Dois Sonetos de Amor e Sacanagem, de Gregório Duvivier
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3 de junho de 2026
Quando foi lançada a primeira edição destes Sonetos de Amor e Sacanagem, do humorista brasileiro Gregório Duvivier, o livro fez tal sucesso que esgotou. Agora, regressa às livrarias numa nova edição, revista e aumentada.
Entre o amor e o sexo, a obsessão e a autoironia, num mundo em que não «terás bicos sem bicas», Gregório Duvivier publica sonetos antigos e inéditos. E prova que, além de ser ator e guionista da Porta dos Fundos, com estilo mordaz, niilista e hilariante, consegue também escrever outras inutilidades. Pelo menos é o que se lê na sinopse…
Mas, a sério, vale a pena ler – e rir – com estes sonetos. Ora veja:
SONETO DISTRAÍDO
Não acredito em deus nem em gnomos
mas num amor total sem meios-termos.
Nunca entendi direito o que nós fomos
mas isso não nos impediu de sermos.
O amor não precisa de mil tomos
ou contratos enormes para lermos.
Não definimos bem o que nós somos
mas isso impediu, quiçá, de nos fodermos
Fui feliz muitas vezes nessa vida,
todas elas fui pego de surpresa.
A alegria é sempre distraída.
Felicidade nunca é com certeza.
Por não saber quando é que te veria,
quis te ver nessa vida todo dia.
SONETO PRA SÁ DE MIRANDA
Tenho pena de quem é meu amigo.
pois deve desejar a minha morte.
Nasci graças a deus com uma sorte:
a de não ter que conviver comigo.
Garantiram: não tem nenhum perigo.
Não há chato, no mundo, do meu porte.
Jamais serei de mim o meu consorte.
Só a vocês concedo esse castigo.
Os segundos que chegam logo após
ouvir no gravador a minha voz
dão vontade de dar à vida um fim.
Se eu fosse por acaso dessa gente
que convive comigo diariamente
ou me matava ou bem matava a mim.
Entre o amor e o sexo, a obsessão e a autoironia, num mundo em que não «terás bicos sem bicas», Gregório Duvivier publica sonetos antigos e inéditos. E prova que, além de ser ator e guionista da Porta dos Fundos, com estilo mordaz, niilista e hilariante, consegue também escrever outras inutilidades. Pelo menos é o que se lê na sinopse…
Mas, a sério, vale a pena ler – e rir – com estes sonetos. Ora veja:
SONETO DISTRAÍDO
Não acredito em deus nem em gnomos
mas num amor total sem meios-termos.
Nunca entendi direito o que nós fomos
mas isso não nos impediu de sermos.
O amor não precisa de mil tomos
ou contratos enormes para lermos.
Não definimos bem o que nós somos
mas isso impediu, quiçá, de nos fodermos
Fui feliz muitas vezes nessa vida,
todas elas fui pego de surpresa.
A alegria é sempre distraída.
Felicidade nunca é com certeza.
Por não saber quando é que te veria,
quis te ver nessa vida todo dia.
SONETO PRA SÁ DE MIRANDA
Tenho pena de quem é meu amigo.
pois deve desejar a minha morte.
Nasci graças a deus com uma sorte:
a de não ter que conviver comigo.
Garantiram: não tem nenhum perigo.
Não há chato, no mundo, do meu porte.
Jamais serei de mim o meu consorte.
Só a vocês concedo esse castigo.
Os segundos que chegam logo após
ouvir no gravador a minha voz
dão vontade de dar à vida um fim.
Se eu fosse por acaso dessa gente
que convive comigo diariamente
ou me matava ou bem matava a mim.