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Eclipse Solar 2026: o que vai acontecer em Portugal?

publicado a 17 de julho de 2026, atualizado a 17 de julho de 2026

Tudo o que precisa de saber sobre um dos acontecimentos astronómicos mais aguardados dos últimos 100 anos.

Eclipse Solar em Portugal

A 12 de agosto de 2026, Portugal vai voltar a viver um dos fenómenos astronómicos mais raros que é possível observar a partir da Terra. Pela primeira vez desde 1912, uma pequena área do país ficará na trajetória da sombra da Lua e poderá assistir a um eclipse solar total. No restante território, o fenómeno será parcial, embora em muitas regiões mais de 90% do Sol fique ocultado.

Depois deste eclipse, será preciso esperar até 2144 para voltar a observar um eclipse solar total em território nacional.

Mas afinal, o que é um eclipse solar? Porque é que nem toda a gente vai observar o mesmo fenómeno? E porque é que milhares de pessoas percorrem centenas de quilómetros para assistir a um acontecimento que dura menos de meio minuto?

O que é um eclipse solar?

Um eclipse solar acontece quando a Lua passa exatamente entre a Terra e o Sol.

Durante alguns minutos, a Lua interpõe-se entre os dois astros e projeta a sua sombra sobre uma pequena zona da Terra. Quem estiver nessa área vê o Sol desaparecer total ou parcialmente. Quem estiver fora dela observa apenas um eclipse parcial ou, dependendo da localização, pode nem notar qualquer diferença.

Embora a explicação pareça simples, o alinhamento necessário para que um eclipse aconteça é extremamente preciso. A Lua tem um diâmetro cerca de 400 vezes inferior ao do Sol, mas está também aproximadamente 400 vezes mais próxima da Terra. Esta coincidência faz com que ambos pareçam ter praticamente o mesmo tamanho quando vistos a partir da Terra, permitindo que, durante alguns instantes, a Lua consiga ocultar completamente o Sol.

Segundo a Infopédia, dicionário online da Porto Editora, um eclipse corresponde à "ocultação total ou parcial de um astro pela interposição de outro entre ele e o observador". No caso do eclipse solar, trata-se da "ocultação total ou parcial do Sol pela Lua".

É este alinhamento improvável que torna o eclipse solar um dos fenómenos naturais mais impressionantes que podem ser observados a partir da Terra.

Que tipos de eclipse solar existem?

Nem todos os eclipses solares são iguais. Dependendo da posição da Lua na sua órbita e da localização do observador, distinguem-se quatro tipos de eclipse solar.

1. Eclipse solar total

É o tipo de eclipse mais raro e também o mais impressionante.

Durante alguns segundos ou minutos, a Lua oculta completamente o Sol. É apenas nesta fase que se tornam visíveis fenómenos como a coroa solar, as Pérolas de Baily e o Anel de Diamante, impossíveis de observar durante um eclipse parcial.

É também o tipo de eclipse que mais desperta o interesse de astrónomos e entusiastas da astronomia.

2. Eclipse solar parcial

Num eclipse parcial, a Lua oculta apenas uma parte do Sol.

É este o fenómeno que será observado na maior parte de Portugal no dia 12 de agosto de 2026.

Mesmo quando mais de 90% do Sol fica ocultado, continua a existir luz suficiente para impedir a observação dos fenómenos característicos de um eclipse total.

3. Eclipse solar anular

O eclipse anular acontece quando a Lua está mais afastada da Terra e, por isso, parece ligeiramente mais pequena do que o Sol.

Mesmo quando os três astros ficam perfeitamente alinhados, a Lua não consegue ocultar totalmente o Sol, permanecendo visível um anel luminoso à sua volta. É por isso que este tipo de eclipse é frequentemente conhecido como "anel de fogo".

4. Eclipse solar híbrido

É um dos tipos mais raros de eclipse solar.

Dependendo da localização do observador, o mesmo eclipse pode ser visto como total ou como anular. Esta diferença resulta da curvatura da Terra e da distância variável entre a Lua e os diferentes pontos da superfície terrestre.

O que vai acontecer em Portugal a 12 de agosto de 2026?

A sombra da Lua vai percorrer milhares de quilómetros antes de chegar a Portugal. O percurso começa no Oceano Ártico, atravessa a Gronelândia e a Islândia, entra em Espanha pelo norte e cruza cidades como Gijón, Bilbau, Saragoça e Valência. Só depois chega ao nordeste transmontano, onde termina.

Os astrónomos chamam faixa de totalidade à estreita zona da Terra onde o Sol fica completamente ocultado pela Lua.

Em Portugal, essa faixa atravessa uma pequena área do Parque Natural de Montesinho, no distrito de Bragança. Guadramil é a principal localidade situada na faixa de totalidade, que passa também nas imediações de Rio de Onor. É nesta estreita zona que será possível observar o Sol completamente ocultado pela Lua.

No resto do território, o eclipse continuará a ser parcial, mesmo quando 95% ou 99% do Sol ficar ocultado. Enquanto existir qualquer porção do disco solar visível, haverá luz suficiente para impedir a observação da coroa solar, do Anel de Diamante e das Pérolas de Baily, fenómenos exclusivos da totalidade.

É precisamente esta diferença, e não apenas a percentagem do Sol ocultada, que leva milhares de pessoas a viajar todos os anos para os poucos locais do mundo onde a sombra da Lua passa durante um eclipse total.

