Entrevista a Miguel-Manso

Miguel-Manso gostaria muito de ser convidado a residir como poeta na NASA. Colocado voluntariamente à margem do mundo editorial, Miguel-Manso é autor de uma poesia ‘beat’, uma poesia para a qual se vai a pé. Tivemos a oportunidade de falar com o autor. Descubra tudo o que ele nos contou.
Escrever: dá energia ou tira energia?
Às vezes dá, outras vezes tira.

Escreveu: “o poema é antes de tudo um palco para gestos simples eu rego as flores de Junho”. Em que momento descobriu que tinha um poeta dentro de si?
É porventura congénito, e requer o mínimo de alarido.

Pense numa pessoa. Wook diria essa pessoa sobre o seu último livro?
Goethe. Pediria talvez: menos luz.
Entrevista ao poeta Miguel Manso
O autor, Miguel-Manso


Considera que o seu último livro é o melhor que escreveu até hoje?
Interessam-me os livros quando ainda não são nem livros nem meus. Uma vez coisificados, o único que há a fazer é emendar e/ou perdoar-lhes.

Escolhe os temas dos livros ou os temas escolhem-no a si?
É um flirt mútuo, estou em crer.

Há algum tema sobre o qual não goste de ler ou escrever?

Com algumas (pouco honrosas) excepções: escrevo o que posso e leio o que quero.

Wook está na sua mesa de cabeceira?

O caos, e o Guimarães Rosa.

Há um provérbio sueco que diz: “Quando o livro é bom, o melhor está nas entrelinhas”. Concorda?

Concordo. E concordaria também com este, que acabo de inventar: “Quando o autor é bom, o melhor não vem nas entrevistas”.

Já alguma vez sentiu que não vai conseguir acabar de escrever um livro?

Geralmente acontece quando tenho de apanhar um avião.

Qual é o seu poema favorito?

Não tenho um. Nem poema, nem livro, nem autor. Tudo é demasiado impermanente para merecer o esforço da circunscrição.

Nomeie uma coisa que não gosta que lhe digam.

Tenho problemas com acusações de culpa, sobretudo se for realmente o culpado.

Qual a pior e a melhor parte de ser escritor?

Teremos de apontar, já se vê, o poucochinho dinheiro. Mas isso é ao mesmo tempo a pior e a melhor parte de ser um escritor (de poemas).

Se o dinheiro não fosse uma condicionante, onde optaria por fazer a pesquisa do seu próximo livro?

Gostaria muito de ser convidado a residir como poeta na NASA.

Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?

Matsuo Bashô, por exemplo, e sem falarmos muito.

Se tivesse um superpoder, qual seria?

Iluminação de interiores.

Wook gostaria de ler sobre si?

Sobre mim, nada. Dos livros, apenas o que fosse justo, por um lado; por outro, alguma coisa que mos clarificasse ou transformasse.

Que livros tiveram um profundo efeito em si?

Não posso dizer nada. Das perguntas comuns e anódinas esta é das que mais interfere com a intimidade.

Wook mal pode esperar para ler?

Não ter pressa, não perder tempo (já dizia o outro). O que tiver de ler lido será.

Wook tem vergonha de nunca ter lido?

É bom ter vazios, lacunas, preguiças, desencontros. É bom ter vergonha.

Projetos para o futuro?

O futuro tornou um estaleiro. Já só dá para fazer projectos para o passado.

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