E Deixei de Te Chamar Papá, um dilacerante relato do caso Pelicot
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11 de fevereiro de 2025
No auge da pandemia de COVID19, em novembro de 2020, Caroline Darian recebe uma chamada que vai virar a sua vida do avesso. O seu pai – Dominique Pelicot – está em prisão preventiva, e a investigação rapidamente revela um horror de que ninguém suspeitava: durante 10 anos, ele drogara a sua mulher, Gisèle, deixando-a inconsciente e convidando desconhecidos a dela abusarem sexualmente. Diante desta verdade inimaginável, a autora conta o apocalipse pessoal que seguiu a descoberta. Como se enfrenta o impensável quando vem de alguém que se amou, do próprio pai?
Ainda a lidar com o choque, a filha de Dominique e Gisèle Pelicot decidiu apresentar o seu testemunho sob a forma de um diário, que começa no momento em que recebe uma chamada da polícia de Carpentras, França. O que torna este diário de revelações tão interessante é a forma como ele revela o processo de transição para uma nova vida, quando todo o passado parece desmoronar-se numa pilha de mentiras. Como filha, exprime como admira a bravura da mãe, e como esta conseguiu continuar a agarrar-se à vida e a momentos de alegria, apesar de um sofrimento incomensurável.
Ainda a lidar com o choque, a filha de Dominique e Gisèle Pelicot decidiu apresentar o seu testemunho sob a forma de um diário, que começa no momento em que recebe uma chamada da polícia de Carpentras, França. O que torna este diário de revelações tão interessante é a forma como ele revela o processo de transição para uma nova vida, quando todo o passado parece desmoronar-se numa pilha de mentiras. Como filha, exprime como admira a bravura da mãe, e como esta conseguiu continuar a agarrar-se à vida e a momentos de alegria, apesar de um sofrimento incomensurável.
Este livro não é um romance, mas um relato pessoal pungente e honesto, um testemunho precioso sobre um caso que ainda não estava a ser amplamente divulgado quando foi escrito. Quase poderia ser uma narrativa de true crime, mas, infelizmente e como este caso mais uma vez comprova, a realidade suplanta a ficção. E esta realidade é a do doloroso e inconcebível flagelo que atingiu uma família, e que lhe deixará marcas para sempre.
O relato de Caroline enfatiza o lado "homem comum" dos agressores. Seria mais confortável acreditar que tais atos são cometidos por monstros ou por pessoas desviantes. No banco dos réus do processo Pelicot (e na sombra, já que muitos não foram sequer investigados), estão homens de todas as idades, origens e classes sociais. Ao longo do livro, alerta para os perigos da submissão química, uma forma de violação acessível a qualquer pessoa a partir dos produtos que se encontram em qualquer casa, e que afeta desde crianças a idosos.
Após três meses e 17 dias de um julgamento histórico, o tribunal criminal considerou todos os 51 réus culpados, com penas de prisão aplicadas caso a caso. Dominique Pelicot foi condenado a 20 anos de prisão em França pelos crimes de violação sexual contra a sua mulher. Caroline, entretanto, fundou a associação #Mendorspas: Stop Chemical Submission, iniciando uma nova batalha para falar em nome das vítimas invisíveis. Este livro é, por si só, um punho erguido contra os abusos e o silenciamento dos que os sofreram.
O relato de Caroline enfatiza o lado "homem comum" dos agressores. Seria mais confortável acreditar que tais atos são cometidos por monstros ou por pessoas desviantes. No banco dos réus do processo Pelicot (e na sombra, já que muitos não foram sequer investigados), estão homens de todas as idades, origens e classes sociais. Ao longo do livro, alerta para os perigos da submissão química, uma forma de violação acessível a qualquer pessoa a partir dos produtos que se encontram em qualquer casa, e que afeta desde crianças a idosos.
Após três meses e 17 dias de um julgamento histórico, o tribunal criminal considerou todos os 51 réus culpados, com penas de prisão aplicadas caso a caso. Dominique Pelicot foi condenado a 20 anos de prisão em França pelos crimes de violação sexual contra a sua mulher. Caroline, entretanto, fundou a associação #Mendorspas: Stop Chemical Submission, iniciando uma nova batalha para falar em nome das vítimas invisíveis. Este livro é, por si só, um punho erguido contra os abusos e o silenciamento dos que os sofreram.