Visibilidade do eclipse
Fonte: https://eclipse2026.pt/

Quando acontece o eclipse?

O eclipse solar de 12 de agosto de 2026 decorrerá ao final da tarde e coincidirá, em grande parte, com o pôr do sol.

Em Portugal continental, os principais momentos do fenómeno serão os seguintes:

Momento Hora
Início do eclipse parcial 18h33m50,8s
Início do eclipse total 19h30m17,0s
Fim do eclipse total 19h30m42,5s
Fim do eclipse parcial 20h23m31,1s
Duração do eclipse total 25,6 segundos

Os horários podem variar ligeiramente consoante o local de observação.

Do início ao fim, o eclipse prolonga-se durante quase duas horas. Já a fase de totalidade dura apenas cerca de 26 segundos. É esse breve intervalo que torna este fenómeno tão especial e faz com que milhares de pessoas atravessem países inteiros para o presenciar.

Como observar o eclipse em segurança?

Observar um eclipse solar é uma experiência única, mas fazê-lo sem proteção adequada pode provocar lesões permanentes na visão.

Durante todas as fases parciais do eclipse é indispensável utilizar óculos próprios para observação solar, com certificação adequada. Óculos de sol comuns, radiografias, vidros escurecidos ou outros métodos improvisados não oferecem proteção suficiente.

Apenas durante os breves segundos de totalidade, e apenas para quem estiver dentro da faixa de totalidade, em Guadramil, é seguro observar o eclipse diretamente, sem proteção.

Se não tiver acesso a equipamento adequado, uma alternativa segura é recorrer à projeção indireta da imagem do Sol ou acompanhar o fenómeno através das transmissões realizadas por observatórios e instituições científicas.

Quer perceber melhor o que vai observar?

Um eclipse solar dura apenas alguns segundos. A curiosidade que desperta pode durar muito mais tempo.

Se quer compreender melhor porque acontecem os eclipses, como se formou o Sistema Solar ou porque é que a Lua consegue ocultar o Sol de forma tão precisa, há livros que ajudam a responder a estas perguntas.

Para os mais novos, existem obras ilustradas que explicam estes fenómenos de forma simples e acessível. Já para quem pretende aprofundar o tema, a divulgação científica oferece excelentes livros sobre astronomia, exploração espacial e a história da observação do céu:

O Universo para Pessoas com Pressa de Colin Stuart

Uma obra acessível e esclarecedora sobre o Universo.

A Vertigem do Cosmos de Trinh Xuan Thuan

Uma breve história do céu que não se limita aos temas fundamentais, mas celebra também a união escondida no fundo da nossa memória: a aliança eterna entre o homem e o cosmos.

O que Se Passa Acima das Nossas Cabeças de Elisabete da Cunha

Um livro essencial para todos os que querem viajar pelo Universo e compreender a sua imensidão.

As 100 Maiores Curiosidades sobre o Cosmos de Fábio da Silva

Um mapa estelar desenhado não em constelações, mas em perguntas. É uma viagem num universo perpendicular, feito de ângulos diferentes.

O Céu é o Máximo! de Máximo Ferreira

Em O Céu É o Máximo! o leitor sentir-se-á em plena intimidade com galáxias, estrelas e planetas, pela simples razão de saber que são constituídos pelos mesmos elementos que existem nas plantas ou nos animais.

Olha para o Céu Comigo de Jennifer Berne

Acompanha a viagem que Neil fez para descobrir as maravilhas do espaço, o entusiasmo com a ciência e a alegria de partilhar a beleza do nosso fantástico Universo.

Perguntas frequentes sobre o eclipse solar de 2026

O que é um eclipse solar?

Um eclipse solar acontece quando a Lua passa exatamente entre a Terra e o Sol, ocultando total ou parcialmente o disco solar. Dependendo da posição do observador e do alinhamento entre os três astros, o eclipse pode ser total, parcial, anular ou híbrido.

Onde será possível observar o eclipse solar total em Portugal?

A fase de totalidade será visível apenas numa pequena área do Parque Natural de Montesinho, no distrito de Bragança. Atravessa a zona de Guadramil e passa nas imediações de Rio de Onor. Fora dessa estreita faixa, o eclipse será observado de forma parcial.

Quanto tempo dura a fase de totalidade?

A fase de totalidade terá uma duração aproximada de 26 segundos.

É seguro observar o eclipse a olho nu?

Durante a fase parcial, não. É indispensável utilizar óculos próprios para observação solar ou recorrer a métodos de observação indireta. Apenas durante os breves segundos da totalidade (e apenas para quem estiver dentro da faixa de totalidade) é seguro observar o eclipse sem proteção.

Qual é a diferença entre um eclipse total e um eclipse parcial?

Num eclipse total, a Lua oculta completamente o Sol, permitindo observar fenómenos como a coroa solar, o Anel de Diamante e as Pérolas de Baily. Num eclipse parcial, parte do disco solar permanece sempre visível, impedindo a observação desses fenómenos.

Quando foi o último eclipse solar total visível em Portugal?

O último eclipse solar total visível em território português ocorreu em 1912.

Quando será o próximo eclipse solar total em Portugal?

Depois do eclipse de 12 de agosto de 2026, o próximo eclipse solar total visível em território nacional está previsto para 2144.

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