Carlos Ruiz Zafón (1964-2020), o mais vendido desde Cervantes

Escritor catalão lutava há dois anos contra um cancro
Autor traduzido em mais de 50 idiomas e com milhões de livros vendidos em todo o mundo, Carlos Ruiz Zafón é o escritor espanhol mais vendido deste século.

A razão do fenómeno tem origem na tetralogia Cemitério dos Livros Esquecidos, que teve o seu início em 2001 com a publicação de A Sombra do Vento, um livro que ficará para a História com mais de 15 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo e é considerada a obra de ficção em língua espanhola mais popular a seguir a Dom Quixote.
A saga conta ainda com os títulos O Jogo do Anjo (2008), O Prisioneiro do Céu (2011) e O Labirinto dos Espíritos (2016).
«Quem não sabe para onde vai não chega a parte nenhuma», em Marina
Além de escritor, Zafón era guionista, tendo trabalhado em publicidade até 1992, altura em que decidiu dedicar-se em exclusivo à literatura.

Começou a carreira literária tardiamente e com a publicação de títulos infantojuvenis – O Príncipe da Neblina (1993), O Palácio da Meia-Noite (1994), As Luzes de Setembro (1995), Marina (1998) – mas foi com o romance A Sombra do Vento que alcançou um patamar onde muito poucos haviam chegado. Na verdade, foi o primeiro da sua geração a ser considerado um best-seller.

Dono de uma imaginação prodigiosa e de uma narrativa que cruza ficção e realidade, mistério e fantasia, escrita cinematográfica e diálogos intensos, Zafón mostrou-nos os segredos e labirintos de uma Barcelona gótica, literária e tenebrosa, capaz de nos ‘roubar a alma‘, como dizia a personagem Fermín.
«Cada livro, cada volume que você vê, tem alma.
A alma de quem o escreveu, e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele.»
Daniel Sampere, em A Sombra do Vento
A trama desenrola-se entre o início do século XX e a atualidade, e convida à reflexão sobre o papel do livro, já numa época em que as tecnologias estavam a mudar os hábitos de leitura.

Pouco próximo e nem sempre consensual entre os círculos literários – «o suposto mundinho literário é um por cento literário e 99 por cento mundinho», dizia – Carlos Ruiz Zafón não publicava desde 2016.
Tão famoso quanto reservado, a sua morte apanhou o mundo desprevenido. Vítima de cancro, o escritor morreu aos 55 anos, em Los Angeles, onde residia desde 1994. «Deixou-nos um dos maiores escritores contemporâneos, mas continuará vivo entre todos nós através dos seus livros.»

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