As 7 expressões mais divertidas da Língua Portuguesa
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Capa do livro Em Português nos (Des)entendemos, de João Carlos Brito
Falamos todos a mesma língua, mas a verdade é que nem sempre nos entendemos.
O professor e escritor João Carlos Brito viajou de norte a sul do país com escala nas ilhas para compilar algumas das expressões mais insólitas e divertidas usadas pelos portugueses, autênticas pérolas do nosso património linguístico.
O resultado está à vista: um livro de lamber os cambeiros!
Leitor/a, está preparado para uma barrigada de riso e cultura nacional?
O professor e escritor João Carlos Brito viajou de norte a sul do país com escala nas ilhas para compilar algumas das expressões mais insólitas e divertidas usadas pelos portugueses, autênticas pérolas do nosso património linguístico.
O resultado está à vista: um livro de lamber os cambeiros!
Leitor/a, está preparado para uma barrigada de riso e cultura nacional?
AS 7 EXPRESSÕES MAIS DIVERTIDAS
1. Caga-lérias (Trás-os-Montes): Fala-barato, exagerado
Um caga-lérias é um fala-barato, alguém que tem muita conversa fiada. É muito provável que «léria» (além de ser um apetitoso doce amarantino) provenha do grego leros, que quer dizer delírio, pois um caga-lérias é seguramente alguém que está em constante estado de delírio. Aliás, a expressão «estás a delirar!» acaba por ter um sentido muito aproximado.
2. Falar para a central (Porto): Não ser ouvido
Falar sem ser ouvido, desligar propositadamente de uma conversa, pois o assunto não interessa. A referência à central é, muito provavelmente, uma alusão à refinaria petrolífera da Galp, que fica em Leça da Palmeira e foi sempre importante para os habitantes do Grande Porto. Aliás, existe uma outra expressão, de sentido exatamente igual, que é o «Falar para a Sacor». Por que razão? Quase de certeza por causa das suas chaminés altas, de formato fálico. Assim, «falar para a central» ou «para a Sacor» é estar a falar para o órgão sexual masculino (também existe a expressão «falar para o microfone», com a mesma intenção).
3. Cagaréu (Beiras): habitante de Aveiro
Os cagaréus são os aveirenses da zona mais ligada ao mar, em particular da freguesia de Vera Cruz, ou seja, historicamente, as gentes que mais se dedicam às artes da pesca na ria ou no mar (marnotos, pescadores, moliceiros). Grande parte da vida destas pessoas era passada dentro da embarcação (bateira, mercantel ou moliceiro) e o apelido cagaréu terá nascido devido à necessidade de terem que fazer as suas necessidades fisiológicas dentro do barco. Onde o fariam? No cagarête, que era o local mais à ré da embarcação e a seguir à entremesa. Era lá que, falando «bom» português, iam cagar. Ou seja, iam cagar à ré!
4. À troncamaronca (Ribatejo): à toa, sem destino
O mais certo é a palavra ser a junção de tronca e maromba. Troncar (ou truncar) é cortar uma parte considerável de alguma coisa (de uma ata, por exemplo), mutilar, suprimir; maronca não existe. Será, então, corruptela de maromba, vocábulo que, no sentido inicial, aponta a vara que os equilibristas utilizam na maroma ou corda. Pode ainda sugerir o que se sustenta dificilmente ou, num outro sentido, preguiça. Andar à troncamaronca é cortar no tino, suprimir parte do raciocínio necessário, o que provoca a sensação de desequilíbrio, de andar à toa, que o funâmbulo (equilibrista) experimenta se não utilizar a vara (a maromba).
5. Azamboêrado dos cornos (Alentejo): tonto, amalucado
A palavra terá origem no verbo azamboar, que é sinónimo de entontecer, ficar indisposto ou fatigado. Se azamboeirado (também se ouve frequentemente enzamboêrado) será uma corruptela de azamboado, esta última forma parece também uma deformação de azambrado, que é um adjetivo com o sentido de desajeitado, torto das pernas. O povo, normalmente, diz mal-ajambrado, pessoa de má aparência, proveniente de jambé, perna em francês, que vai dar, por linhas travessas, ao significado inicial de «torto das pernas» e, por contágio, a alguém com aspeto atoleimado, amalucado. Daí que azamboeirado também possa querer dizer indivíduo desajeitado, corpulento e mal feito.
6. Feniscadinho (Algarve): magricelas
Devido a má alimentação, porquanto fenasco é um regionalismo (transmontano) que remete para o restolho alto de seara com erva entremeada que serve para alimentar o gado, principalmente no inverno. Assim, alguém que se alimenta muito mal poderá ir ficando fenascado, como era o caso provável dos animais, sobretudo em tempo de maior privação. Fenascado poderia assim assumir-se como sinónimo de emagrecido.
7. Sopa de Fueiro (Açores): sova
Fueiro são os paus compridos e aguçados numa das pontas que se colocavam nos lados das carroças ou dos carros de bois para amparar a carga. Portanto, o que se está a prometer é justamente uma carga de porrada, utilizando esses paus que vão transformar a vítima numa autêntica sopa. Fueiro vem do latim fuñariu, que é relativo a corda. Ora, quem está enfunado, no sentido popular, está muito aborrecido com alguma coisa e daí a prometer uma sova é realmente um pequeno passo.
