Um Olhar sobre a Pobreza

Vulnerabilidade e exclusão social no Portugal contemporâneo

de Alfredo Bruto da Costa, Paula Carrilho, Pedro Perista e Isabel Baptista
Editor: Gradiva, junho de 2008 ‧
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Em Portugal, a pobreza continua, de modo geral, a ser entendida como fenómeno residual e periférico. Os programas de combate à pobreza têm sido, igual e maioritariamente, residuais e periféricos. São residuais, na medida em que constituem um acrescento marginal às políticas económicas e sociais; e são periféricos porque não atingem os factores estruturais que residem na sociedade dominante (mainstream society).

Este é um livro sobre problemas estruturais da sociedade portuguesa. A «fragilidade» estrutural da sociedade portuguesa ressalta bem evidente no estudo longitudinal da pobreza em Portugal. Com efeito, durante pelo menos um dos anos do período entre 1995 e 2000 passaram pela pobreza 46% de portugueses.

Entendem, pois, os autores que esta deve ser uma dimensão de referência de qualquer plano de combate à pobreza em Portugal, dado que este é um fenómeno seguramente mais extenso do que o retrato instantâneo captado pelas taxas de pobreza anual.

Atendendo à quase manutenção ou redução diminuta da taxa de pobreza em Portugal durante as duas décadas de integração europeia, parece evidente que os consideráveis recursos públicos e privados despendidos durante esse tempo não atingiram as verdadeiras causas da pobreza. É, pois, chegado o momento de uma séria reflexão sobre o assunto.

A precariedade laboral, embora factor de vulnerabilidade acrescida à pobreza, não constitui traço característico da situação laboral da grande maioria das pessoas pobres, pelo que, a este nível, as causas da pobreza devem ser procuradas em aspectos mais profundos do mercado de trabalho.

Por outro lado, são fundamentais medidas decisivas e eficazes que permitam eliminar ou reduzir drasticamente a situação de pobreza dos pensionistas, que representam um terço das pessoas pobres em Portugal.

O estudo põe em evidência que a pobreza, enquanto problema persistente da sociedade portuguesa, exige soluções que dependem não apenas de políticas sociais, certamente indispensáveis, mas também da política económica.


Escasseiam em Portugal os estudos académicos sobre o verdadeiro estado da nossa pobreza. O anterior, coordenado por Alfredo Bruto da Costa e Manuela Silva, datado de 1985, tinha concluído que 48% das famílias portuguesas (ou seja, quase metade da população) eram pobres. Na primeira parte deste livro oa autores começam por definir o que é a pobreza - 'uma situação de privação por falta de recursos' - por contraponto à noção de exclusão social. Na segunda, são apresentados os resultados da investigação, baseada em duas fontes: as estatísticas do INE (dados de 2004) e o inquérito directo. Os autores provam que o drama da pobreza em Portugal está longe de estar resolvido e que as políticas redistributivas são indispensáveis para o combate ao problema.
O estudo faz também a correlação entre a pobreza e o baixo nível de escolaridade. E alerta para o facto dos portugueses ainda considerarem a pobreza como um problema 'residual' ou a consequência de causas extraordinárias (como a sorte ou o 'fatalismo lusitano'). Os autores recordam ainda que apesar do inegável desenvolvimento económico de Portugal nos últimos vinte anos, a taxa de pobreza anual mantém-se na ordem dos 20%. E bastaria uma transferência de 3,5% dos rendimentos dos 'não-pobres' para os pobres lograrem atingir o limiar da pobreza.
Jaime Fidalgo, Os Meus Livros, Agosto 2008

Um Olhar sobre a Pobreza

Vulnerabilidade e exclusão social no Portugal contemporâneo

de Alfredo Bruto da Costa, Paula Carrilho, Pedro Perista e Isabel Baptista

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896162535
Editor: Gradiva
Data de Lançamento: junho de 2008
Idioma: Português
Dimensões: 155 x 229 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 208
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Ciências Sociais e Humanas > Outros
Livros em Português > Ciências Sociais e Humanas > Sociologia
EAN: 9789896162535