Então quer ser escritor?

Muitos leitores gostam de escrever. «É uma verdade universalmente reconhecida», como diria Jane Austen. A pensar nesses leitores, hoje partilhamos oito valiosas dicas de escrita. E quem melhor do que os escritores que admiramos para nos ajudar nessa missão?
Truman Capote
“O único recurso que conheço é o trabalho. A escrita tem leis de perspetiva, luz e sombra, assim como a pintura ou a música. Se já nasceste com esses conhecimentos, ótimo. Se não, precisas de aprendê-los. E depois precisas de reformular as regras com vista a adaptá-las.”
Stephen King
“Ler muito e escrever muito. Se não tiveres tempo para ler, então também não tens tempo (e ferramentas) para escrever."
Primo Levi
“Se um autor estiver convencido da sua honestidade e sentir que tem algo fundamental a dizer, muito dificilmente será um mau escritor. Nesse caso, ele sente-se obrigado a transmitir as suas ideias claramente. Por outro lado, se um escritor não tem nada a dizer, mesmo que domine as ferramentas da escrita, será um escritor menor.”
José Saramago
“Temos de acreditar em alguma coisa e, sobretudo, temos de ter um sentimento de responsabilidade coletiva, segundo o qual cada um de nós será responsável por todos os outros.”
Jorge Luís Borges
“Descobri que as metáforas realmente boas são sempre as mesmas. Isto é, comparar o tempo a uma estrada, a morte ao sono, a vida ao sonho… essas são as grandes metáforas da literatura, porque correspondem a algo de essencial.”
Mark Twain
“Escreve sem que ninguém te pague até que alguém te ofereça pagamento; se, em três anos, ninguém to oferecer, serrar madeira é aquilo a que te deves dedicar. ”
Henry Miller
“Mantém-te humano! Vê pessoas, vai a sítios, bebe se te apetecer.”
Em caso de dúvida, sugerimos que leia o poema de Bukowski até que ele corra nas suas veias.
Se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.
se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.
se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.
não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.
quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.
não há outra alternativa.
e nunca houve.

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