Sita Valles

Revolucionária, Comunista até à Morte (1951-1977)

de Leonor Figueiredo
Editor: Alêtheia Editores, agosto de 2010 ‧
Em Portugal, poucos saberão quem foi Sita Valles, a jovem revolucionária fuzilada há mais de 30 anos em Angola. No entanto, a sua aura continua viva entre as gerações de estudantes universitários comunistas e de outras esquerdas que a conheceram, no início dos anos 70, sobretudo nas faculdades de Medicina de Lisboa e Luanda. Foi uma grande líder do movimento estudantil e um quadro estimado da União dos Estudantes Comunistas.
Sita Valles teve uma vida muito breve (1951-1977). Mas intensa. Desde que tomou consciência das injustiças do mundo, não mais deixou de ser um turbilhão político. Muito activa, quer na clandestinidade, quer em democracia, ela lutou por uma sociedade melhor.
Sita Valles era uma «luso-angolana». Nasceu em Cabinda, quando ainda pertencia ao império colonial português, e depois da independência optou pela nacionalidade angolana. No 25 de Abril de 1974 estudava Medicina em Lisboa, mas no Verão Quente regressou à que pensava ser a sua terra. Na República Popular de Angola defendeu a ortodoxia soviética em supostos tempos de democracia. Ali acabou por ser acusada, sem direito a contraditório, de ser um dos cérebros do alegado putsch, de 27 de Maio de 1977. E ali foi fuzilada, pensa-se, em Agosto desse ano.
Três décadas depois da sua execução - juntamente com José Van Dunem e Nito Alves -, a jornalista Leonor Figueiredo, autora de Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola (Alêtheia Editores, 2009), investigou, recolheu testemunhos, procurou memórias antigas de uma jovem mulher e da sua história brutal, que se tornou num mito de uma geração.

«Diz-se que Sita Valles foi fuzilada às cinco da manhã do dia 1 de Agosto de 1977. Um tiro em cada perna, um tiro em cada braço. O corpo caiu na vala previamente aberta, antes de desferido o disparo mortal. Ou o que restava de Sita, após as torturas e a orgia de violações pelos homens da Direcção de Informação e Segurança de Angola (DISA), a polícia política do regime. Um tractor aplainou o terreno. Diz-se também que a bela, elegante e inteligente comunista de origem goesa – uma portuguesa de coração africano – se manteve rebelde até ao último momento. Dizia que não tinha medo e que quanto mais depressa a matassem melhor. Ao recusar ser vendada, obrigou os atiradores do pelotão de fuzilamento, a enfrentarem o seu olhar, antes de apertarem o gatilho.»

Sita Valles

Revolucionária, Comunista até à Morte (1951-1977)

de Leonor Figueiredo

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896222949
Editor: Alêtheia Editores
Data de Lançamento: agosto de 2010
Idioma: Português
Dimensões: 140 x 221 x 18 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 250
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > História > História de Portugal
EAN: 9789896222949

Conhecer Sita Valles

J. Ferreira

Um livro que é um excelente trabalho jornalistico. Apresentando uma mulher que foi comunista e que morreu ás maos de um regime comunista. Seria interessante, caso tivesse sobrevivido, ao turbilhao do 27 de maio, conhecer a sua posicao politica actual, face aos ideais comunistas. Para quem quiser saber o que foi o 27 de maio de 1977, em Angola, este livro é um bom inicio.

SOBRE O AUTOR

Leonor Figueiredo

Nasceu em Portugal, cresceu em Angola. Jornalista há mais de 30 anos, passou por jornais, revistas e agências de notícias. Trabalhou 21 anos no Diário de Notícias, onde recebeu mais de 20 prémios internos. Foi distinguida com o Prémio de Imprensa da Comissão Nacional de Luta Contra a Sida (1997), o Prémio de Reportagem Ramiro da Fonseca e o Prémio Bordalo da Imprensa, atribuídos pela Casa da Imprensa (1999), e o Prémio de Imprensa da Liga Portuguesa Contra o Cancro (2002). Nos últimos anos, colaborou com o jornal de cultura angolano O Chá e a revista Caju, suplemento do Sol em Angola. Sobre os anos da descolonização de Angola e os primeiros de independência, publicou: Luanda 1974/1975: O Movimento Estudantil (2012), Sita Valles: Revolucionária, Comunista até à Morte (2010), Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola (2009).

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