«Hora de Luz» e «Fim de Dia», de Georg Trakl
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25 de fevereiro de 2026
Georg Trakl (1887-1914), nascido em Salzburg, na Áustria, foi um dos mais destacados poetas do expressionismo alemão. Os seus tormentos pessoais, da família à guerra, fizeram dele o principal poeta austríaco sobre os temas da decadência e da morte, tendo influenciado os poetas germânicos das gerações seguintes.
Os versos intensos de Trakl misturam lamentações pelo presente com saudades de um passado bucólico. Grande parte da sua obra está repleta de desesperança e imagens sombrias e perturbadoras.
Crepúsculo de Outono, acabado de lançar pela Assírio & Alvim, reúne a poesia completa de Trakl, numa edição que conta com a tradução, introdução e notas de João Barrento.
Escolhemos dois poemas em que a luz ainda consegue romper a escuridão.
HORA DE LUZ
Há flautas no monte baço,
Faunos nos charcos espreitando,
Onde, entre juncos e sargaço,
Esbeltas ninfas estão dormindo.
No lago de águas paradas
Vês douradas mariposas,
E em ervas aveludadas
Um bicho de duas costas.
No bosque de bétulas ressoam
De Orfeu balbucios de amor,
E em leve gracejo ecoam
Rouxinóis a acompanhar.
Febo põe uma chama a arder
Na boca da bela Afrodite,
E, banhada em odores de âmbar,
Avermelha a hora. É noite.
FIM DE DIA
À tarde o céu pesado escurecia.
E pelo bosque de silêncio e tristeza
Passava um ar dourado de frieza.
Ao longe ouviam-se sons de fim do dia.
A terra água gelada foi beber,
Junto da mata extinguia-se um fogo,
Com voz de anjo o vento entrava em seu jogo
E eu caí de joelhos a tremer
No meio da urze, do agreste agrião.
Longe pairavam as manchas prateadas
Das nuvens, vigias do amor abandonadas.
A charneca era um mar de solidão.
Georg Trakl, Crepúsculo de Outono – Poesia Completa, Assírio & Alvim, fevereiro de 2026, pp. 303 e 305
Os versos intensos de Trakl misturam lamentações pelo presente com saudades de um passado bucólico. Grande parte da sua obra está repleta de desesperança e imagens sombrias e perturbadoras.
Crepúsculo de Outono, acabado de lançar pela Assírio & Alvim, reúne a poesia completa de Trakl, numa edição que conta com a tradução, introdução e notas de João Barrento.
Escolhemos dois poemas em que a luz ainda consegue romper a escuridão.
HORA DE LUZ
Há flautas no monte baço,
Faunos nos charcos espreitando,
Onde, entre juncos e sargaço,
Esbeltas ninfas estão dormindo.
No lago de águas paradas
Vês douradas mariposas,
E em ervas aveludadas
Um bicho de duas costas.
No bosque de bétulas ressoam
De Orfeu balbucios de amor,
E em leve gracejo ecoam
Rouxinóis a acompanhar.
Febo põe uma chama a arder
Na boca da bela Afrodite,
E, banhada em odores de âmbar,
Avermelha a hora. É noite.
FIM DE DIA
À tarde o céu pesado escurecia.
E pelo bosque de silêncio e tristeza
Passava um ar dourado de frieza.
Ao longe ouviam-se sons de fim do dia.
A terra água gelada foi beber,
Junto da mata extinguia-se um fogo,
Com voz de anjo o vento entrava em seu jogo
E eu caí de joelhos a tremer
No meio da urze, do agreste agrião.
Longe pairavam as manchas prateadas
Das nuvens, vigias do amor abandonadas.
A charneca era um mar de solidão.
Georg Trakl, Crepúsculo de Outono – Poesia Completa, Assírio & Alvim, fevereiro de 2026, pp. 303 e 305