Entrevista a Sérgio Godinho

Fomos conversar com uma das vozes maiores da música portuguesa que, em 2017, lançou o seu primeiro romance, depois de se ter aventurado na literatura infantil, na poesia e nos contos. O verdadeiro "homem dos 7 instrumentos", para citar uma das suas músicas mais conhecidas, acaba de chegar ao wookacontece. Falamos, obviamente, de Sérgio Godinho.
Wook está na sua mesa de cabeceira?
O fio do horizonte, dos poucos livros de Tabucchi que não li.

Pense numa pessoa. Wook diria essa pessoa sobre o seu primeiro romance, Coração Mais Que Perfeito?
Que a certa altura se esqueceu que tinha sido um homem que o escreveu. Foi-mo realmente dito, e como um elogio.

Considera que o seu último livro é o melhor que escreveu até hoje?
Sim. Mas é o primeiro romance…

Já escreveu teatro, ficção infantil, poesia, contos, argumentos para cinema e, agora, um romance. Em que género literário se sente mais em casa?
Neste momento e no futuro próximo, o romance. É outro fôlego e outro respirar.

Escolhe os temas dos livros ou os temas escolhem-no a si?
Começo por os escolher, e pouco a pouco, as personagens acabam por mandar em mim... E eu tento saber delas, e é no que isto dá.
Entrevista  a Sérgio Godinho
Sérgio Godinho | Fotografia: Tiago Figueiredo
Há algum tema sobre o qual não goste de ler ou escrever?
Era incapaz de escrever uma obra histórica. Não é o meu ímpeto.

Há um provérbio sueco que diz: “Quando o livro é bom, o melhor está nas entrelinhas”. Concorda?
De certo modo, sim. Há vários graus de leitura que se vão desvendando mutuamente.

Já alguma vez sentiu que não vai conseguir acabar de escrever um livro?
Parece-me difícil. Há sempre caminhos alternativos…

Qual é o seu poema favorito?
A lírica de Camões. E depois não pára mais, até ao Manuel António Pina, e tudo que se seguiu.

Nomeie uma coisa que não gosta que lhe digam.
Digam lá, e vão ver!

Qual a pior e a melhor parte de ser escritor de canções?
A conjugação de duas formas de expressão, a música e as palavras, ambas com labores tão diferentes. E fazer com que se sinta que as duas são uma e só voz. É essa a pior e melhor parte.

Qual a pior e a melhor parte de ser escritor de livros?
Fui-as descobrindo, com o Vidadupla, e agora com o Coração mais que perfeito. Parece-me tudo menos pior, e mais melhor. Para continuar, portanto.

Se o dinheiro não fosse uma condicionante, onde optaria por fazer a pesquisa do seu próximo livro?
Não faço ideia. A minha pesquisa é sempre intuitiva e desfasada dos lugares onde me encontro. Mas restam ecos, claro. Pronto, posso viajar pelo Brasil, e aterrar um pouco no meu Rio de Janeiro. Acho que serve. E quero ir ao deserto de Atacama.

Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
Fiquei com um jantar prometido por concretizar, com o Antonio, o Tabucchi, e a Maria José. Ficou por jantar. Todos morremos e estamos vivos. Jantamos. E também entre nós jantam os do além. Só que a horas diferentes.

Se tivesse um superpoder, qual seria?
O de estar a dormir agora, e sonhar, e continuar a escrever antes de acordar.

Wook gostaria de ler sobre si?
Que dei o meu melhor, mas ainda não dei o meu melhor.

Consegue nomear 3 autores que o inspiram?
Não há resposta para tanta pergunta.

Que livros lhe colocam um brilhozinho nos olhos?
Começou com 0s Cinco, e agora já vai em cento e muitos. Ou bastante mais, pensando bem…

Wook tem vergonha de nunca ter lido?
Ui, seriam tantas vergonhas! E a maior vergonha, é vergonha disso. Apesar de tudo, reli há pouco o D.Quixote, mas desta vez também o segundo livro, por onde nunca tinha passado. São ambos soberbos.

Projetos para o futuro?
Este ano, para lá de seguir a vida do Coração mais que perfeito, estou a compor e irei gravar um novo punhado de canções. Para sair ainda este ano. E tenho um novo romance já escrito, a sair no ano que vem.

Livros relacionados

Wook está a dar

Subscreva!