A Disney faz 100 anos!

Por Vera Dantas
3 de outubro de 2023
A 16 de outubro de 1923, nascia a The Walt Disney Company. Foi há 100 anos e, desde então, o que começou como um pequeno estúdio formado por dois amigos, tornou-se numa das maiores empresas de media e de entretenimento do mundo, revolucionando os desenhos animados e criando uma nova forma de arte cinemática.
Esta é a sua história.
 
UMA VOCAÇÃO INATA
Walt Elias Disney nasceu a 5 de dezembro de 1901, em Chicago. A imaginação, a criação e a invenção sempre fizeram parte da sua maneira de ser, dando-lhe o impulso para a sua incrível jornada, de pioneiro dos filmes de animação e criador de personagens de desenhos animados como o Rato Mickey e o Pato Donald, a produtor de cinema e fundador da Disneylândia.
Walt Disney
Walt Disney
Quando se mudou com a família para Kansas City, o jovem Walt estudou animação numa escola por correspondência e, mais tarde, frequentou aulas no instituto de arte e design da cidade. De regresso a Chicago, esperava trabalhar como cartoonista num jornal, mas a I Guerra Mundial interrompeu os seus esforços, levando-o a ser condutor de ambulâncias para a Cruz Vermelha, em França e na Alemanha. Quando volta aos EUA, com apenas 18 anos, arranjou emprego como desenhador e pintor em estúdios de design gráfico. Era apenas um trabalho em part-time, mas foi graças a ele que conheceu Ub Iwerks, um jovem artista cujos talentos contribuíram grandemente para o sucesso inicial de Walt.
Mickey Mouse
Imagem de The Wonderful World of Mickey Mouse ©Disney
Imagem de The Wonderful Autumn of Mickey ©Disney
OS PRIMEIROS DESENHOS ANIMADOS
Juntos, Walt e Ub montaram um pequeno estúdio próprio em 1922, onde realizaram uma série de desenhos animados chamados Laugh-O-grams e o filme-piloto de uma série curtas de sete minutos que combinava ação ao vivo e animação, Alice in Cartoonland. Mas nem tudo correu bem. Enganados por um distribuidor de filmes de Nova Iorque, os jovens produtores viram-se obrigados a abrir falência, um ano apenas após começarem.
Perante este difícil imprevisto, Walt mudou-se para a Califórnia para se tornar cineasta, mas todas as portas se fechavam aos seus intentos. Quando a curta de Alice alcançou um sucesso surpreendente, o criativo voltou, com o seu irmão e parceiro de negócios para a vida Roy, a abrir estúdio em Hollywood. Aí, a criatividade visionária de Walt – e a sua capacidade para as vendas – encontrou, mais uma vez, o complemento perfeito na qualidade, flexibilidade e rapidez de execução artística de Ub. Juntos, testam uma nova personagem: um rato alegre, enérgico e travesso chamado… Mickey!
O Rato Mickey e a sua namorada, Minnie, conquistam de rajada um público fiel, encantado com a fantasia destas pequenas criaturas com fala (a voz do Mickey era a do próprio Walt Disney, até 1947), capacidades e traços de personalidade humanos. Este êxito levou à invenção de outras personagens animais, como o Pato Donald e os cães Pluto e Pateta, que são, desde então, ícones adorados por sucessivas gerações em todo o mundo.
LONGAS-METRAGENS DE ANIMAÇÃO
Mas Walt queria ir mais longe, e elevar a animação a uma forma de arte como nunca antes ninguém tentara. Lança-se então num ambicioso projeto de adaptação do clássico conto de fadas Branca de Neve e os Sete Anões (1937) ao cinema. A tarefa exigiu um grande esforço de organização e coordenação de talentos, uma tarefa para a qual o estúdio Disney estava à altura. Walt queria que as personagens fossem credíveis e expressivas, por isso contratou atores para representarem ao vivo as cenas do filme, e gravou as suas vozes e movimentos. O resultado foi impressionante e inovador, e o filme recebeu a ampla aclamação da crítica e do público. Afastando-se do âmbito e das técnicas das curtas-metragens, Walt demonstrou a eficácia da animação como veículo para histórias de longa-metragem.
Abrira-se toda uma nova via para os estúdios, que pouco depois produziram as icónicas longas-metragens Pinóquio (1940), Dumbo (1941), Bambi (1942), Cinderela (1950), Alice no País das Maravilhas (1951) e Peter Pan (1953). A veia artística e sem paralelo de Walt Disney deu também origem a um filme sem precedentes e de invulgar beleza: Fantasia (1940), no qual figuras de desenhos animados e padrões de cor eram animados ao som de música de Igor Stravinsky, Paul Dukas, Piotr Ilitch Tchaikovsky e outros grandes compositores – uma obra de arte em múltiplas camadas, que à visão alia o sentido da audição para um efeito grandioso, e que foi sucedido por um segundo filme, o Fantasia 200.
Excerto do livro Branca de Neve, Everest Editora, 2008 ©Disney
Imagem do filme Fantasia 2000, uma obra-prima da ©Disney
Os estúdios Disney estiveram entre os primeiros a prever o potencial da televisão como meio de entretenimento popular e a produzir programas específicos para TV – que hoje continuam a cativar audiências.
Depois de tantos êxitos alcançados, o auge da carreira de Walt Disney como produtor deu-se com o lançamento, em 1964, do filme Mary Poppins, um fenómeno além-fronteiras.
Empreendedor nato, o dom de Walt Disney para estar em sintonia com o gosto popular inspirou-o ainda a desenvolver o parque de diversões Disneyland, em Los Angeles. Pensado para divertir "crianças de todas as idades", este e os parques que se lhe seguirem refletem a predisposição do seu criador para a fantasia e a nostalgia.
Para se juntar à celebração da efeméride, contamos-lhe ainda que esta irá estrear Once Upon a Studio, uma curta-metragem especial que reúne algumas das personagens mais emblemáticas da Disney – do Mickey à Moana –, que se juntam para tirar uma fotografia de grupo em honra do centésimo aniversário da empresa. A estreia é dia 15 de outubro no canal norte-americano ABC, mas vale a pena espreitar já o trailer:
Trailer da curta Once Upon a Studio, um divertido filme sobre os 100 anos da Disney.

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