Escola ou Universidade?
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@literacidades
12 de setembro de 2022
E, num instante, o ano letivo bate à porta… Parece que foi ontem que estávamos a dar sugestões de livros para pôr na mala de viagem e, quando demos por ela, já as aulas estão aí ao virar da esquina e estamos a sugerir livros para pôr na mochila da escola. Estas histórias têm o ambiente escolar ou universitário como cenário principal, mas não nos falam propriamente de aulas.
Pardalita
Será esta uma das histórias mais ternas que já lemos? Joana Estrela traz-nos uma novela gráfica que conta a história de Raquel, uma adolescente deslumbrada com a beleza de Pardalita, uma colega sua da escola onde ambas estudam. Esta história de amor em ambiente escolar vai desenvolver-se calmamente. Raquel observa a sua amada e surpreende-se com cada aproximação desta, como se não acreditasse que era possível que lhe prestasse atenção. Mas a verdade é que ambas começam a relacionar-se mais proximamente, primeiro na escola e depois num grupo de teatro para o qual Raquel é convidada.
Esta é uma história extremamente bela e contada de uma forma muito íntima. Conseguimos estar com Raquel nas suas hesitações e nos seus problemas de adolescente. Pequenos grandes problemas que a uma dada idade nos parecem a todos inultrapassáveis. E quem não teve um amor assim? Daqueles em que praticamente só conhecíamos de vista o objeto da nossa paixão, em que esperávamos pela campainha do intervalo para ter um leve vislumbre da sua silhueta a passar por nós. Nestes amores, cada pormenor torna-se relevante, cada gesto fruto de mil interpretações. Na maior parte das vezes, para os adolescentes LGBTQIA+, a distância é difícil de encurtar, mercê do preconceito, do medo, do julgamento (tão importante nestas idades) com que a adolescência é tantas vezes roubada. Em Pardalita temos uma história de amor em que a distância se vai tornando pequenina, culminando num final que nos deixa a sonhar com estes perfeitos amores.
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Esta é uma história extremamente bela e contada de uma forma muito íntima. Conseguimos estar com Raquel nas suas hesitações e nos seus problemas de adolescente. Pequenos grandes problemas que a uma dada idade nos parecem a todos inultrapassáveis. E quem não teve um amor assim? Daqueles em que praticamente só conhecíamos de vista o objeto da nossa paixão, em que esperávamos pela campainha do intervalo para ter um leve vislumbre da sua silhueta a passar por nós. Nestes amores, cada pormenor torna-se relevante, cada gesto fruto de mil interpretações. Na maior parte das vezes, para os adolescentes LGBTQIA+, a distância é difícil de encurtar, mercê do preconceito, do medo, do julgamento (tão importante nestas idades) com que a adolescência é tantas vezes roubada. Em Pardalita temos uma história de amor em que a distância se vai tornando pequenina, culminando num final que nos deixa a sonhar com estes perfeitos amores.
Stoner
Uma doçura sem par. Talvez seja esta a expressão que melhor define Stoner, personagem principal do livro. Este é um romance sobre a vida de um homem normal, um tanto raro de acontecer. Um homem sem nada de extraordinário ou heróico mas que sem querer ganha o nosso afeto, a nossa dedicação. Não se pense, no entanto, que este é um livro morno: a repulsa aos comportamentos de Edith, a sedução de Stoner pelas letras, os retratos tão íntimos de situações da vida real, trazem-nos sensações fortes e principalmente deixam muito espaço à imaginação.
Stoner surpreende pela linha narrativa coesa, pela crescente empatia que vamos ganhando com a personagem, pela vontade com que se fica de que fosse possível alterar algumas decisões na vida. Um homem, um professor a quem nunca é devidamente reconhecido o valor numa academia onde, tal como em tantos outros lugares, imperam os egos, os conluios e as traições. A Stoner é-lhe retirado quase tudo, fazendo com que nos sintamos profundamente tristes pelo rumo que toma a personagem. O livro retrará particularmente bem os meandros da vida universitária, sob o ponto de vista de um professor, a quem lhe é constantemente pedido que abdique dos seus princípios para favorecer alunos e ceder a interesses que em muito ultrapassam a honestidade que deveria sempre pautar a vida dentro de uma universidade.
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Stoner surpreende pela linha narrativa coesa, pela crescente empatia que vamos ganhando com a personagem, pela vontade com que se fica de que fosse possível alterar algumas decisões na vida. Um homem, um professor a quem nunca é devidamente reconhecido o valor numa academia onde, tal como em tantos outros lugares, imperam os egos, os conluios e as traições. A Stoner é-lhe retirado quase tudo, fazendo com que nos sintamos profundamente tristes pelo rumo que toma a personagem. O livro retrará particularmente bem os meandros da vida universitária, sob o ponto de vista de um professor, a quem lhe é constantemente pedido que abdique dos seus princípios para favorecer alunos e ceder a interesses que em muito ultrapassam a honestidade que deveria sempre pautar a vida dentro de uma universidade.
