«Corpo», pela pena de Al Berto

«O Medo» reúne toda a obra poética de Al Berto, o português que vivia para escrever e escrevia para (quase) morrer. A "poesia da violência do mundo e da realidade insuportável", segundo Ramos Rosa.
Este é "o" livro para ter. E quem tem, para reler.
CORPO

Corpo corpo
que te seja leve o peso das estrelas
e de tua boca irrompa a inocência nua
dum lírio cujo caule se estende e
ramifica para lá dos alicerces da casa

abre a janela debruça-te
deixa que o mar inunde os órgãos do corpo
espalha lume na ponta dos dedos e toca
ao de leve aquilo que deve ser preservado

mas olho para as mãos e leio
o que o vento norte escreveu sobre as dunas

levanto-me do fundo de ti humilde lama
e num soluço da respiração sei que estou vivo
sou o centro sísmico do mundo

Al Berto, O Medo

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