SINOPSE
O Portugal que hoje conhecemos é o mesmo que Eça viveu nas décadas de 80 e 90 do século XIX: as instituições como a Justiça, a Educação e a Saúde estão bloqueadas ou são ineficazes, temos uma classe política medíocre, um empresariado especulativo, assente sobretudo no betão e no comércio de curto prazo, elites que visam a fama sem o suor do trabalho, um povo que rasteja em Fátima ou ulula em estádios de futebol. Somos, mesmo depois da entrada na Europa, um país onde a pessoa é substituída pelo orçamento.
Ler Eça hoje é, por isso, extremamente actual, para além de nos ajudar a suportar a farsa em que Portugal se vem tornando todos os dias, contrariando as promessas da democracia. Mas a verdade é que a generalidade dos críticos do romancista classifica o Eça dos últimos anos como um homem diferente — um burguês resignado, acomodado e passivo —, do que Miguel Real discorda em absoluto. Contrariando, assim, as teses do Estado Novo e de estudiosos tão diferentes como António Sérgio, Jaime Cortesão ou António José Saraiva, o autor deste O Último Eça substitui os adjectivos «resignado», «vencido da vida» ou «passivo» por «humanista», «empenhado», «profundamente sensível e consciente», oferecendo uma visão humanista revolucionária dos últimos anos da vida do grande escritor português e sugerindo uma nova periodização e classificação da totalidade da obra de Eça de Queirós.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789728998431 |
| Editor: | Quidnovi |
| Data de Lançamento: | Janeiro de 2007 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 166 x 235 x 15 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 256 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Ensaios
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| EAN: | 9789728998431 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Um Eça inesperado
José Vieira
Neste ensaio de Miguel Real deparamo-nos com um Eça que finissecular, que nos surge com ideias inovadoras e inesperadas, tendo em conta que temos o autor de "Os Maias" como símbolo do Realismo. Na verdade, com este livro, percebemos que Eça de Queirós, um dos maiores escritores da lusa literatura, surge com uma complexidade ideológica e uma agudeza estética que ultrapassa qualquer movimento literário. Um livro obrigatório para quem ama as queirozianas andanças!
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