Filipa Maló Franco: «Gostava de mudar mentalidades»

Conversámos com Filipa Maló Franco, a autora de «Terra Maya», um blogue de sucesso criado em Março de 2017, que acabou por originar um livro com o mesmo nome.
A menina que nos entrava casa adentro com a série «Super Pai» tem hoje 26 anos, estuda Psicologia Clínica e propõe que nos reconectemos com aquilo que verdadeiramente importa.
Fale-nos sobre o seu livro «Terra Maya». Como surgiu a ideia de o escrever?
Na verdade quando criei o blog, escrever um livro não estava nos meus planos. Felizmente fizeram-me uma proposta para o escrever e pensei em partilhar sobre o grande propósito para ter criado um blog: partilhar um pouco de mim, do meu estilo de vida e das mudanças que me levaram a um maior bem estar.
Filipa Maló Franco
Filipa Maló Franco
Como tal - e porque somos o ser holístico -, abordo a importância de cuidarmos do nosso corpo, mente e explorarmos a nossa espiritualidade. Falo da minha verdade, daquilo que resultou comigo e de todas as mudanças que me fizeram mais feliz.

Quais as principais diferenças que notou na sua vida assim que adotou um estilo de vida saudável?
Um maior bem-estar, tranquilidade e conexão comigo, com o outro e com o mundo.
         

«As 24h não chegam para fazer tudo aquilo que queríamos e, por isso, é importante definir prioridades.»


Em «Terra Maya» encontrámos um convite a conectarmo-nos connosco e com aquilo que nos rodeia. O que senti quando o li foi um grande foco na questão do stress. Viver sem stress é mesmo possível?
Não, nem seria saudável. Tal como falo no livro, existe o “bom” stress e o “mau” stress, sendo que o stress, na sua origem, é algo que nos permite reagir, ser produtivos, motivados, entre muitas outras coisas. O problema está quando o stress é constante, sem controlo e associado a emoções de valência emocional negativa. Esse stress em excesso, sim deve ser controlado sempre que possível.

Nomeie cinco hábitos diários de que não abdica.
Prefiro falar de uma rotina diária que não abdico, isto porque, quando me é possível claro que gostaria de praticar yoga, meditação, exercício físico, dormir bem e ter uma alimentação saudável todos os dias, mas nem sempre é possível. Antes de mais, quero que toda a mensagem do Terra Maya - seja blog ou livro -, seja real, e a realidade é que por vezes, 24h não chegam para fazer tudo aquilo que queríamos. E por isso, é importante definir prioridades sendo que por vezes tenho de abdicar de uma ou duas destas coisas que mencionei, todos os dias. O que não abdico mesmo é a minha rotina matinal, que me permite começar o dia tranquilamente e com boa energia.

Aceitar aquilo que somos é fundamental?
Sem dúvida. Aquilo que somos, que sentimos, que pensamos, aceitar que não vamos estar sempre bem, que temos emoções positivas e negativas e aceitar que a perfeição é utópica. Somos “perfeitos” em todas as nossas imperfeições.

Mesmo que aquilo que somos não seja o ideal ou o que gostaríamos?
A questão que coloco é a seguinte: o que é o ideal?
Acho que é importante sermos fiéis a nós mesmos, parar a busca do que é a norma e encontrar a nossa fórmula relacionada com um maior bem-estar. Defendo que é importante querermos ser sempre melhores e que devemos querer sempre o melhor para nós, para o outro e para o mundo. A forma como o fazemos, é que varia. Dou como exemplo o Ioga: hoje em dia o ioga está sujeito a um grande hype, considerado “um ideal”. Contudo, pode não ser um ideal para ti, para alguém que conheces e não há problema nenhum nisso. Encontra o teu caminho e sê feliz.

«Uma atitude positiva pode levar-nos mais longe.» Quais foram os três pensamentos positivos que teve hoje?
Sinceramente hoje ainda não tive três pensamentos positivos porque ainda são 10:30h da manhã. Porém, pensando nisso, quando acordei estava a chover e fiquei feliz, porque penso que a nossa Terra já estava a precisar disso. Acho que não devemos “mecanizar” tudo. Termos uma perspectiva mais positiva é necessário de acordo com aquilo que funcionou comigo: ver o copo meio cheio em vez de meio vazio. Mas não acho que devamos mecanizar no sentido de ter todos os dias um determinado número de pensamentos positivos, ou de abolir da nossa vida tudo o que é negativo, até porque a vida é tudo isso: o bom, o mau e o contínuo crescimento para sermos melhores.

Que experiências na sua vida lhe trazem conforto?
Tantas. Tudo aquilo que transmito no livro me traz conforto, as minhas relações mais próximas, voluntariado, o meu trabalho e o meu caminho de autodescoberta.

A alimentação é uma componente crucial para uma vida equilibrada. De todas as receitas do seu livro, quais são as três que elege?
Vou escolher as mais saborosas para mim: mousse de chocolate (p. 222); penne <3 tomate (p. 194); sopa de abóbora e curcuma (p. 212).

O último livro que comprou.
Perturbações do Neurodesenvolvimento, de Cláudia Bandeira de Lima.

O último que leu.
Para onde quer que vás, aí estarás, de Zon Kabat-Zinn.

Se tivesse um superpoder, qual seria?
Mudar mentalidades. Acho que o planeta precisava disso agora...

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