6 livros especiais para celebrar o Dia Mundial do Livro
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23 de abril de 2024
Pode custar a acreditar para quem hoje vive em liberdade, mas houve quem tivesse de arriscar a vida pelos livros. E ainda há. Por isso, nunca é demais ler histórias sobre guardiões deste objeto que nos transporta para outros mundos.
Esta é uma história empolgante que homenageia uma organização da vida real que ajudou a transportar livros para os soldados durante a II Guerra Mundial, o Council of Books in Wartime.
Quando, em 1933, a escritora norte-americana Althea James (chamada assim em homenagem à verdadeira Althea Warren, responsável pela importante Victory Book Campaign), é convidada a participar num programa de intercâmbio cultural de Joseph Goebbels, fica encantada com a beleza de Berlim. Mas, quando conhece uma atriz sua conterrânea, descobre o lado alternativo da cidade, incluindo a resistência anti-nazi, e percebe aquilo que o regime realmente representa. Três anos depois, Hannah chega a Paris fugida de Berlim, assustada pelo antissemitismo de que pensava ter fugido, e dedica-se à Biblioteca Alemã de Livros Queimados. Em Nova Iorque, em 1944, Vian Childs, cujo marido morreu a combater contra os nazis, desdobra-se para fazer chegar livros aos soldados no campo de batalha. Ao impor-se contra as tentativas de censura de um senador quanto aos livros a enviar, depara-se com segredos que farão com que a sua vida se cruze com as das outras duas mulheres desta história, e nada ficará na mesma…
Awui temos um relato real, escrito na primeira pessoa. Alba Donati trabalhou 25 anos numa importante editora italiana, porque, realmente, adora livros. Mas havia algo que lhe faltava, um sonho que alimentava desde criança. Em 2019, decidiu regressar ao lugar onde cresceu, a pequeña aldeia de Lucignana, na região da Toscana, com apenas 180 habitantes, para concretizar um projeto que todos viam como impossível: abrir, ali mesmo, uma livraria. Um crowdfunding, um incêndio e uma pandemia depois, consegue finalmente tornar o seu sonho realidade, e hoje a livraria é destino de visitantes de muitas paragens. Conseguiu fazer as pazes com passado – ela era uma menina muito infeliz, que vivia numa casa gelada no inverno, com umas escadas que ameaçavam ruir de cada vez que subia para o seu quarto. Mas, quando lá chegava, estava no seu reino, com os (poucos) livros que lhe iam oferecendo. Neste livro, vai percorrendo os dias na aldeia – entre recomendações de leitura, encomendas e ideias para tornar a sua livraria num lugar único – e as memórias, nesse e noutros lugares da sua vida.
Passemos agora para a pura ficção.
Agnes Martí, uma arqueóloga espanhola que emigrou para Londres com a esperança de trabalhar no Museu Britânico, tem de encontrar uma forma de se sustentar se não quiser voltar para casa dos pais com as suas malas. Por sorte, encontra a livraria do Sr. Livingstone, e este contrata-a como sua assistente.
Aos poucos, Agnes vai conhecendo várias pessoas que se tornam seus melhores amigos: um livreiro tão terno quanto misógino, uma criança dotada – cujos pais, demasiado ocupados, a abandonam todas as tardes na livraria –, um escritor errante, um alfaiate que é o modelo de cavalheiro britânico, um editor boémio. Mas, um dia, um dos livros mais precisosos da livraria desaparece. A chegada do inspetor da polícia, John Lockewood, para investigar o caso, vem agitar os dias tranquilos de Agnes.
Entramos agora no domínio da ficção japonesa, com um livro que já fez as delícias de muitos leitores-sonhadores. É no coração de Tóquio que a magia acontece: numa pequena biblioteca comunitária, a senhora Sayuri Komachi vai alternando entre teclar velozmente no computador e fazer pequenas e amorosas figuras em feltro que oferece aos leitores. Simpática e muito sensível aos problemas emocionais que os seus clientes estão a enfrentar, ela pergunta a cada um, com a sua voz magnética: «O que é que procura?». E todos acabam por lhe confessar os seus sonhos mais secretos. Depois, sugere-lhes uma lista de livros que, à primeira vista, nada têm a ver com o que eles procuram. Mas a verdade é que acerta em cheio, mesmo com livros infantis e de poesia, dos quais os leitores retiram importantes lições par as suas vidas, mostrando-lhes novas possibilidades.
Esta é uma fábula dos tempos modernos para quem gosta de gatos e de livros. Sim, temos aconchego e ternura com fartura, mas também aventura. Rintaro cresceu na Livros Natsuki, uma pequena livraria alfarrabista nos arrabaldes da cidade, fundada pelo seu avô. Desde pequeno, vivia feliz no meio de pilhas de livros que chegam ao tecto. Agora que o avô morreu e lhe deixou a livraria, Rintaro, ainda um jovem estudante de liceu, sente-se triste e sozinho. Só mesmo algo muito especial poderá ajudá-lo, e eis que aparece Tigre, um gato malhado falante! O felino pede-çhe ajuda para salvar livros não lidos e não amados dos seus donos negligentes. O jovem aceita e partem juntos em viagens mágicas repletas de aventura. No final, Rintaro irá ter de enfrentar, sozinho, o desafio final.
Uma menina navega em sua jangada através de um mar de palavras, até chegar à casa de um menino. Aí, convida-o a partir com ela numa aventura onde poderão viajar por florestas de contos de fadas, atravessar montanhas de faz-de-conta e dormir em nuvens de canções. É uma viagem fabulosa, através de paisagens formadas pela tipografia das páginas de dezenas de histórias infantis clássicas. Num universo assim, tudo, mas tudo mesmo, pode acontecer.
A belíssima arte de Sam Winston e a história tão simples e bem-humorada quanto repleta de significados de Oliver Jeffers (sim, o autor da série protagonizada pelos engraçados lápis) juntam-se para homenagear as histórias que nos guiam pela vida fora.