Agora deixamos-lhe outras tantas, para descobrir por si:
Um caga-lérias é um fala-barato, alguém que tem muita conversa fiada. É muito provável que «léria» (além de ser um apetitoso doce amarantino) provenha do grego leros, que quer dizer delírio, pois um caga-lérias é seguramente alguém que está em constante estado de delírio. Aliás, a expressão «estás a delirar!» acaba por ter um sentido muito aproximado.
2. Falar para a central (Porto): Não ser ouvido
Falar sem ser ouvido, desligar propositadamente de uma conversa, pois o assunto não interessa. A referência à central é, muito provavelmente, uma alusão à refinaria petrolífera da Galp, que fica em Leça da Palmeira e foi sempre importante para os habitantes do Grande Porto. Aliás, existe uma outra expressão, de sentido exatamente igual, que é o «Falar para a Sacor». Por que razão? Quase de certeza por causa das suas chaminés altas, de formato fálico. Assim, «falar para a central» ou «para a Sacor» é estar a falar para o órgão sexual masculino (também existe a expressão «falar para o microfone», com a mesma intenção).
3. Cagaréu (Beiras): habitante de Aveiro
Os cagaréus são os aveirenses da zona mais ligada ao mar, em particular da freguesia de Vera Cruz, ou seja, historicamente, as gentes que mais se dedicam às artes da pesca na ria ou no mar (marnotos, pescadores, moliceiros). Grande parte da vida destas pessoas era passada dentro da embarcação (bateira, mercantel ou moliceiro) e o apelido cagaréu terá nascido devido à necessidade de terem que fazer as suas necessidades fisiológicas dentro do barco. Onde o fariam? No cagarête, que era o local mais à ré da embarcação e a seguir à entremesa. Era lá que, falando «bom» português, iam cagar. Ou seja, iam cagar à ré!
4. À troncamaronca (Ribatejo): à toa, sem destino
O mais certo é a palavra ser a junção de tronca e maromba. Troncar (ou truncar) é cortar uma parte considerável de alguma coisa (de uma ata, por exemplo), mutilar, suprimir; maronca não existe. Será, então, corruptela de maromba, vocábulo que, no sentido inicial, aponta a vara que os equilibristas utilizam na maroma ou corda. Pode ainda sugerir o que se sustenta dificilmente ou, num outro sentido, preguiça. Andar à troncamaronca é cortar no tino, suprimir parte do raciocínio necessário, o que provoca a sensação de desequilíbrio, de andar à toa, que o funâmbulo (equilibrista) experimenta se não utilizar a vara (a maromba).
5. Azamboêrado dos cornos (Alentejo): tonto, amalucado
A palavra terá origem no verbo azamboar, que é sinónimo de entontecer, ficar indisposto ou fatigado. Se azamboeirado (também se ouve frequentemente enzamboêrado) será uma corruptela de azamboado, esta última forma parece também uma deformação de azambrado, que é um adjetivo com o sentido de desajeitado, torto das pernas. O povo, normalmente, diz mal-ajambrado, pessoa de má aparência, proveniente de jambé, perna em francês, que vai dar, por linhas travessas, ao significado inicial de «torto das pernas» e, por contágio, a alguém com aspeto atoleimado, amalucado. Daí que azamboeirado também possa querer dizer indivíduo desajeitado, corpulento e mal feito.
6. Feniscadinho (Algarve): magricelas
Devido a má alimentação, porquanto fenasco é um regionalismo (transmontano) que remete para o restolho alto de seara com erva entremeada que serve para alimentar o gado, principalmente no inverno. Assim, alguém que se alimenta muito mal poderá ir ficando fenascado, como era o caso provável dos animais, sobretudo em tempo de maior privação. Fenascado poderia assim assumir-se como sinónimo de emagrecido.
7. Sopa de Fueiro (Açores): sova
Fueiro são os paus compridos e aguçados numa das pontas que se colocavam nos lados das carroças ou dos carros de bois para amparar a carga. Portanto, o que se está a prometer é justamente uma carga de porrada, utilizando esses paus que vão transformar a vítima numa autêntica sopa. Fueiro vem do latim fuñariu, que é relativo a corda. Ora, quem está enfunado, no sentido popular, está muito aborrecido com alguma coisa e daí a prometer uma sova é realmente um pequeno passo.
Agora deixamos-lhe outras tantas, para descobrir por si:
AS SETE EXPRESSÕES MAIS ESTRANHAS
- Senisga (Trás-os-Montes)
- Fogareiro (Lisboa)
- Na china da calma (Alentejo)
- Chimeco (Madeira)
- Besuga (Açores)
- Aportelência (Algarve)
- Estar com choupeira (Minho)
(e mais 3, não resistimos...)
- Jaja (Beiras)
- Cramunhas (Ribatejo)
- Fino como um alho (Porto)
E AS SETE EXPRESSÕES MAIS ATREVIDAS?
-
- Apichar (Beiras)
- Acoinar (Algarve)
- Pito (Trás-os-Montes)
- Lambe-cricas (Minho)
- Caralhota (Ribatejo)
- Altear a joeira (Madeira)
- Chupão (Beiras)
-
(mais 3?)
- Vai-te quilhar! (Porto)
- Calhandreira (Lisboa)
- Blicas fritas com molho de naião (Açores)