A Química dos Nossos Corações
Um facto bem estabelecido nisto dos amores de escola, é que nunca estamos a contar quando a paixão bate à porta. Será o ambiente escolar propício aos amores? Será porque estamos precisamente na idade de nos apaixonarmos perdidamente? Henry Page estava decidido a não se deixar levar tão cedo por paixões. Acreditava mesmo, não obstante considerar-se um romântico, que não era para ele, isto de se viver momentos intensos, em que tudo deixa de existir e em que a nossa atenção está concentrada numa única pessoa. Pode cair o mundo, podem desabar civilizações que, em certos momentos na vida, tudo parece menos importante do que um simples gesto da pessoa amada.
Grace Town, a sua nova colega de escola, vai dar-lhe cabo dos planos. A rapariga destaca-se das outras pela forma descontraída como se veste e pelos seus hábitos peculiares. Digamos que não transparece um grande gosto pela higiene e a bengala que utiliza também não a torna particularmente sexy. Mas o amor é assim mesmo e quando a reação química se dá, o melhor é esquecer e deixar a maré arrastar-se até à nossa praia. Henry e Grace são chamados a coordenar o jornal escolar e, então, após um primeiro momento de relutância, o amor acontece. A vivência deste amor tão inesperado vai ter a vantagem de fazer o nosso jovem herói questionar-se quanto às suas certezas e ao rumo que a vida pode tomar em tão tenra idade.
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Grace Town, a sua nova colega de escola, vai dar-lhe cabo dos planos. A rapariga destaca-se das outras pela forma descontraída como se veste e pelos seus hábitos peculiares. Digamos que não transparece um grande gosto pela higiene e a bengala que utiliza também não a torna particularmente sexy. Mas o amor é assim mesmo e quando a reação química se dá, o melhor é esquecer e deixar a maré arrastar-se até à nossa praia. Henry e Grace são chamados a coordenar o jornal escolar e, então, após um primeiro momento de relutância, o amor acontece. A vivência deste amor tão inesperado vai ter a vantagem de fazer o nosso jovem herói questionar-se quanto às suas certezas e ao rumo que a vida pode tomar em tão tenra idade.
História de Quem vai e de Quem Fica
Se nos primeiros volumes da tetralogia napolitana foi Lila quem teve o protagonismo, neste terceiro volume Lenù assume um papel fundamental como mulher na proa da sua vida, afastando-se, aparentemente, da relação de intensa dependência que tem da sua amiga de infância, inserida num meio universitário rico em debates e novas ideias. Se há livro que mostra uma personagem a viver a universidade além das aulas, é este mesmo.
O livro começa com Lenù envolvida em debates académicos sobre o feminismo, o comunismo e as políticas sociais de Itália, num período de grande indefinição que o país vivia, a todos os níveis. Antes de se casar com Pietro, Lenù passa por várias tertúlias que acabam sempre em acaloradas discussões. Com isto, a personagem liberta-se ainda mais do bairro, tornando-se uma jovem ocupada com assuntos intelectuais. No entanto, a sua vida vai passar por uma mudança e a Lenù escritora, contestatária, passa a ter um papel cada vez mais dedicado ao lar e às suas filhas e marido, algo que a leva a questionar se realmente é isso que quer para o seu futuro. São determinantes várias visitas que recebe na sua casa em Florença, sendo uma delas fulcral ao ponto de provocar uma alteração de base na personagem. Depois de um início um pouco denso, muito politizado, o livro avança para momentos muito importantes no crescimento das personagens enquanto mulheres e no seu lugar na sociedade italiana da altura.
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O livro começa com Lenù envolvida em debates académicos sobre o feminismo, o comunismo e as políticas sociais de Itália, num período de grande indefinição que o país vivia, a todos os níveis. Antes de se casar com Pietro, Lenù passa por várias tertúlias que acabam sempre em acaloradas discussões. Com isto, a personagem liberta-se ainda mais do bairro, tornando-se uma jovem ocupada com assuntos intelectuais. No entanto, a sua vida vai passar por uma mudança e a Lenù escritora, contestatária, passa a ter um papel cada vez mais dedicado ao lar e às suas filhas e marido, algo que a leva a questionar se realmente é isso que quer para o seu futuro. São determinantes várias visitas que recebe na sua casa em Florença, sendo uma delas fulcral ao ponto de provocar uma alteração de base na personagem. Depois de um início um pouco denso, muito politizado, o livro avança para momentos muito importantes no crescimento das personagens enquanto mulheres e no seu lugar na sociedade italiana da altura.