Sedução

de José Marmelo e Silva

editor: Campo das Letras, novembro de 2007
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«Ainda hoje, não obstante todos os anos decorridos, "Sedução" continua a ser um livro de combate, um livro indisciplinador. Não pela escabrosidade do tema - aliás tratado com a delicadeza e uma finura inexcedíveis, quando tão fácil (e tão comercial...) era ceder à tentação do obsceno -, mas pelo carácter insólito da análise, que progride por pequenas deslocações laterais; por iluminação de planos sucessivos, e não, como é corrente, por um mergulho vertical, pela sobrecarga de minúcias psicológicas que, habitualmente, fazem da personagem literária um monstro, inviável fora das páginas do livro. E o estilo? O maior bem que dele se pode dizer é que outro não serviria melhor o autor. Ao mesmo tempo usual e castigada, a sua linguagem parece ter sido decantada de maneira algo bizarra: aceitando muito do que se exclui, excluindo muito do que aceita, o resultado final é um estilo que não tem similar em Portugal» José Saramago

«[Marmelo e Silva é] não só um dos casos mais notáveis da moderna literatura portuguesa, mas o que mais fundo exprime e ensaia o significado da arte como libertação do homem» Mário Sacramento

«Com o mesmo projecto político dos escritores neo-realistas, que inicialmente acompanhou, José Marmelo e Silva foi, entre eles, desde "Sedução", novela publicada no final dos anos trinta, uma irrefreável afirmação de subjectividade. É a força do desejo, filtrada pelas palavras, a par da observação aguda e inclemente do meio, que lhe permite estruturar personagens que ainda hoje comunicam com o leitor e nele se concretizam, se prolongam.» Urbano Tavares Rodrigues

«"Sedução" tem meio século. Releio (quantas vezes reli?) essa ficção pausada e lenta, terna e amena, áspera e dilacerante que José Marmelo e Silva redigiu (compôs), e que deixou de lhe pertencer em sistema de exclusividade porque faz parte do território colectivo (selectivo) onde se ordenam as grandes obras-primas da literatura portuguesa de sempre.» Baptista-Bastos

«Minha irmã leva-me dez anos (o que não seria invulgar, concordo), mas sempre me pareceu ter o dobro da sua própria idade. Severa e imperativa como uma apologista de rígida moral, nunca me lembro que ela fosse jovem ou apenas sorridente sem sarcasmo. A mãe explica por um argumento ingénuo esta minha vantajosa diferenciação: Eu, em pequeno, olhava muito para o retrato do padrinho Eduardo - negociante de cavalos, bom feirante - e fiquei a parecer-me com ele. Sou equilibrado, robusto, gosto imensamente de cavalgar, viver a vida em liberdade, e Noémia, ainda como uma rígida moralista, - jamais deixou de ser o que é: mirrada, abstinente, horrivelmente feia. Tem as tíbias tortas, descarnadas, tem mesmo algum bigode; o cabelo, precocemente ruço, chega a dar-lhe um ar de velha. Custa-me, enfim, estar a descrevê-la e, então, digo: é uma carcaça a andar. (…)
Ao passar pelo quarto de minha irmã, a porta escancarada tentou-me. Eu queria (e nesse instante nenhuma voz se opôs), queria encontrar o segredo de Noémia, da sua poderosa, inevitável sedução; queria revolvê-lo, palpá-lo, observá-lo, pô-lo a nu e finalmente desfazê-lo com estas minhas mãos...»

Sedução

de José Marmelo e Silva

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896252335
Editor: Campo das Letras
Data de Lançamento: novembro de 2007
Idioma: Português
Dimensões: 208 x 130 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 156
Tipo de produto: Livro
Coleção: Campo da Literatura
Classificação temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789896252335
José Marmelo e Silva

José Marmelo e Silva nasceu em 1911, na freguesia de Paul, concelho da Covilhã. Frequentou o seminário do Fundão, donde "sai" com 17 anos, por incompatibilidades de Ser e de Pensar com o sistema e a instituição. Colabora, enquanto jovem, n’O Brado Académico, n’O Raio, da Covilhã, e na Mocidade Livre, de Castelo Branco. Na década de 30 colaborou no semanário lisboeta O Diabo, com o pseudónimo Eduardo Moreno e leccionou em Espinho no Colégio Pedro Nunes. Em 1932 publica "O Homem que Abjurou a Sociedade - Crónicas de Amor e do Tempo". Em 1937 funda, juntamente com outros intelectuais, a Editora Portugália, em Coimbra, que se inaugura com a publicação da 1.ª edição de "Sedução". Publica em 1939 a 1.ª edição de "Depoimento". Em 1940 licencia-se em Filologia Clássica na Faculdade de Letras de Lisboa. Publica a 1.ª edição de "O Sonho e a Aventura" em 1943. A partir de 47 fixa residência em Espinho, onde permanece até à data da sua morte. Publica em 1948 a 1.ª edição de "Adolescente"; em 1958 publica "Adolescente Agrilhoado", 1.ª edição acrescentada. No fim da década de 40 e década de 50 dedica-se à actividade agro-comercial, que constituía já um trabalho com raízes familiares. Na década de 60 colabora no Diário de Notícias e na revista Seara Nova. Em 1968 publica "O Ser e o Ter" seguido de "Anquilose" e em 1983 "Desnudez Uivante". Em 1987 é agraciado com a medalha de ouro da cidade de Espinho e em 1988 é condecorado pelo presidente da República com o grau de Comendador da Ordem de Mérito. Parte a 11 de Novembro de 1991. Foi o fim de uma vida que passou por uma adolescência dedicada ao "seminário"; uma juventude consagrada à "licenciatura, ao grego e aos clássicos"; um adulto dedicado ao "amor, amor, amor…" - como ele próprio anotou.

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