando.
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O MEU NOME É LUCY BARTON
Elizabeth Strout recebeu o Pulitzer, foi finalista dos prémios PEN/Faulkner e Orange, além de ser considerada de forma consensual uma das vozes mais interessantes da atual literatura norte-americana.
Neste romance, a heroína do título, Lucy Barton, está internada no hospital, na sequência de uma cirurgia, longe do marido (com quem a relação parece vacilar) e das filhas, de quem sente profundamente a falta.
Até que é surpreendida pela visita da mãe, que não via há anos, o que vem reacender memórias de uma infância de pobreza, abuso e exclusão, mas trazer talvez, também, a possibilidade não apenas de reconciliação, mas de cura.
Escrito de forma visceral e comovente, sem qualquer tipo de sentimentalismo, este é um livro sobre as relações entre mães e filhas, as distâncias por vezes insuperáveis entre pessoas que deveriam ser próximas e o peso dos mal-entendidos ou do que ficou por dizer.
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BARTLEBY
Se ultimamente tem tendência para procrastinar e adiar tarefas o mais possível, o mais certo é sofrer da síndrome de Bartleby.
Com apenas 96 páginas, este peso-pluma é da autoria de um autêntico peso-pesado da literatura mundial, Melville. Narra a história de um jovem escrivão, Bartleby, contratado por um advogado para trabalhar num escritório em Wall Street.
Inicialmente Bartleby parece ser um ótimo funcionário, escrevendo incansavelmente dia e noite, mesmo à luz de velas. Mas quando é chamado pelo seu superior para examinar um documento, responde, com uma calma desarmante, que «preferia não o fazer». Ficou curioso para saber mais? Vai ter mesmo de ler o livro.
Mas podemos adiantar desde já que este texto se tornou de tal forma icónico, que o escritor catalão Enrique Vilas-Matas, inpirado por esta personagem, escreveu também ele um livro sobre a pulsão do não, justamente intitulado Bartleby & Companhia.
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A NOIVA DO TRADUTOR
João Reis, que acaba de publicar um novo livro, Se Com Pétalas ou Ossos, tem vindo a afirmar-se como um dos autores mais interessantes da literatura portuguesa atual.
A Noiva do Tradutor é o seu primeiro romance e nele ressoam referências a Dostoiévski (sobretudo na figura do neurasténico estudante Raskólnikov, de Crime e Castigo). Relata um dia na vida de um tradutor à beira do desespero: depois de num curto espaço de tempo se ter visto privado da noiva e do chapéu, o protagonista entra num elétrico, a caminho de casa, mas tudo à sua volta lhe parece mesquinho e abominável: a cidade suja, as pessoas grotescas com quem convive na pensão onde vive, a senhoria e os seus guisados, os editores gananciosos e os escritores frívolos e ridículos.
Sozinho e confuso, apercebe-se de que chegou o derradeiro momento de encontrar uma saída, algo que o afaste para sempre desse mundo que despreza.
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