Todos os Dias

de Jorge Reis-Sá
Editor: Dom Quixote, Janeiro de 2006 ‧

Um passado marcante originário do mundo rural.

História de uma família nortenha, dos seus sentimentos e contradições face ao presente, moldados por um passado marcante originário do mundo rural. Narração cruzada feita pelos vários elementos duma família. "Todos os Dias" inicia a "Trilogia da Perda", composta por volumes, se comunicantes, de leitura completamente autónoma.
A publicar: "Sobre Todas as Coisas" e "O Amor Todo".


"Através de uma escrita rica, extremamente sensitiva, emocional e profunda o autor consegue moldar-nos o raciocínio e conduz-nos por um dia cheio de recordações e de sentimentos. Cheio como a vida." Susana Nogueira

"Trabalhada a seiva da árvore fundadora de Reis-Sá, restam memórias de muitas ventanias e também esperanças de vida. Talvez a morte seja uma doença da imaginação. Ou talvez a outra face da moeda que nos move. Quem sabe, uma questão de sortilégio... [Quero] pensar como Jorge Reis-Sá: 'não existe vida mais feliz do que aquela que fizemos nossa...' Todos os dias."
António José Teixeira, Diário de Notícias

Todos os Dias

de Jorge Reis-Sá

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722029520
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: Janeiro de 2006
Idioma: Português
Dimensões: 160 x 240 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 180
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722029520
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Magnífico e humanamente denso.

Rui Rodrigues

"Todos os Dias" é o primeiro romance de Jorge Reis-Sá, que terminei recentemente. Jorge Reis-Sá é o responsável pelas Edições Quasi, que é quanto a mim, a melhor e mais estimulante editora no campo da poesia actualmente em Portugal, e tem feito um trabalho magnífico e crucial que deve ser reconhecido, quer no lançamento de novos autores de poesia, quer na reedição de autores clássicos e que se diriam incluídos no “cânone”. E tem também uma outra vertente que a mim me encanta particularmente, a edição de livros compilando letras de cantores, da sua poesia para a música que fazem, dos quais destaco o “Letra Só” de Caetano Veloso e “Na Terra dos Sonhos” de Jorge Palma, e mais recentemente o livro de Leonard Cohen. Quanto ao romance, é um livro muito bonito e comovente, que se lê num sopro. Um livro sobre a perda de pessoas que amamos. Todos os personagens, narradores cada um deles, vão dando a conhecer as suas vidas simples que giram todas em torno de uma ausência que lhes é comum, de uma morte recente, a de Augusto. O livro desenrola-se ao longo de um dia como todos os outros, contado desde a aurora até ao cair da noite, como metáfora da própria vida, por Cidinha (também já morta, mãe de António e avó de Augusto), António e Justina (casados, pais de Fernando e Augusto e avós de Rafael) e Fernando que nos trazem os momentos vividos na casa antes da morte de Augusto, muito mais que os momentos que vivem no presente, sempre agarrados àquela presença que já não é e ao que significou quando ainda era. É um livro sobre pessoas, muito sobre nós; Sobre o que somos na essência, do que somos feitos e do que fazem de nós, da nossa existência inevitavelmente em função do outro, de alguém ou de vários alguéns que nos dão sentido. Existem estas pessoas sobretudo para a perda que sofreram e que não os larga, vivem para e em relação a essa ausência, muito mais do que para si mesmos ou para as suas vidas comuns que se tocam apenas de forma banal, mesmo que quotidianamente juntos. São sobretudo o que perderam naquele neto, filho, irmão, do que propriamente a sua concreta existência. E nem a presença de um menino feliz, o Rafael, parece trazê-los à vida ou ao esquecimento do passado e da perda, em dias que se tornam, todos os dias, demasiados e demasiadamente longos…. Uma escrita muito fiel ao sentir humano, muito real, muito genuína, que chega a fazer-nos esquecer que se trata de ficção, e isso é o que tem de mais magnífico e belo este livro. Além disso, o autor vai buscar expressões, modos de falar e dizer muito fiéis a relações que nos dizem muito e teve a enorme e inexplicável magia de me trazer do baú sentimental que todos temos cá dentro um mundo por mim esquecido mas que ainda guardo, que se resume na passagem em que o menino grita a certo ponto para a avó (como todos gritámos um dia, pequeninos e inocentes): - Bó! (e é este “bó” assim dito, que tanta, tanta coisa me traz…) Perguntando-lhe eu - Que queres? O meu menino, a minha terra. Aquela que nunca ensinei ao Augusto ou ao Fernando, não mo deixou a vida e o trabalho. Mostro-lhe de que é essa terra feita, as galinhas, os bichinhos como ele já diz. Seguro-o à cinta e repito – Este menino é a melhor coisa do mundo que a gente tem. É disto que falo, desta humanidade, desta densidade de universos pessoais tão bem descritos, e é esta uma nova literatura portuguesa que merece ser lida, e é este um dos livros que melhor a representa.

SOBRE O AUTOR

Jorge Reis-Sá

Jorge Reis-Sá nasceu em Vila Nova de Famalicão em 1977. Licenciado em Biologia, fundou em 1999 as Quasi Edições, que editou até 2009. É consultor editorial de várias instituições e editoras. Estreou-se em 1999 com um livro de poemas. Publicou poesia, contos, crónicas, romances e textos para os mais novos. Destaque-se os romances Todos os Dias e A Definição do Amor, a crónica biográfica Campo dos Bargos – O futebol ou a recuperação semanal da infância, publicada na coleção Retratos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, e os livros de contos A Hipótese de Gaia, com o qual venceu o Grande Prémio do Conto da Associação Portuguesa de Escritores e de poemas Prado do Repouso, vencedor do Prémio da Fundação Inês de Castro, ambos editados n’A Casa dos Ceifeiros. Os seus últimos livros reúnem as entrevistas que fez para a RTP3, sob os títulos Mil Vezes Camões e Mil Vezes Camilo. Vive em Lisboa.

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