Todas as letras de Pedro Abrunhosa

Vem Abrir a Porta à Noite reúne todas as letras das canções de Pedro Abrunhosa, do álbum Viagens, de 1994, até ao presente. Depois de, no mês passado, ter lançado Cancioneiro – Partituras, Cifras e Letras, de Abrunhosa, a Contraponto publica agora um livro inteiramente dedicado às letras das canções deste músico e compositor com uma carreira de mais de 40 anos, enraizada em diversas influências culturais e musicais, com um estilo original e irreverente.
«Quando Pedro Abrunhosa surgiu em 1994 com o álbum Viagens, (…) vinha oferecer aos amantes da pop e do showbiz alguma coisa que era ao mesmo tempo adolescente e iconoclasta, um estilo libertário de grande intensidade e pujança.» Lídia Jorge introduz assim este livro. Acrescenta a escritora que «a força dessa nova música provinha de um outro plano, e ambos se confundiam num só para lhe conferir inteira originalidade – o plano das palavras», do qual sobressaía um «universo de sensualidade partilhada».
Tudo o que eu te dou é uma das canções mais icónicas de Abrunhosa. Recorde (ou conheça) aqui a letra.

TUDO O QUE EU TE DOU

Eu não sei
Que mais posso ser.
Um dia rei,
Outro dia sem comer.
Por vezes forte,
Coragem de leão,
Às vezes fraco,
Assim é o coração.

Eu não sei,
Que mais te posso dar,
Um dia jóias,
Noutro dia o luar.
Gritos de dor,
Gritos de prazer,
Que um homem também chora
Quando assim tem de ser.

Foram tantas as noites,
Sem dormir.
Tantos quartos de hotel,
Amar e partir.
Promessas perdidas
Escritas no ar,
E logo ali eu sei…

Refrão: Tudo o que eu te dou,
Tu me dás a mim.
Tudo o que eu sonhei,
Tu serás assim.
Tudo o que eu te dou,
Tu me dás a mim,
Tudo o que eu te dou.

Sentado na poltrona
Beijas-me a pele morena
Fazes aqueles truques
Que aprendeste no cinema.
Mais, peço-te eu,
Já me sinto a viajar.
Pára, recomeça,
Faz-me acreditar.

Não, dizes tu
E o teu olhar mentiu.
Enrolados pelo chão
No abraço que se viu.
É madrugada
Ou é alucinação,
Estrelas de mil cores
Extasy ou paixão.
Hmm, esse odor
Traz tanta saudade.
Mata-me de amor
Ou dá-me liberdade.
Deixa-me voar,
Cantar, adormecer.

(Refrão)

Pedro Abrunhosa, Vem Abrir a Porta à Noite, Contraponto, Novembro de 2025, pp. 49-51

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