Luís Louro vence prémio de melhor Banda Desenhada no Amadora BD 2025

Vera Dantas
30 de outubro de 2025
No ano em que celebra 40 anos de carreira artística, Luís Louro acaba de ser distinguido com o prémio de Melhor Álbum de Banda Desenhada de Autor Português, por Os Filhos de Baba Yaga, das editoras Seita e Arte de Autor.
Desde 1965 até hoje, o ilustrador criou obras tão icónicas para os fãs de BD como Jim Del Mónaco, O Corvo, Alice e Coração de Papel. Assumindo o domínio integral do processo criativo enquanto desenhador, argumentista, colorista, compositor gráfico e legendador, Louro criou algumas das personagens mais icónicas da BD nacional.
Com cerca de 50 livros publicados, Luís Louro tem mantido uma produção constante e diversificada, que em abril deste ano culminou na publicação de Os Filhos de Baba Yaga, um marco de maturidade artística. Nesta história, nas florestas da frente russa da Segunda Guerra Mundial, onze crianças órfãs unem-se para sobreviver à fome, à violência e ao frio. Uma obra em que o virtuosismo gráfico do autor alterna momentos de maior violência, de traço expressivo em cores densas, com páginas de contemplação visual.
Criado em 1990, o Amadora BD é uma iniciativa da Câmara Municipal da Amadora dedicada à promoção BD, com um programa anual que reúne autores, editores, agentes e colecionadores de várias nacionalidades, promovendo sessões de autógrafos, exposições, lançamentos e oficinas. Os Prémios de Banda Desenhada da Amadora distinguem, todos os anos, autores consagrados e novos talentos do mundo da BD. Conheça também os outros artistas distinguidos este ano:
MELHOR OBRA ESTRANGEIRA DE BANDA DESENHADA EDITADA EM PORTUGAL
O Meu Irmão, de Jean-Louis Tripp, publicado pela Ala dos Livros, venceu, além deste prémio, o de Melhor Edição Portuguesa de Banda Desenhada.
Esta obra é um relato pessoal, profundamente íntimo e comovente, de uma tragédia que marcou o autor. Em agosto de 1976, durante umas férias em família na Bretanha, o irmão mais novo de Jean-Louis Tripp, Gilles, foi atropelado e morto por um condutor que fugiu. Tinha apenas onze anos. Neste livro, o autor regressa a esse momento que mudou para sempre a sua vida e a dos deus familiares, revisitando memórias e emoções ligadas à perda. Através dessa viagem interior, partilha a dor e a busca por serenidade. A edição portuguesa da Ala dos Livros inclui ainda um caderno extra, onde Tripp relata em primeira pessoa as recordações do acidente e o processo de criação desta obra singular.
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PRÉMIO REVELAÇÃO
Tales from Nevermore, de Pedro N. e Manuel Monteiro, Ala dos Livros, mereceu o Prémio Revelação da mostra.
Neste belíssimo livro, Vincent, o corvo, guia-nos pelo misterioso cemitério de Nevermore, revelando as histórias sombrias que se escondem nas suas campas. Tales from Nevermore reúne seis contos curtos de terror — feitos de amor, traição, ciúme, ganância e arrependimento — todos com finais inesperados e obscuros, numa reminiscência dos grandes clássicos deste género. As ilustrações de um forte contraste e um traço artístico magnífico, transmitem uma atmosfera gótica que agarra o leitor, à medida que Vincent procura novos residentes para preencher o seu cemitério.
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TROFÉU DE HONRA
O certame prestou uma justa homenagem ao argumentista Filipe Duarte Pina, atribuindo-lhe, a título póstumo, o Troféu de Honra, «pela qualidade e relevância da sua obra para a banda desenhada nacional», nomeadamente pelo álbum BRK, com desenho de Filipe Andrade, e Macho-Alfa, com desenho de Osvaldo Medina.
Filipe Duarte Pina morreu em Julho passado, aos 46 anos. Foi um criador pioneiro nos videojogos e na banda desenhada portuguesa. Cofundador da Seed Studios e da Nerd Monkeys, desenvolveu jogos para várias plataformas, incluindo Playstation e Nintendo DS. Como argumentista, destacou-se com BRK, ilustrada por Filipe Andrade, e venceu o Prémio Amadora BD de Melhor Argumento de Álbum Português pela curta Monstros, em parceria com Nuno Lourenço Rodrigues.
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MENÇÃO HONROSA
Madeleine conhece pouco sobre Portugal — apenas Cristiano Ronaldo, algumas piadas e a língua, aprendida com o pai, que, apesar disso, se recusa a falar da infância sob o salazarismo. Como o pai não a ajuda a satisfazer a sua curisidade sobre as suas origens, ela decide procurar respostas junto dos amigos portugueses emigrados. Entre Paris e Lisboa, vai reunindo as suas histórias e, pouco a pouco, descobre tanto o passado de Portugal como sobre si própria.

O Prémio de Melhor Fanzine / Publicação Independente foi atribuído a Tuas Palavras São Minhas, de Ana Margarida Matos.
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