Entrevista a Inês Pedrosa

Em entrevista ao wookacontece, Inês Pedrosa contou que a sua mesa de cabeceira é uma grande sala de espera de leituras que se prolonga pelo chão. A escritora já escreveu romances, contos, crónicas, biografias e antologias e a sua obra encontra-se publicada no Brasil, em Espanha, em Itália e na Alemanha. Descubra tudo que Inês Pedrosa nos contou.
Wook está na sua mesa de cabeceira?
A minha mesa de cabeceira é uma grande sala de espera de leituras que se prolonga pelo chão. Neste momento, leio alternadamente A Arte da Vida, de Zygmunt Bauman, Ilusões Perdidas, de Balzac, All Art is Propaganda, de George Orwell e J’ai tué Schéhérazade, de Joumana Haddad.

Pense numa pessoa. Wook diria essa pessoa sobre o seu último livro?
Essa inteligentíssima pessoa diria: “entusiasmou-me, comoveu-me, divertiu-me, e fez-me pensar de outra forma no poder transfigurador do amor”.
Entrevista a Inês Pedrosa
Inês Pedrosa
Considera que o seu último livro é o melhor que escreveu até hoje?
Tecnicamente, talvez seja, embora esse parâmetro melhor/ pior me pareça, sinceramente, redutor e infantil; mas tenho um amor especial pelo penúltimo, Dentro de Ti Ver o Mar. Penso que é esse, até agora, o mais completo dos meus romances. Thomas Colchie, o meu agente, também acha, pelo que devo estar certa.

Escolhe os temas dos livros ou são os temas que a escolhem a si?
Escolhemo-nos mutuamente; é um amor feliz.

Há algum tema sobre o qual não goste de ler ou escrever?
Tudo me interessa, desde que seja livre e amplamente pensado; não há temas, há abordagens e escritas.

Há um provérbio sueco que diz: “Quando o livro é bom, o melhor está nas entrelinhas”. Concorda?
Depende das linhas e das entrelinhas. Os provérbios, mesmo os suecos, enganam-se muito.

Já alguma vez sentiu que não vai conseguir acabar de escrever um livro?
Não, mas preocupo-me cada vez mais em não me deixar sugar por tudo o que me atrasa a escrita, porque tenho a consciência de que, infelizmente, não serei eterna.

Qual é o seu poema favorito?
Tantos e tão variados que dariam para vários livros (aliás, já deu um: Poemas de Amor, antologia disponível na Wook). De modo que direi: os que escreveram para mim.

Nomeie uma coisa que não gosta que lhe digam.
Mentiras, mentirinhas, mentirolas. Odeio, e dificilmente perdoo.

Qual a pior e a melhor parte de ser escritor?
A melhor parte: escrever e encontrar leitores que nos digam: «o seu livro mudou a minha vida». A pior parte: pagar as contas, isto é, ter de fazer vinte mil outras coisas para poder pagá-las.

Se o dinheiro não fosse uma condicionante, onde optaria por fazer a pesquisa do seu próximo livro?
Se o dinheiro não fosse uma condicionante, não faria mais nada senão escrever livros; isolar-me-ia em qualquer canto a escrever. Para investigar basta-me uma hemeroteca e uma biblioteca.

Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
Agustina Bessa-Luís, António Alçada Baptista e José Cardoso Pires, com os quais felizmente partilhei muitos almoços e jantares inesquecíveis.

Se tivesse um superpoder, qual seria?
O de fazer com que a Justiça governasse a Terra: aquilo que Deus não conseguiu.

Wook gostaria de ler sobre si?
A notícia de que o Prémio Nobel me tinha sido atribuído. Não por vaidade, porque poucos dos escritores que verdadeiramente admiro o receberam; mas aqueles oitocentos mil euros davam-me um jeitão.

Consegue nomear 3 autores que a inspiram?
São muito mais do que três. Mas Camões, Agustina Bessa-Luís e Milan Kundera têm sido, ao longo da minha vida, essenciais.

Wook mal pode esperar para ler?
O meu próximo romance, que está todo escrito na minha cabeça.

Wook tem vergonha de nunca ter lido?
Nada. Já passei essa fase.

Projetos para o futuro?
Conseguir dizer mais vezes “não” às solicitações que me desviam da ocupação central de pensar e escrever.

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