Entrevista a Rui Zink

Rui Zink está de volta com O Livro Sagrado da Factologia. Depois da tetralogia que dedicou à crise, da qual fazem parte Osso, O Destino Turístico, A Instalação do Medo e A Metametamorfose e Outras Fermosas Morfoses, o autor oferece-nos agora um romance que responde à mais crucial questão do século XXI: o futuro vai ser bem ou mal passado? O wookacontece teve a oportunidade de entrevistar o autor. Descubra tudo o que Rui Zink nos contou.
Wook está na sua mesa de cabeceira?
Um copo de água com os meus dentes. E, ah, um par de livros.

Pense numa pessoa. Wook diria essa pessoa sobre o seu último livro?
Converte-te e lê.

Considera que o seu último livro é o melhor que escreveu até hoje?
Honestamente? Não. Mas espero estar errado.
Novo livro de Rui Zink


Escolhe os temas dos livros ou os temas escolhem-no a si?
Como numa cerimónia de casamento, ambas as partes têm de dizer sim.

Há algum tema sobre o qual não goste de ler ou escrever?
Auto-ajuda e coaching (leia-se: coaxim, de coaxar, como fazem as rãs quando estão no cio).

Há um provérbio sueco que diz: “Quando o livro é bom, o melhor está nas entrelinhas”. Concorda?
Sim.

Já alguma vez sentiu que não vai conseguir acabar de escrever um livro?
Sempre. É isso que dá pica.

Qual é o seu poema favorito?
Já Bocage não sou, à cova escura.

Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.
Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui... A santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!

Bocage


Nomeie uma coisa que não gosta que lhe digam.
É uma honra para nós convidá-lo, mas não temos dinheiro… (Etc.)

Qual a pior e a melhor parte de ser escritor?
Cada vez mais temos de fazer de cortesãs que dizem ao homem rico mimado o que ele quer ouvir. O melhor é que, como é só papel e caneta, podemos mandar os leitores mimados irem dar uma volta ao bilhar grande. O que vão fazer, chamar a polícia do gosto?

Se o dinheiro não fosse uma condicionante, onde optaria por fazer a pesquisa do seu próximo livro?
Marte.

Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
Florbela Espanca.

Se tivesse um superpoder, qual seria?
A super-falta de pudor.

Wook gostaria de ler sobre si?
Fez mais bem do que mal em vida e agora está morto e bem morto.

Consegue nomear 3 autores que o inspiram?
Só três? Ana Hatherly. Martin Amis, Italo Calvino.

Wook mal pode esperar para ler?
O novo livro de Rubem Fonseca.

Wook tem vergonha de nunca ter lido?
A montanha mágica, de Thomas Mann.

Projetos para o futuro?
Ler mais e melhor. Escrever menos mal e não demasiado pior.

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