Jeff Kinney: «Demorei oito anos a escrever o primeiro rascunho»

Um banana que de banana não tem nada.

Jeff Kinney (Maryland, EUA, 1971) acalentava o sonho de ser cartoonista num jornal até que fez o desenho que lhe mudou a vida, Greg Heffley. Depois, deu-lhe voz: começou uma coleção que se tornou um fenómeno de vendas em todo o mundo infantojuvenil, mas – pasme-se – nem sequer era para crianças.

Contando as peripécias de Greg, um herói improvável, e admitindo desde logo que «ser criança não é nada fácil», O Diário de um Banana demorou muitos anos a ver a luz do dia. Agora, vai no 14º volume e está traduzido em 65 países.

Nesta entrevista exclusiva o autor revelou-nos factos muito curiosos sobre a sua vida e o longo caminho por que passou até alcançar este sucesso (praticamente) sem paralelo.

Fique para ler.
Jeff Kinney
Jeff Kinney foi eleito uma das 100 personalidades mais influentes do mundo pela revista TIME
«EU AINDA ESCREVO PARA ADULTOS»
Lembra-se de onde estava quando a ideia para O Diário de Um Banana surgiu na sua cabeça?
Sim! Janeiro de 1998, estava num apartamento pequeno em Massachusetts.
Tentei trabalhar como cartoonista de um jornal durante três anos e estava preparado para desistir. Depois, tive esta ideia e comecei de imediato a trabalhar nela. Demorei oito anos para escrever o primeiro rascunho.

Uma vez disse que a sua ideia inicial com O Diário de um Banana era escrever um livro nostálgico... para adultos. Quando percebeu quem era realmente o seu público-alvo, mudou alguma coisa na sua forma de escrita?
Não mudou nada! Ainda escrevo para aquele adulto imaginário. De vez em quando, penso: «Talvez as crianças gostem desta piada». Aí, é quando sei que me afastei do caminho. Mesmo que o meu público seja infantil, eu ainda escrevo para adultos.

Gosta mais de escrever ou de desenhar?
Ambos são muito difíceis para mim! Eu luto para escrever. Escrever não é algo que simplesmente flua. E luto com o desenho por um motivo diferente. Tenho de fazer todo o desenho num curto espaço de tempo. Passo 16 horas por dia na minha secretária durante cerca de seis semanas.

Consegue escrever e desenhar em movimento, em viagem? Ou precisa de estar em casa, na sua secretária, totalmente sereno?
Consigo fazer esboços em movimento. Tenho um iPad e um Apple Pencil que me permite desenhar em qualquer lugar. Mas quando chego à tinta, é diferente. Desenho num tablet muito grande e uso um aplicativo diferente do que utilizo para esboços. Posso falar e ouvir audiolivros enquanto desenho. Não posso fazê-lo enquanto escrevo.

Se o Greg fosse seu filho, que conselho lhe daria?
Eu compreenderia o Greg se ele fosse meu filho. Dar-lhe-ia algumas orientações, mas também ficaria orgulhoso por ele falhar e tentar crescer a partir dele próprio.

Greg vai crescer?
Não! Ele é uma personagem de desenho animado e, por isso, não pode mudar. As melhores personagens de cartoon nunca mudam, mesmo que já estejam connosco há décadas.

Depois de tantas histórias e aventuras, o Greg ainda tem algo de novo para dizer?
Estou sempre à procura de um novo aspeto da infância para explorar. É um universo enorme!

O Diário de um Banana – Um Miúdo Incrível oferece aos leitores uma nova perspetiva sobre o mundo do Banana. Como foi essa experiência?
Foi muito divertido para mim, enquanto escritor. O Rowley é a minha personagem favorita e estava na hora de lhe dar os holofotes. É um miúdo inocente e puro, não tem pressa de crescer. Gosto muito disso.

As pessoas usam e abusam da palavra «relevante. Um livro deve ser relevante?
Acho muito difícil ser-se bem-sucedido como escritor. Portanto, se tu tens algo que toca os leitores, suponho que o teu trabalho seja relevante - pelo menos, durante algum tempo. Mas a janela geralmente é pequena. Sinto-me com sorte por ter criado algo que ressoa junto das crianças. Não sei se isso o torna relevante, mas parece estar a resultar.

Qual foi o último livro que leu?
Um livro chamado Range: Why Generalists Triumphe a Specialized World. Gosto de livros que desafiam o pensamento e me ajudam a tornar uma pessoa melhor.

Quais eram os seus livros favoritos quando era criança?
Adorava ficção bem-humorada e realista de autores como Judy Blume, e gostava de livros de fantasia, de J.R.R. Tolkien.

De todos os livros que existem, qual gostaria de ter escrito?
Save the Cat, de Blake Edwards. Descodifica como são feitos os filmes.

Wook está na sua mesinha-de-cabeceira?
The Life-Changing Magic Of Tidying, de Marie Kondo.

Descreva-nos um dia perfeito.
Tive um há pouco tempo! Começa com uma caminhada matinal com a minha mulher, seguida de um almoço e jantar com os meus filhos. Depois, um filme. Em New Hampshire, nas montanhas.

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