Autor da semana: José Eduardo Agualusa

A propósito da atribuição há dias do prestigiado Prémio Literário de Dublin a José Eduardo Agualusa, hoje partilhamos consigo algumas curiosidades acerca do autor, cuja obra tem vindo a ser reeditada pela Quetzal, com capas tão vibrantes como o seu universo ficcional.
José Eduardo Agualusa
José Eduardo Agualusa
UM
Escritor angolano de ascendência portuguesa e brasileira, José Eduardo Agualusa (Alves da Cunha) é uma das mais importantes vozes da literatura africana de expressão portuguesa, estando os seus livros traduzidos em 25 idiomas.
DOIS
Nasceu em 1960, no Huambo, no planalto central de Angola, a quase 300 quilómetros da costa. Apesar disso, acredita que certos nomes impõem destinos e confessa que sempre se sentiu atraído pelo mar. “Agualusa” era uma palavra usada em tempos por marinheiros, para se referirem ao mar calmo, e a verdade é que o escritor escolheu viver junto do oceano, em Luanda, Lisboa, no Rio de Janeiro e na Ilha de Moçambique.
TRÊS
Vive em trânsito permanente entre Angola, Brasil e Portugal e diz que todos os lugares onde vai vivendo são personagens dos seus livros, sobretudo Luanda, nas suas palavras cidade “ao mesmo tempo bela e horrível, feroz e doce, lugar de encontros improváveis e palco das mais desvairadas histórias.”
QUATRO
A 11 de Novembro de 1975, quando Angola declarou a independência, era adolescente. Viveu esses primeiros anos com grande entusiasmo, mas, entretanto, a guerra e as divisões internas mancharam esse sonho. Atualmente, o escritor é um dos rostos mais ativos da luta pela democracia no país.
CINCO
Estudou Silvicultura e Agronomia em Lisboa, mas abandonou a faculdade para se dedicar ao jornalismo e à literatura. Colabora em diversos periódicos, como o Expresso, o Público, o África Jornal, O Globo, a revista LER e o portal Rede Angola. Na RDP África, foi ainda realizador do programa A Hora das Cigarras, sobre música e poesia africanas.
SEIS
Conta que se tornou escritor em bibliotecas, porque de outra forma nunca teria tido acesso a tantos livros, e todos os escritores são, antes de mais, grandes leitores. Aliás, o seu primeiro romance, A Conjura, foi em grande parte escrito numa biblioteca pública.
SETE
É membro da União dos Escritores Angolanos e recebeu diversos prémios, incluindo o Independent de Ficção Estrangeira , com o romance O Vendedor de Passados. Recentemente, foi o primeiro autor de língua portuguesa a vencer o prestigiado International DUBLIN Literary Award, com a obra Teoria Geral do Esquecimento, que em 2016 havia já sido finalista do Man Booker International.
A Conjura, de José Eduardo Agualusa
A Conjura, de José Eduardo Agualusa
OITO
Escreveu diversas peças de teatro com Mia Couto, incluindo A Caixa Preta e O Terrorista Elegante. Acerca do escritor moçambicano, diz: “É muito mais do que um amigo para mim. É, desde há muito tempo, o meu irmão mais velho.” Mia Couto estava, aliás, nomeado também para o International DUBLIN Literary Award e quando soube que tinha perdido para Agualusa, declarou, numa explosão de felicidade: “Nesse caso não perdi. Ganhámos!”.
NOVE
Durante o discurso proferido na cerimónia de entrega do Prémio, Agualusa, como fazem tantas vezes os grandes escritores, iluminou-nos o caminho (e as ideias), alertando: “Nos tempos confusos que atravessamos, num mundo em busca de um pensamento político novo e de novos ideais, o medo do outro é uma espécie de incêndio, atiçado por pirómanos, que ameaça devorar-nos a todos. (…) Não há Outro. O Outro somos sempre nós. Cada homem é a humanidade inteira.”


Fontes: www.agualusa.pt; www.infopedia.pt

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