«Chegou o tempo dos fantasmas»

Estojo reúne, reorganiza e recompõe (em alguns casos) uma selecção de textos colhidos do poeta Miguel-Manso desde 2008.
Poemas éditos e inéditos, uma escrita atentíssima à pulsação caótica do mundo.
vê-se daqui

um edifício alto batido pelo Sol
a única árvore da rua
a macieira inacessível naquele vazio
entre casas

depois do muro
o recreio de uma escola onde
já se sabe
nada de bom se ensinará

uma loja falida
uma padaria encerrada
a florista de plástico

e na drogaria do maneta uma mão
lava a mesma

vejo-me reflectido no vidro
diáfano defectível:

chegou o tempo dos fantasmas

Miguel-Manso, Estojo

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