Mini-entrevista a Ana Cláudia Santos

Ana Claúdia Santos (Lisboa, 1984) é doutorada em Teoria da Literatura pela Universidade de Lisboa. Trabalhou na Imprensa da Universidade de Lisboa e ensinou português na Universidade de Pisa. Traduziu, entre outros, Italo Svevo e Natalia Ginzburg. Em 2022, publicou A Morsa – Contos de Inocência e de Violência.

Lavores de Ana é a sua primeira narrativa longa e conta a história de Ana, uma mulher entre duas cidades, Nápoles e Lisboa. Um livro que retrata o fim da juventude e o começo da idade adulta e que reflete, entre viagens e diferentes tempos, sobre a condição de ser mulher e de ser livre.

Citação:
«Gosto de ler sobre tudo; escrevo sobre o que posso, consigo, desejo e me inquieta.»
Ana Cláudia Santos
Ana Cláudia Santos
Como surgiu a ideia para este livro?
Quis escrever um conto sobre uma mulher que fica fechada numa varanda, em Nápoles, numa casa que não é dela. Enviei cerca de 13 páginas à minha editora, e ela incitou-me a imaginar uma continuação para a história. Desenvolvi-a e escrevi-a ao longo de um ano e meio; tive muito tempo para pensar na estrutura do livro.

Tem uma rotina de escrita?
Não. Se estiver a trabalhar num texto e puder fazê-lo, escrevo a qualquer hora. No entanto, o meu período preferido para escrever é o início da manhã. Sou um animal matutino.

Como lida com um bloqueio criativo?
Nunca tive aquilo que se entende geralmente por bloqueio criativo. Até agora, quando quis escrever, fi-lo. Talvez seja interessante explorar o que significa «querer escrever». Esse, para mim, é o melhor estado possível.
Qual é a pior e a melhor parte de ser escritora?
A melhor é escrever, trabalhar com a linguagem e a fantasia; a pior é a cabeça nunca ter descanso.

Há algum tema sobre o qual não goste de ler ou escrever?
Gosto de ler sobre tudo; escrevo sobre o que posso, consigo, desejo e me inquieta.

Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
A escritora italiana Natalia Ginzburg (1916-1991). Mas não teria de ser um jantar: já me contentaria com um diálogo epistolar. Quando admiramos e amamos um escritor, podemos sentir-nos tentados a querer comunicar com ele. De alguma forma, quando a traduzi, senti que estava a fazê-lo.

Qual o livro que já devia ter lido e ainda não leu?
A Bíblia.

Qual o livro que mais a marcou até hoje?
Houve muitos, mas gostava de destacar Laços de família, de Clarice Lispector.

Qual foi o último livro que ofereceu?
Ofereci ao meu pai O Cárcere, de Cesare Pavese.

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