Autor da semana: António Lobo Antunes
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22 de novembro de 2016
António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, num ambiente familiar que lhe estimulou o gosto pela leitura, e formou-se em Medicina Psiquiátrica por pensar que era parecido com literatura.
Exerceu atividade clínica durante a guerra colonial, em Angola, e, posteriormente, em Lisboa, no Hospital Miguel Bombarda.
Em 1979, inicia oficialmente a sua carreira literária, com a publicação dos livros Memória de Elefante e Os Cus de Judas, mas é a partir de 1985 que se dedica quase exclusivamente ao ofício da escrita.
Desde então já escreveu 30 livros que lhe valeram alguns prémios literários, dos quais salientamos o Prémio France Culture (1996) pelo romance A Morte de Carlos Gardel, o Prémio de Literatura Europeia do Estado Austríaco (2000) pelo romance Exortação Aos Crocodilos, o Prémio Jerusalém (2004) pelo conjunto da sua obra e também o Prémio Camões (em 2007).
O seu nome tem sido apontado ao Prémio Nobel da Literatura, mas o que realmente lhe interessa é continuar a escrever. "O que posso fazer?" - declarou o escritor numa entrevista cedida ao jornal EL País - "Quando não escrevo não me sinto bem, sinto uma espécie de angústia; uma coisa física difícil de explicar. Tenho a impressão de que me fizeram para escrever."
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"Às vezes penso que talvez tenhamos nascido com certo número de livros cá dentro. Se eu não os escrever, a minha vida não tem sentido."
37 ANOS E 30 LIVROS DEPOIS
António Lobo Antunes
António Lobo Antunes não abranda o ritmo. Segundo o escritor, até 2020, devemos esperar mais quatro títulos, incluindo o que será publicado este ano, Para Aquela Que Está Sentada No Escuro À Minha Espera. António Lobo Antunes raramente dá entrevistas, pois defende que o seu trabalho é escrever livros, não falar sobre eles; prefere escrever à mão porque gosta do cheiro do papel e "dessa coisa artesanal da escrita, o desenho das letras". Nas páginas dos seus livros, desfilam grandes temas como a solidão, a morte, a vida, o amor ou a ausência dele, e a ternura. Hemingway, Sartre, Camus, na adolescência, e, mais tarde, Simenon e também Tolstoi e Tchekov são alguns dos escritores que o encantam. O autor confessa ser também um verdadeiro fã de flamenco e de jazz, e de ter aprendido mais com alguns saxofonistas de jazz, como John Coltrane e Charlie Parker, do que com escritores. Se lhe perguntarmos qual o seu trabalho, responder-nos-á, como o fez numa das suas crónicas para a revista Visão, "o meu trabalho é escrever até que as pedras se tornem mais leves que a água. Não são romances o que faço, não conto histórias, não pretendo entreter, nem ser divertido, nem ser interessante: só quero que as pedras se tornem mais leves que a água."