Abrimos o livro de Greta Thunberg e não gostamos nada do que vimos

A Nossa Casa Está a Arder
A Nossa Casa Está a Arder, de Greta Thunberg, Svante Thunberg, Beata Ernman e Malena Ernman
Chama-se Greta Thunberg, tem 16 anos e quer que entremos em pânico.

Nomeada para o Prémio Nobel da Paz, a jovem que fez greve às aulas pelo clima e que estarreceu o mundo com um poderoso discurso no Parlamento Europeu - uma superação tendo em conta que tem Síndrome de Asperger e mutismo seletivo -, também escreveu um livro. Na prática, o diagnóstico de Greta significa que ela só fala quando é necessário. Como agora.
A emergência climática é o assunto que tem dominado os jornais, as revistas – recorde-se, a título de exemplo, a recente e já inesquecível capa da TIME com António Guterres - as televisões, em suma, a esfera pública e acreditamos que a privada também, e já nem devia ser motivo de discussão ou discórdia.

Greta garante que não há motivos para esperança ou otimismo, mas «ninguém é demasiado pequeno para fazer a diferença.» 
Em A Nossa Casa Está a Arder, escrito pela ativista sueca em colaboração com a família, é tão audível quanto confrangedor o grito de socorro de quem mudou de vida e espera que o mundo faça o mesmo.

Mas ninguém vá ao engano: isto não é uma autobiografia.
«As autobiografias não me interessam para nada. As coisas importantes para mim são outras», assume Greta sem pruridos.

O problema é real e o alerta está dado. Será que ainda vamos a tempo de salvar o planeta?
«Há quem goze comigo por causa do meu diagnóstico. Mas a síndrome de Asperger não é uma doença, é um dom»
Greta Thunberg acredita que os países ricos devem tomar medidas urgentes, reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa em pelo menos 15% todos os anos, seguindo o estipulado no Acordo de Paris e no Protocolo de Quioto.
Mas a mudança também acontece esfera de ação individual. Eis alguns exemplos do que podemos e devemos fazer:

- tomar banhos mais curtos
- comer menos carne
- produzir menos lixo e evitar o desperdício
- andar menos de avião; não andar em trajetos curtos
- não fazer compras inúteis
EXCERTO DO LIVRO
«Chamo-me Greta Thunberg. Sou uma ativista sueca pelo clima.

Quando tinha mais ou menos oito anos, ouvi falar pela primeira vez de uma coisa chamada alterações climáticas, ou aquecimento global. Pelo que percebi, tratava-se de uma coisa que os seres humanos tinham criado por causa do seu modo de vida. Disseram-me para desligar as luzes para poupar energia e para reciclar papel de modo a poupar recursos.
Lembro-me de ter pensado que era muito estranho que os seres humanos, uma espécie animal entre tantas outras, tivessem capacidade para alterar o clima da Terra. Porque, se tivéssemos mesmo essa capacidade e se isso estivesse realmente a acontecer, não se poderia falar de outra coisa. Assim que ligássemos a televisão, só ouviríamos falar disso. Nas notícias, nas estações de rádio, nos jornais. Nunca leríamos nem ouviríamos falar de mais nada. Seria como se estivesse a decorrer uma guerra mundial.
Mas... Ninguém falava disso. Nunca.
Se queimar combustíveis fósseis era assim tão mau, ao ponto de ameaçar a nossa própria existência, como é que as pessoas conseguiam continuar a agir como antes? Porque não havia restrições? Porque não passava a ser ilegal fazê-lo?
Para mim, nada daquilo fazia sentido. Era demasiado absurdo.

(…)

Muita gente diz que a Suécia é um país pequeno, que pouco importa o que nós fazemos. Mas eu acho que, se umas quantas crianças conseguem ser notícia em todo o mundo só por faltarem às aulas durante algumas semanas, então imaginem o que conseguiríamos fazer todos juntos se quiséssemos.

(…)

Há trinta anos que andam a fazer discursos motivacionais e a tentar vender-nos ideias positivas. Tenho muita pena, mas isso não funciona. Porque, se tivesse funcionado, as emissões já teriam baixado por esta altura. E não baixaram.

(…)

Atualmente, consumimos cem milhões de barris de petróleo por dia. Não existem políticas para mudar esta prática. Não existem regras que obriguem a manter esse petróleo no subsolo. Por isso, não conseguimos salvar o mundo seguindo as regras. Porque as regras têm de mudar.»
Greta Thunberg discursa no Parlamento Europeu | via Guardian News
A jovem ambientalista foi capa da revista TIME em maio deste ano

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