Editorial da semana: Dia do Livro

De todos os amores, é ao livro, o meu amor, que dedico este dia.
7 de fevereiro de 2017
Abrir um livro como quem abre o coração. Cheirá-lo, deixar entrar a fragrância e a calma das coisas familiares. Levá-lo debaixo do braço como quem carrega um amigo cansado. Passeá-lo pelas longas avenidas das cidades, protegendo-o da chuva, nos dias de inverno, e erguendo-o com orgulho, no verão. Apertar a capa do livro com força quando o avião descola e, depois, quando pousa no chão. Tomar café com ele, partilhar refeições; procurar um refúgio nas páginas do livro quando a realidade fora delas faz sofrer: ler fantasia quando perdemos alguém; policial quando a vida aborrece; poesia quando estamos num país longínquo e encontramos nos versos uma janela mágica que nos devolve ao colo da mãe.
Livros para o Dia dos Namorados
Livro, meu amor
Ansiar pelo fim do dia para regressar ao livro como quem anseia voltar aos braços de alguém. Dormir com o livro ao lado e sentir que nunca estamos realmente sozinhos quando conseguimos entrar no universo de outra pessoa. Aprender com o livro que "a felicidade pode ser encontrada mesmo nas horas mais sombrias, se nos lembrarmos de acender a luz".
Encontrar o Dia do Livro na esquina de cada rua e concluir que, de todos os amores, o livro é o único que nunca se queixa do nosso animal de estimação, ou das migalhas que espalhamos pelos lençóis ou mesma da força com que o apertamos nas viagens de avião. De todos os amores, é ao livro, o meu amor, que dedico este dia. Não poderia ser de outra maneira.


Tânia Azevedo, gestora de conteúdos culturais

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