«A saia do sonho»
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27 de março de 2026
Autor de diversas plaquetes e opúsculos desde 2021 — sempre em edição de autor — Bernardo Maria Salgado destaca-se como uma figura singular na poesia contemporânea. Jovem, sem passagem pelo circuito editorial comercial, dedica-se exclusivamente ao soneto, reunindo um grupo sólido de leitores fiéis.
Em 77 Sonetos para Um Ensaio-Geral, a sua estreia na Assírio & Alvim, habitam, entre voltas e reviravoltas, um bailado de touros, deuses ibéricos e outros tantos motes de engenho em dois atos.
A SAIA DO SONHO
Se vagueio na areia de uma praia
estarei caminhando entre montanhas;
se me virem dormindo numa cama
estarei levantando ao sonho a saia.
Se me virem bordando uma cambraia
bordarei o desenho desta sanha
de viver a aflição de ser a rama
e nunca a raiz grande da araucária.
Se tiverem meu rosto por descrente
verdadeiro será quando chorando,
verdadeiro serei quando cadente.
E enquanto eu bordar este branco pano,
se me virem sorrindo vagamente
sob a saia da ideia estou sonhando.
Bernardo Maria Salgado, 77 Sonetos para um Ensaio-Geral, Assírio & Alvim, março de 2026, p. 61.
Em 77 Sonetos para Um Ensaio-Geral, a sua estreia na Assírio & Alvim, habitam, entre voltas e reviravoltas, um bailado de touros, deuses ibéricos e outros tantos motes de engenho em dois atos.
A SAIA DO SONHO
Se vagueio na areia de uma praia
estarei caminhando entre montanhas;
se me virem dormindo numa cama
estarei levantando ao sonho a saia.
Se me virem bordando uma cambraia
bordarei o desenho desta sanha
de viver a aflição de ser a rama
e nunca a raiz grande da araucária.
Se tiverem meu rosto por descrente
verdadeiro será quando chorando,
verdadeiro serei quando cadente.
E enquanto eu bordar este branco pano,
se me virem sorrindo vagamente
sob a saia da ideia estou sonhando.
Bernardo Maria Salgado, 77 Sonetos para um Ensaio-Geral, Assírio & Alvim, março de 2026, p. 61.