Final Cut, um mergulho hipnótico no imaginário de Charles Burns
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9 de abril de 2026
Quando eram miúdos, Brian e Jimmy passavam horas a transformar o jardim de casa num planeta distante. Improvisavam naves espaciais com caixas de cartão, recrutavam amigos para morrerem de forma melodramática diante da câmara e usavam batom vermelho para simular sangue extraterrestre. Aqueles filmes toscos eram o primeiro ensaio de algo maior — uma tentativa inocente de dar forma aos mundos que fervilhavam nas suas cabeças.
No presente, já um artista de comprovado talento e com uma ambição mais séria por uma carreira de cineasta, Brian decide voltar a esse impulso inicial. Com Jimmy, Tina e Laurie — que aceita participar mais por curiosidade do que por entusiasmo — isola-se numa cabana perdida na floresta, levando apenas uma velha câmara de 8 mm e a vontade de fazer um verdadeiro filme de terror. A ideia é simples: recriar, à sua maneira, o clima paranoico de Invasion of the Body Snatchers, o seu filme preferido, uma obra marcante de ficção científica e terror psicológico.
Mas o que começa como um projeto de amigos, rapidamente se torna algo mais íntimo e tenso. Quando conhece Laurie — carismática, curiosa, com um olhar que parece ver mais do que ele gostaria — algo muda. Ela entra no seu filme, mas também entra na sua cabeça, e é aí que a história verdadeiramente começa: no ponto em que a criação artística se mistura com o desejo e o medo de não ser suficiente.
No presente, já um artista de comprovado talento e com uma ambição mais séria por uma carreira de cineasta, Brian decide voltar a esse impulso inicial. Com Jimmy, Tina e Laurie — que aceita participar mais por curiosidade do que por entusiasmo — isola-se numa cabana perdida na floresta, levando apenas uma velha câmara de 8 mm e a vontade de fazer um verdadeiro filme de terror. A ideia é simples: recriar, à sua maneira, o clima paranoico de Invasion of the Body Snatchers, o seu filme preferido, uma obra marcante de ficção científica e terror psicológico.
Mas o que começa como um projeto de amigos, rapidamente se torna algo mais íntimo e tenso. Quando conhece Laurie — carismática, curiosa, com um olhar que parece ver mais do que ele gostaria — algo muda. Ela entra no seu filme, mas também entra na sua cabeça, e é aí que a história verdadeiramente começa: no ponto em que a criação artística se mistura com o desejo e o medo de não ser suficiente.
Brian passa a projetar em Laurie uma versão idealizada — uma heroína vulnerável que ele, na sua fantasia, poderá salvar. A fronteira entre o que está a filmar e o que deseja vai desvanecendo, e a câmara torna-se um espelho distorcido onde ele tenta capturar aquilo que não consegue alcançar na vida real.
Artista multipremiado e com obras tão icónicas como a série Black Hole e a trilogia X’ed Out, Charles Burns mistura, neste novíssimo e arrebatador Final Cut, o quotidiano com o bizarro, o emocional com o onírico. As páginas oscilam entre a floresta real — húmida, densa, cheia de sombras — e os cenários que se forma na mente de Brian, povoada por criaturas impossíveis e símbolos inquietantes. A narrativa nunca diz explicitamente onde termina o sonho e começa a realidade, porque para Brian essas fronteiras já não existem. A riqueza visual do livro, com elementos da Natureza, do cinema clássico, do terror e do subconsciente, reforça essa ambiguidade. Como autor do argumento e das ilustrações, Burns cria uma ligação absoluta entre texto e imagem – cada gesto narrativo tem o seu eco visual.
Mais do que uma história sobre o processo de fazer um filme, Final Cut debruça-se sobre o desejo, a insegurança, a memória e o impulso quase desesperado de criar, sob a forma de arte, algo que nos explique a nós próprios.
Artista multipremiado e com obras tão icónicas como a série Black Hole e a trilogia X’ed Out, Charles Burns mistura, neste novíssimo e arrebatador Final Cut, o quotidiano com o bizarro, o emocional com o onírico. As páginas oscilam entre a floresta real — húmida, densa, cheia de sombras — e os cenários que se forma na mente de Brian, povoada por criaturas impossíveis e símbolos inquietantes. A narrativa nunca diz explicitamente onde termina o sonho e começa a realidade, porque para Brian essas fronteiras já não existem. A riqueza visual do livro, com elementos da Natureza, do cinema clássico, do terror e do subconsciente, reforça essa ambiguidade. Como autor do argumento e das ilustrações, Burns cria uma ligação absoluta entre texto e imagem – cada gesto narrativo tem o seu eco visual.
Mais do que uma história sobre o processo de fazer um filme, Final Cut debruça-se sobre o desejo, a insegurança, a memória e o impulso quase desesperado de criar, sob a forma de arte, algo que nos explique a nós próprios.