Há 50 anos sem Almada, o iconoclasta

José Sobral de Almada Negreiros morreu há 50 anos, a 15 de julho de 1970.
José de Almada Negreiros é uma figura ímpar do panorama artístico português
Ninguém se apresentará melhor a si próprio do que Almada (1893-1970) assinando o seu célebre Manifesto Anti-Dantas com «José de Almada Negreiros poeta de Orpheu, futurista e tudo». E se «tudo» pode parecer exagerado, no caso de Almada é no mínimo certeiro.

A par de Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, Almada notabilizou-se como uma das figuras mais importantes do modernismo português não só nas letras, mas também nas artes plásticas.
«Nós não somos do século d’ inventar as palavras. As palavras já foram inventadas. Nós somos do século d’ inventar outra vez as palavras que já foram inventadas», em A Invenção do Dia Claro (1921)
Foi pintor, poeta, conferencista, ator, bailarino, figurinista, editor de várias revistas, ilustrador em alguns dos mais importantes jornais do século XX português, trabalhou em publicidade – chegando mesmo a integrar o departamento de publicidade da Paramount Pictures – viveu em Paris e em Madrid.
Em Almada, «isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir, mas sim uma maneira de ser.»

E essa maneira de ser marcou de forma indiscutível a cultura portuguesa. O retrato de Fernando Pessoa à mesa da Brasileira faz parte do imaginário coletivo e muitos são os portugueses que, em Lisboa, se cruzam diariamente com Almada seja à entrada da Universidade, nas estações de metro, em igrejas ou no imenso painel na entrado do edifício da Fundação Calouste Gulbenkian, a sua última obra.

Na literatura publicou poemas, peças de teatro, conferências, manifestos e ficção. Nos seus textos, como assinalou Jorge de Sena, Almada «redescobriu inteligentemente a ingenuidade» convidando continuamente o leitor a olhar o mundo com deslumbramento. Afinal «não há criatura humana que neste mundo não tenha nas suas reservas pessoais as probabilidades de realizar em si próprio o poeta».
LIVROS ESSENCIAIS
A INVENÇÃO DO DIA CLARO
Inicialmente apresentado como conferência, A Invenção do Dia Claro é um texto fascinante misto de monólogo teatral, ensaio e poema em prosa. Como lembra Almada: «Cada palavra é um pedaço do universo. Um pedaço que falta ao universo. Todas as palavras juntas formam o Universo.» Aqui numa edição fac-similada que inclui os desenhos do autor.
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NOME DE GUERRA
A história de Luís Antunes, um jovem provinciano enviado para Lisboa para aprender ser educado “nas provas masculinas” onde conhece e se apaixona por Judite, uma meretriz. A partir da relação entre Antunes e Judite nasce um romance de iniciação repleto de pormenores prodigiosos a começar pelos títulos de cada capítulo onde encontramos pérolas como: «Os palermas que não percebem nada da vida são piores que os malandros».
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MANIFESTOS
Parte da coleção Almada Breve, este volume inclui quatro manifestos assinados por Almada Negreiros, entre eles o famoso (e divertidíssimo) «Manifesto Anti-Dantas» e a «1.ª Conferência Futurista». Um conjunto de textos essenciais para compreender o modernismo português e que revelam o lado mais interventivo e vanguardista de Almada Negreiros.
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